Por Adriana Prado, do blogo Jornalismo nas Américas
O grupo editorial Ejesa (Empresa Jornalística Econômico S.A.), filial brasileira do grupo português Ongoing e que publica os jornais O Dia, Brasil Econômico, Meia Hora e Marca BR, anunciou a abertura de uma redação em Brasília em 2011, que produzirá conteúdo para as quatro publicações, informou o Portal Comunique-se. Hoje, há redações no Rio de Janeiro e em São Paulo. "Não vai ser um veículo por si só, mas vai ser uma redação que vai alimentar os nossos vários títulos", explicou Maria Alexandra Mascarenhas Vasconcellos, presidente do Conselho de Administração do Ejesa.
A redação dos jornais O Dia, Meia Hora e Marca BR, no Rio, ganhará um novo endereço. Com a mudança, planeja-se a integração das equipes, que também passarão a escrever para todas as publicações do grupo. “Com a integração, o melhor jornalista de cada tema, com a sua equipe, trabalha com um conjunto de títulos, que depois serão adaptados ao seu público", acrescentou Vasconcellos.
A empresa foi criada em 2009, com o lançamento do jornal Brasil Econômico, cuja sede é em São Paulo, em outubro. Em abril de 2010, acertou a compra do grupo editorial O Dia, que editava o diário de mesmo nome, o popular Meia Hora e o esportivo Campeão, posteriormente rebatizado de Marca BR. Segundo o Comunique-se, o grupo registra, ao todo, uma audiência de três milhões de leitores por dia.
A Ejesa está envolvida numa grande polêmica. Isso porque a Associação Nacional de Jornais (ANJ) questiona a origem do capital da empresa, que estaria violando a legislação brasileira por ser controlada pelo grupo de mídia português Ongoing - que pertence ao marido da presidente de seu Conselho de Administração, Nuno Vasconcelos. O artigo 222 da Constituição brasileira proíbe que a participação de capital estrangeiro em uma empresa de comunicação supere 30%. O Ministério Público Federal (MPF) apura a denúncia. A grupo acabou se desfiliando da ANJ.
Um espaço para os campos da Informação e da Comunicação e sobre eles abrir um debate com os leitores. Análises, artigos, avisos, concursos, publicações... Aqui você encontrará de tudo um pouco. Os textos poderão ser em português, espanhol, inglês ou francês.
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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
domingo, 4 de abril de 2010
Grupo português Ongoing compra os jornais do Grupo O Dia
Menos de três meses após a presidente do Grupo O Dia, Gigi de Carvalho, anunciar seu afastamento do cargo, em 13 de janeiro, o grupo português Ongoing comprou o parque gráfico e os jornais O Dia, Meia Hora e Campeão. Um negócio estimado em R$ 75 milhões. Após due diligence em curso, a previsão dos envolvidos é de que o negócio seja finalizado em dois meses.
Desde a morte de Ary de Carvalho em 2003 e o afastamento de seu braço direito Fernando Portella, o jornal O Dia vem perdendo espaço no mercado carioca em meio ao conflito entre as herdeiras Gigi, Eliane e Ariane de Carvalho.
Fundado nos anos 50 pelo ex-governador paulista Adhemar de Barros, foi através do governador fluminense Chagas Freitas que o jornal se consagrou no segmento popular. Em 1983, Ary Carvalho comprou o título e o fez viver seu melhor período nos 20 anos em que controlou o título, chegando a liderança de circulação no Rio de Janeiro.
As rádios MPB FM e FM O Dia, controladas pelas herdeiras do Grupo O Dia, não entraram no negócio com o Ongoing. Ariane continuará a frente da MPB FM, da qual é sócia controladora, enquanto as irmãs Gigi e Liane ficam com a FM O Dia, onde dividem o comando. Os jornais e a gráfica eram os únicos negócios que tinham as três como sócias.
O grupo Ongoing passou a atuar no País em outubro do ano passado, com o lançamento em São Paulo do jornal Brasil Econômico, que segue os moldes do seu principal título impresso do mercado português, o Diário Econômico. Outros alvos teriam sido a Gazeta Mercantil e o Jornal do Brasil, mas o caos financeiro no qual mergulharam os títulos desde que Nelson Tanure assumiu o controle esfriou o ânimo dos portugueses. Já com O Dia a negociação fluiu bem, facilitado pelo desejo das herdeiras em se desfazerem do negócio, conforme adiantou reportagem do M&M Online no dia 13 de janeiro (veja aqui).
Se, por um lado os títulos adquiridos pelo Ongoing têm pouca sinergia editorial com o Brasil Econômico, por outro a operação logística agora disponível no Rio de Janeiro pode ajudar o jornal de economia a aumentar sua presença junto ao público qualificado. Além disso, de posse dos jornais do Grupo O Dia, o Ongoing estudaria a viabilidade de lançar em São Paulo o popular Meia Hora, vendido atualmente no Rio por R$ 0,70 - o que poderia praticamente inaugurar um mercado inexistente na capital paulista, onde proliferaram os gratuitos, mas que tem rendido ótimos resultados em outras capitais brasileiras.
O Ongoing também mantém o plano de lançar um jornal em Brasília - tendo como referência o Washington Post. Embora tenha sido retardada - a previsão inicial era de início de circulação em maio -, a iniciativa pode agora ser agilizada, especialmente porque o negócio com o Grupo O Dia demonstra a disponibilidade de caixa dos empresários portugueses, que também não escondem seu interesse no mercado brasileiro de televisão - notícias de bastidores relatam encontros com a Band e a Rede TV, sendo mais frutíferos com a segunda.
Em Portugal, o Ongoing havia separado 120 milhões de euros para a compra do um terço da TVI, participação esta atualmente pertencentes ao Media Capital, sócio minoritário do negócio controlado pelo grupo espanhol Prisa. Entretanto, a entidade reguladora da comunicação social em Portugal condicionou a entrada do Ongoing na TVI à venda dos 20% que o grupo detém na SIC, concorrente da TVI. Diante do impasse em Portugal, o Ongoing tem mais disponibilidade de caixa para investir no Brasil.
Desde a morte de Ary de Carvalho em 2003 e o afastamento de seu braço direito Fernando Portella, o jornal O Dia vem perdendo espaço no mercado carioca em meio ao conflito entre as herdeiras Gigi, Eliane e Ariane de Carvalho.
Fundado nos anos 50 pelo ex-governador paulista Adhemar de Barros, foi através do governador fluminense Chagas Freitas que o jornal se consagrou no segmento popular. Em 1983, Ary Carvalho comprou o título e o fez viver seu melhor período nos 20 anos em que controlou o título, chegando a liderança de circulação no Rio de Janeiro.
As rádios MPB FM e FM O Dia, controladas pelas herdeiras do Grupo O Dia, não entraram no negócio com o Ongoing. Ariane continuará a frente da MPB FM, da qual é sócia controladora, enquanto as irmãs Gigi e Liane ficam com a FM O Dia, onde dividem o comando. Os jornais e a gráfica eram os únicos negócios que tinham as três como sócias.
O grupo Ongoing passou a atuar no País em outubro do ano passado, com o lançamento em São Paulo do jornal Brasil Econômico, que segue os moldes do seu principal título impresso do mercado português, o Diário Econômico. Outros alvos teriam sido a Gazeta Mercantil e o Jornal do Brasil, mas o caos financeiro no qual mergulharam os títulos desde que Nelson Tanure assumiu o controle esfriou o ânimo dos portugueses. Já com O Dia a negociação fluiu bem, facilitado pelo desejo das herdeiras em se desfazerem do negócio, conforme adiantou reportagem do M&M Online no dia 13 de janeiro (veja aqui).
Se, por um lado os títulos adquiridos pelo Ongoing têm pouca sinergia editorial com o Brasil Econômico, por outro a operação logística agora disponível no Rio de Janeiro pode ajudar o jornal de economia a aumentar sua presença junto ao público qualificado. Além disso, de posse dos jornais do Grupo O Dia, o Ongoing estudaria a viabilidade de lançar em São Paulo o popular Meia Hora, vendido atualmente no Rio por R$ 0,70 - o que poderia praticamente inaugurar um mercado inexistente na capital paulista, onde proliferaram os gratuitos, mas que tem rendido ótimos resultados em outras capitais brasileiras.
O Ongoing também mantém o plano de lançar um jornal em Brasília - tendo como referência o Washington Post. Embora tenha sido retardada - a previsão inicial era de início de circulação em maio -, a iniciativa pode agora ser agilizada, especialmente porque o negócio com o Grupo O Dia demonstra a disponibilidade de caixa dos empresários portugueses, que também não escondem seu interesse no mercado brasileiro de televisão - notícias de bastidores relatam encontros com a Band e a Rede TV, sendo mais frutíferos com a segunda.
Em Portugal, o Ongoing havia separado 120 milhões de euros para a compra do um terço da TVI, participação esta atualmente pertencentes ao Media Capital, sócio minoritário do negócio controlado pelo grupo espanhol Prisa. Entretanto, a entidade reguladora da comunicação social em Portugal condicionou a entrada do Ongoing na TVI à venda dos 20% que o grupo detém na SIC, concorrente da TVI. Diante do impasse em Portugal, o Ongoing tem mais disponibilidade de caixa para investir no Brasil.
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Crise: grupo O Dia à venda
Por Robert Galbraith, do M&M Online , em 13/01/2010
Saída da presidente Gigi Carvalho e entrega do cargo a diretor financeiro alimentam especulações sobre futuro do grupo empresarial controlado pelas herdeiras de Ary Carvalho.
O Dia O anúncio da saída de Gigi de Carvalho da presidência do jornal O Dia e a sua substituição pelo diretor financeiro, Ronaldo Carneiro, pode ser um sinal de que o grupo esteja preparando o terreno para a venda de seu controle.
Desde o falecimento de Ary de Carvalho em 2003, as três herdeiras Gigi, Eliane e Ariane dividem o controle do grupo mas sem a mesma liderança forte do pai. Ariane foi a primeira a assumir a presidência mas acabou perdendo o posto no ano seguinte à morte do pai por imposição das irmãs a título de um rodízio no cargo que de fato nunca ocorreu.
Gigi assumiu o posto onde promoveu em seus seis anos no cargo importantes mudanças como a reformulação gráfica de O Dia e o lançamento do Meia Hora. O sucesso do novo título expôs o declínio de O Dia que nos últimos anos vem amargando queda na circulação de acordo com os números publicados pelo IVC.
Um executivo próximo da situação garante que a entrega do cargo a Ronaldo Carneiro passa ao mercado uma mensagem que de a gestão passa a ter caráter técnico até que surja um parceiro interessado em comprar o controle do Grupo O Dia.
Saída da presidente Gigi Carvalho e entrega do cargo a diretor financeiro alimentam especulações sobre futuro do grupo empresarial controlado pelas herdeiras de Ary Carvalho.
O Dia O anúncio da saída de Gigi de Carvalho da presidência do jornal O Dia e a sua substituição pelo diretor financeiro, Ronaldo Carneiro, pode ser um sinal de que o grupo esteja preparando o terreno para a venda de seu controle.
Desde o falecimento de Ary de Carvalho em 2003, as três herdeiras Gigi, Eliane e Ariane dividem o controle do grupo mas sem a mesma liderança forte do pai. Ariane foi a primeira a assumir a presidência mas acabou perdendo o posto no ano seguinte à morte do pai por imposição das irmãs a título de um rodízio no cargo que de fato nunca ocorreu.
Gigi assumiu o posto onde promoveu em seus seis anos no cargo importantes mudanças como a reformulação gráfica de O Dia e o lançamento do Meia Hora. O sucesso do novo título expôs o declínio de O Dia que nos últimos anos vem amargando queda na circulação de acordo com os números publicados pelo IVC.
Um executivo próximo da situação garante que a entrega do cargo a Ronaldo Carneiro passa ao mercado uma mensagem que de a gestão passa a ter caráter técnico até que surja um parceiro interessado em comprar o controle do Grupo O Dia.
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