| Foto: Will Oliver / AFP |
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domingo, 17 de fevereiro de 2013
Reino Unido já gastou US$ 4,5 milhões para vigiar Assange
domingo, 2 de setembro de 2012
Veja o vídeo com a íntegra da entrevista de Julian Assange à Telesur
“Altos funcionários e atores políticos estadunidenses, que manipulam as informações e emitem julgamentos sem provas”.
Alertou, porém que toda a perseguição e os bloqueios bancários contra o Wikileaks não conseguiram derrotá-lo. Reiterou que ele, Julian Assange e sua organização continuarão lutando para evitar a a instalação de “um sistema internacional de leis arbitrárias”, implantadas por “grupos complexos interconectados”, que empurram a sociedade para um regime no qual não corresponderá o resultado”
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
Exclusivo: hoje 23 horas, Julian Assange na TV Cidade Livre de Brasília, canal 8 da NET
Julian Assange é o responsável pelo Wikileaks, que vazou uma série de documentos confidenciais e comprometedores da diplomacia e das forças armadas norte-americanas.
A entrevista será comandada pelo repórter Jorge Gestoso nas instalação da representação diplomática equatoriana, em Londres.
Desta forma, ele estará rompendo o silêncio desde a Embaixada do Equador em Londres, onde se encontra asilado, mas sem permissão das autoridades inglesas de dirigir-se ao país andino, que é o que mais recebe refugiados em todo o mundo hoje.
Não percam,
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Wikileaks deixa de publicar documentos por falta de dinheiro
De Medioslatinos
El fundador de Wikileaks, Julian Assange, anunció que el sitio suspenderá temporalmente la publicación de documentos confidenciales, debido a la falta de recursos económicos. Según Assange, un grupo de "compañías financieras de Estados Unidos ha bloqueado el 95% del apoyo económico mundial a Wikileaks", en clara referencia a empresas como Visa, MasterCard y Paypal, Western Union y Bank of America. Desde el 7 de diciembre de 2010, cuando el sitio publicó 250.000 cables diplomáticos de Estados Unidos, estas cinco compañías dejaron de permitir hacer donaciones a Wikileaks, imponiéndole un "bloqueo arbitrario e ilegal" . Por este motivo, para poder asegurar su "supervivencia económica", WikiLeaks dejará de publicar información y seguirá abierta a donaciones.
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
EUA obrigou Google a fornecer dados de voluntários do Wikileaks
O governo dos Estados Unidos conseguiu, por meio de uma limina judicial protegida por confidencialidade, que o Google fornecesse informações sobre as contas de e-mail de diversos supostos voluntários que estariam ligados ao site Wikileaks. As informações são dos periódicos Wall Street Journal e El Mundo.
Segundo as publicações, a ordem determina que tanto o Google quanto outros provedores menores facilitem o acesso a dados de usuários que teriam se correspondido por e-mail com Jacob Appelbaum, um dos principais voluntários do Wikileaks.
O provedor Sonic, um dos atingidos pela determinação judicial, afirmou que lutou legalmente contra a determinação judicial, mas acabou obrigado a fornecer as informações requisitadas.
A liminar é de 4 de janeiro deste ano e exige que o Google entregue a direção IP (identificação individual de cada computador) usada por Appelbaum e por aqueles que se comunicaram com ele desde novembro de 2009.
Não há informações oficiais, no entanto, de que o Google teria cedido as informações. Appelbaum é o responsável pelo projeto Tor, que oferece ferramentas gratuitas para manter o anonimato das pessoas na internet.
Para conseguir a liminar, os Estados Unidos se valeram de uma polêmica lei. Segundo a Electronic Communications Privacy Act, o governo norte-americano pode obter de forma secreta, informações a respeito do e-mail e dos telefones celulares de qualquer pessoa, sem necessidade de intimá-lo por meio de uma ordem judicial.
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Wikileaks: Diplomatas dos EUA se encontraram com membros de peso da mídia brasileira
A estrutura diplomática dos Estados Unidos mantém-se permanentemente alerta para o comportamento da imprensa. Um dos centros das atenções, segundo mostram documentos vazados pelo Wikileaks, é a repercussão de questões relacionadas à política interna norte-americana, além de questões de relações bilaterais e temas relacionados a Israel.
Em meio a diversas análises do que sai na imprensa brasileira, há divagações curiosas. Em 23 de outubro de 2009, em meio à discussão de como a mídia se comporta, um despacho assinado pela conselheira diplomática Lisa Kubiske, tudo começa por elogios: "Os jornalistas brasileiros, falando genericamente, são profissionais, equilibrados e buscam objetividade".
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A seguir, ela sustenta que muitos são "imparciais" no tratamento concedido aos EUA, ainda que não concordem pessoalmente com as políticas norte-americanas. "Alguns articulistas da mídia dominante demonstram viés contra as políticas dos EUA, embora a tendência tenha começado a mudar com a eleição do presidente (Barack) Obama", avalia.
A análise se aprofunda: "Um pequeno segmento do público brasileiro aceita a noção de que os EUA têm uma campanha para subjugar o Brasil economicamente, miná-lo culturalmente e ocupar com tropas pelo menos uma parte de seus territórios. Esse tipo de atitude e de crenças influenciam repórteres e comentaristas em questões como o retabelecimento da Quarta Frota da Marinha dos EUA (caracterizada como uma ameaça para o Brasil), supostamente por nefastas intenções em direção à Amazônia e à "Amazônia Azul" (mares onde novas reservas de petróleo foram encontradas) e mais recentemente o anúncio do acesso dos EUA a bases militares colombianas".
Há alguns despachos que relatam encontros de membros da imprensa com embaixadores, cônsules e funcionários da diplomacia.
RBS amiga
Em um telegrama de 2005, o então cônsul de São Paulo, Patrick Dennis Duddy, narra uma visita do então embaixador John Danilovich a Porto Alegre. A capital gaúcha contava com um consulado próprio, até 1997, quando passou a ter apenas uma agência consular. O embaixador teve três dias agitados, recheados de encontros com empresários e políticos.
Um dos pontos mais curiosos do relato diz respeito a uma entrevista concedida por Danilovich aos veículos da RBS. "O embaixador teve um almoço 'off the record' com a direção editorial do grupo RBS, o maior grupo regional de comunicação da América Latina".
Os números da empresa são apresentados no relato, com detalhamentos sobre operações no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, incluindo a afiliação à Rede Globo, as 120 estações de rádio em dez estados e o jornal Zero Hora. "O embaixador subsequentemente concedeu uma entrevista 'on the record' para o Zero Hora e para a rede de rádios."
O documento ainda frisa, em sequência, as relações política entremeadas ao grupo de comunicação. "Pedro Parente, que era chefe da Casa Civil do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), é vice-presidente executivo da RBS", aponta Duddy. Imediatamente a seguir, uma "nota" complementa a informação: "Nós temos tradicionamente tido acesso e relações excelentes com o grupo".
Estadão amigo
Um documento de março de 2005, vazado em fevereiro de 2011, relata um encontro entre o embaixador John Danilovich e líderes da comunidade judaica da capital paulista. A audiência — dois meses antes da Cúpula América do Sul-Países Árabes daquele ano, em Brasília — teve a presença de Abraham Goldstein, presidente da B’nai Brith do Brasil, e Henry Sobel, rabino chefe da maior sinagoga paulistana.
O relato da conversa transcorre no sentido de aprofundar laços com comunidade judaica, mas guarda notas sobre a mídia que passaram despercebidas na ocasião do vazamento, em dezembro do ano passado (o documento já foi publicado pelo Wikileaks).
Goldstein teria dito a Danilovich que possivelmente haveria uma campanha de imprensa para garantir os pontos de vista favoráveis a Israel e à comunidade de judeus no país. "Goldstein disse que enquanto o editor de O Estado de S.Paulo prometeu cobertura 'positiva', outros jornais de grande circulação são vistos como tendo inclinação pró-Palestina e não parecem ser de grande ajuda", redige o embaixador. Na "campanha" estudada, havia menção a buscar não judeus que pudessem criticar o governo brasileiro no que eles consideravam uma tendência anti-'sionista, centrada na figura do secretário-geral do Itamaraty Samuel Pinheiro Guimarães.
Encontros com jornalistas
Nos despachos, além de muita leitura e fichamento de jornais, há relatos de reuniões esporádicas com profissionais de mídia. Carlos Eduardo Lins da Silva, ex-ombudsman da Folha de S.Paulo, participou de quatro encontros com diplomatas descritos nos documentos. O primeiro, em abril de 2006, foi um encontro com Anthony Wayne, assistente do Departamento de Estado para assuntos econômicos que participava do Fórum Econômico Mundial América Latina. Durante o evento, sediado na capital paulista, Lins da Silva é apresentado como "ex-jornalista" e "consultor político". No encontro, ele teria afirmado acreditar na viabilidade de Geraldo Alckmin (PSDB) como candidato da oposição.
O segundo encontro ocorreu em 2008, quando Lins da Silva havia sido reconduzido ao posto de ombudsman da Folha.
O então senador do Nebraska, o republicano Chuck Hagel, teve um almoço em São Paulo com a participação de Celso Lafer, ministro de Relações Exteriores (1995-2002) da gestão Fernando Henrique Cardoso, Rubens Barbosa, embaixador brasileiro em Washington (1999 a 2004), Rubens Ricupero, ex-ministro da Fazenda e ex-embaixador nos EUA e na OMC, e Sérgio Amaral, ex-ministro da Indústria (2001-2002). Mas o único participante sem elos com ministérios nem com o Itamaraty não tem nenhuma declaração citada.
Em novembro de 2008, ainda em seu segundo mandato como ouvidor da Folha, Lins da Silva é qualificado como "ex-editor sênior" do Valor Econômico. A reunião, no caso, foi com o cônsul-geral Thomas White a respeito dos planos de exploração dos campos de petróleo do Pré-Sal. O jornalista avaliava que a crise financeira atrasaria os prazos de extração dos poços do campo de Tupi.
Quando Arturo Valenzuela, secretário assistente para assuntos do hemisfério ocidental, passou pelo Cone Sul em 2010, Lins da Silva aparece novamente em um despacho diplomático. No mesmo encontro estavam o sociólogo Bolivar Lamounier, Lafer, Barbosa e José Goldemberg, ex-ministro de Ciência e Tecnologia e da Educação na década de 1990.
O ombudsman "destacou o vigor financeiro sem precedentes do PT [Partido dos Trabalhadores] para executar uma campanha, após oito anos no governo" que, em caso de derrota, produziria uma oposição "muito problemática".
Lamounier aparece em episódio anterior, ainda em 2007. Ele teria almoçado em 28 de setembro ao lado de Jose Augusto Guilhon de Albuquerque com funcionários da embaixada em São Paulo. Ambos são apresentados como acadêmicos "associados" ao PSDB. O blogueiro do site da revista Exame, da editora Abril, apostava que Lula não tentaria terceiro mandato e que a candidatura apoiada por ele levaria a melhor. Acertou.
E disse ainda que o presidente seguinte teria de buscar apoio do PMDB, em função de seu tamanho e peso. "O PMDB", avisou Lamounier, "é sempre o problema, nunca a solução, porque não tem nenhuma identidade política nem ideológica e existe com o único propósito de avançar em interesses pessoais para seus membros".
Waack
Quem também participou de almoços e encontros com funcionários do governo dos EUA foi o apresentador do Jornal da Globo, William Waack. O primeiro entre os citados foi em 28 de abril de 2008. Uma visita de jornalistas ao almirante Philip Cullom, que passava pelo Brasil para uma série de exercícios conjuntos entre as marinhas dos EUA, Brasil e Argentina.
De acordo com o relato do então embaixador Clifford Sobel, a visita de "membros da imprensa brasileira" resultou numa "cobertura positiva". Entre todos os jornalistas, apenas o apresentador do Jornal da Globo é nomeado, por ter "apresentado em duas reportagens para O Globo sobre a visita que reflete a importância da parceria dos EUA com o Brasil".
Outro encontro deu-se em setembro de 2009, com a presença de Sérgio Fausto, à época diretor do Instituto Fernando Henrique Cardoso (iFHC). Nele, Waack trouxe a informação, que posteriormente se revelaria falsa, de que os então governadores de São Paulo, José Serra, e Minas Gerais, Aécio Neves, teriam acertado uma chapa-puro-sangue do PSDB para rivalizar com Dilma Rousseff.
O terceiro encontro foi com o atual embaixador, Thomas Shannon, em fevereiro de 2010. Waak teria dito que em um fórum com empresários, Aécio Neves teria se mostado "o mais carismático", Ciro Gomes "o mais forte", Serra "claramente competente" e Dilma "a menos coerente".
Em agosto de 2005, há menção a um encontro com oito jornalistas e comentaristas de jornais, revistas, TV e internet. Nenhum é mencionado, mas muitas teorias são listadas sobre o que se sucederia às denúncias de corrupção consagradas como o escândalo do "Mensalão".
Fernando Rodrigues, repórter especial de política da Folha e autor do blog UolPolítica, teve pelo menos duas conversas com o assessor político da embaixada dos EUA, segundo os documentos. Em ambos, foi procurado para dar a contextualização de questões relativas ao país: o funcionamento do Tribunal de Contas da União e o futuro de Aldo Rebelo (PCdoB-SP) caso perdesse a eleição para presidente da Câmara dos Deputados em 2007.
quinta-feira, 28 de abril de 2011
WikiLeaks revela que EUA paga secretamente a grupos anti-Síria
Um desses telegramas, datado de abril de 2009, dizia o óbvio: que as autoridades sírias considerariam “quaisquer fundos dos EUA indo para grupos políticos ilegais como equivalente ao apoio à troca de regime” – isto é, à derrubada do governo Assad. Ou, dito de outro jeito, que quem recebia esse dinheiro era agente da CIA. O documento se referia ao apoio a “facções anti-[governamentais], tanto dentro como fora da Síria”. A TV Barada – o nome é em referência a um rio que corta Damasco -, começou justo a transmitir em abril de 2009. O “movimento” de Londres era considerado por Washington como constituído por “ex-membros liberais e moderados da Irmandade Muçulmana”. A TV Barada também transmite “programação” feita por outro grupo, dos EUA.
“Não estou sabendo de nada disso”, jurou o diretor de jornalismo da TV Barada, Malik al Abdeh. Ele asseverou que “um empresário sírio independente” é que fornece o dinheiro, mas acabou admitindo que ele, e o irmão, Anas, fazem parte do board do “movimento” de Londres pela derrubada de Assad. Provavelmente o empresário sírio independente trabalha naquela conhecida repartição da Virgínia.
Telegrama de fevereiro de 2006 registra um encobrimento sobre o dinheiro da CIA, alegando que “nenhum dissidente dentro da Síria estava querendo pegar o dinheiro, com medo de prisão ou execução por traição”. Na época, o governo Bush anunciara US$ 5 milhões “para acelerar o trabalho dos reformadores na Síria”. Já com Obama, ao mesmo tempo em que punha em ação esses grupos, os EUA encenavam uma “normalização” das relações com a Síria, enviando o primeiro embaixador em seis anos.
terça-feira, 29 de março de 2011
Wikileaks revela documentos demonstrando que EUA tentou inviabilizar Telesul
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Opinião: Wikileaks e os podres poderes
O Wikileaks abre uma janela, mas depende de nós garantir que por ela não entrem larápios e fantasmas que andam muito vivosA enxurrada de informações trazidas pelo Wikileaks desde o final de novembro é um fato incontestavelmente relevante. Embora o grupo já atuasse com vazamento de correspondências sigilosas há alguns anos, a mudança de estratégia de divulgação somada ao aumento da quantidade de informações fez os efeitos de agora serem avassaladores.
A maior parte do que foi relevado não surpreende nenhum militante bem informado, mas ajuda a desconstruir o argumento de 'teorias da conspiração'. O império age como império; e ponto final. Mais que isso: tem aliados confiáveis em altas posições do governo brasileiro. Tudo aquilo que você sempre leu na ótima cobertura internacional deste Brasil de Fato soa mais verdadeiro do que nunca.
É claro que junto com qualquer ação que afete o império vem a reação conservadora. Aí vale a interrogação proposta por Boaventura de Sousa Santos em texto recente: “irá o mundo mudar depois destas revelações?”. Ele mesmo responde: “a questão é saber qual das globalizações em confronto – a globalização hegemônica do capitalismo ou a globalização contra-hegemônica dos movimentos sociais em luta por um outro mundo possível – irá beneficiar mais com as fugas de informação”.
Os EUA tentam empurrar para o mundo todo uma agenda de combate aos crimes na internet, que na verdade serve duplamente a seus próprios interesses: no âmbito político, permite a vigilância e a defesa dos interesses de seu governo; no econômico, protege os interesses das grandes empresas, especialmente aquelas que ganham rios de dinheiro como intermediárias de direitos autorais.
No Brasil, o embate entre aqueles que dizem combater os crimes na internet e aqueles que defendem a liberdade e a privacidade na rede tem seu ápice no debate do Projeto de lei 84/99, conhecido como “AI-5 Digital”, que alguns deputados ainda tentam aprovar no lusco-fusco de seus mandatos.
É preciso ficar atento e se organizar para que as forças reacionárias não utilizem esse momento para fazer avançar sua agenda conservadora. O Wikileaks abre uma janela, mas depende de nós garantir que por ela não entrem larápios e fantasmas que andam muito vivos.
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Repórteres sem Fronteiras cria sítio espelho dos telegramas diplomáticos de WikiLeaks
A partir de 21 de dezembro de 2010, Repórteres sem Fronteiras lançará no endereço http://wikileaks.rsf.org/ um site espelho da seção dedicada aos telegramas diplomáticos americanos publicada por WikiLeaks.
“Demonstramos simbolicamente o nosso apoio ao direito de WikiLeaks de publicar informações e de não ser obstruído na sua atuação. Repórteres sem Fronteiras defende a liberdade de circulação das informações na internet e o princípio de proteção das fontes, sem as quais o jornalismo de investigação não pode existir”, declarou a organização.
Através da publicação dos telegramas diplomáticos americanos, WikiLeaks colocou à disposição de cinco grandes diários internacionais e do público um material inédito. As pressões e as tentativas de encerramento de WikiLeaks constituem um ataque à missão de “guardião da democracia” presente no espírito do artigo 10º da Convenção Europeia dos Direitos do Homem. O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (TEDH) confirmou, em várias ocasiões, que esta missão implica a proteção das fontes e a ausência de medidas governamentais destinadas a silenciar essas fontes.
Como habitualmente em questões de investigação jornalística, os documentos revelados por WikiLeaks e disponibilizados a importantes meios de comunicação foram obtidos por procedimentos fora da legalidade. Com efeito, WikiLeaks e os outros meios que com ele colaboraram foram acusados de ser “encobridores”. Mas Repórteres sem Fronteiras relembra que o TEDH rejeita a noção de “encobrimento” quando estão em jogo o interesse geral – como é o caso – e o direito do público a ser informado.
domingo, 19 de dezembro de 2010
Opinião: Wikileaks e o mundo de pernas pro ar
O impacto da revelação dos 250 mil documentos do Departamento de Estado dos Estados Unidos pelo site Wikileaks ainda está por ser avaliado do ponto de vista de sua influência na forma de produção do jornalismo do futuro e da política de confiabilidade das informações oficiais.
No primeiro campo, temos a dolorosa missão de informar que o jornalismo, tal como vem sendo praticado até hoje, acabou. A revolução enfrentada com a chegada das redes sociais se converteu em furacão. O jornalismo dito convencional agora chancela informações transmitidas pela internet. E assim se resgata a sua função original – a de efetuar o filtro indispensável à credibilidade do produto oferecido à população. Os que proclamaram a morte da grande imprensa com o advento dos facebooks e twitters da vida se encrencaram. Julian Assange, antes de dar à luz sua bomba de informações, foi atrás dos jornais Der Spiegel, Le Monde, El País e The Guardian pra ajudá-lo a desembrulhar o pacote. Ele sabe que a credibilidade da divulgação repousa na autenticação de quem se dedica, há décadas, ao trabalho de separar o que vale a pena do que é lixo. Embora haja sites e blogs extremamente confiáveis, na grande rede ainda reina o caos resultante da mistura alucinada de fofoca, opinião, informação e boato. É imprescindível que apareça alguém pra botar ordem no galinheiro e separar ovo de páscoa de ovo de ganso, de ovo de galinha, de ovo de Colombo e de ovo de codorna. Há ovos e ovos. Assange sabe disso.
De outra parte, os governos, embora ainda esperneiem, precisam entender, de uma vez por todas, que nem todo o aparato do mundo é capaz de assegurar o sigilo de informações confidenciais em tempos de internet. Os hakers, primeiro subproduto de timbre anarquista e roqueiro da web estão podendo, e provaram isso ao protestar contra a tentativa de punição a Assange derrubando com extrema rapidez e eficiência as páginas do Visa e do Mastercard, que brecaram o acesso dele às contas pessoais e às do site que dirige. Para eles, quebrar o sigilo de informações é mais fácil que tomar pirulito de criança.
Ou seja: informação é produto que precisa circular, mesmo que doa aqui ou ali. A sociedade do futuro, definitivamente, não é a sociedade do Big Brother de H. G. Wells, mas sim a sociedade do Wikileaks, em que tudo sobre todos será do conhecimento de todos, para o bem de tudo e de todos, e felicidade ou infelicidade geral do planeta, a depender do ponto de vista.
*Paulo José Cunha é jornalista e professor na UnB
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
A Fenaj e o WikiLeaks
A Federação Nacional dos Jornalistas - Fenaj até agora não se posicionou sobre o WikiLeaks e a prisão do seu titular. Muitos sindicatos de jornalistas também estão mudos diante do que talvez venha a ser a maior agressão mundial à Liberdade de Expressão.
Onde está a Comissão de Ética e Liberdade de Expressão?
Onde está a defesa da Liberdade de Expressão?
Este é um tema para debate e deixo aberto o espaço do blog para tanto.