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domingo, 6 de maio de 2012

Opinião: Contraventores brasileiros inovam e agora têm assessoria de comunicação

Por Alfredo Bessow, publicado originalmente no Blog do Alfredo

Além de bons e caros advogados, mormente caros por terem tráfego facilitado na estrutura do Judiciário, os contraventores brasileiros tem inovado nos últimos anos: agora contam com o apoio de profissionais de comunicação a assessorá-los.

Houve um tempo no qual os bicheiros do Rio mantinham uma relação no mínimo estranha com a imprensa. Uma espécie de aliança tácita na qual havia uma nunca confessada troca de favores. Eram os tempos românticos do jabá, onde o protegido era poupado em notícias.
Mas não foram os bicheiros ou outros contraventores que criaram o jabá, mas apenas se assenhoraram e profissionalizaram uma relação espúria de troca.
Lembro que no episódio da Daslu, foi contratada uma empresa especializada em tratar situações de risco junto a imprensa (aqui compreendidas todas as ferramentas de comunicação). Administrar estas situações de crise é, por sinal, um dos grandes filões hoje para profissionais que se especializaram na chamada troca de favores insitucionais. Mais do que os “cases” publicados e estudados, há tantas outras performances notáveis. E que, por revelarem o lado podre e perverso da administração de crises, jamais são revelados.
O aspecto inovador e inusitado dos últimos anos foi um trabalho “de escada”, se assim fosse possível tipificar, que contraventores colocaram em andamento – com o respaldo de pseudos comunicadores, com interface nas redes sociais onde se valem de uma gama de fakes ou mesmo de contratados para ampliar a repercussão de suas ações.
É como se de repente Al Capone tivesse contratado um jornalista para mostrar, via mídia, que ele não era este monstrengo todo e, ao mesmo tempo, pelo porta voz, tratasse de disseminar ataques contra quem o atacava – através de informações que são descontextualizadas e apresentadas mais para ameaçar do que para informar, mais para jogar todo mundo na mesma vala do que para ajudar a elucidar crimes e condutas criminosas.
Por esta, nem Dom Corleone, o mais irreal dos mafiosos, esperava: os contraventores brasileiros acabaram criando algo que nem mesmo Hollywood tinha imaginado...




Opinião: O jornalismo precisa tomar cuidado para não servir ao crime organizado e aos que querem desmoralizar a democracia

CALMA, LEITORES MAIS APRESSADOS.
NÃO SE TRATA DE UM MEA CULPA DO BLOGUEIRO
EM RELAÇÃO À PARCERIA ENTRE VEJA E CARLOS CACHOEIRA,
MAS SIM DE UM NOVO ATAQUE AOS QUE DEFENDEM UM CAPÍTULO SOBRE A MÍDIA NA CPI
Por Reinaldo Azevedo, publicado originalmente no Brasil247
247 – Como todos sabem, a parceria editorial de uma década entre Carlos Cachoeira e a revista Veja, definida como “coabitação” pelo ex-presidente Fernando Collor, não gerou benefício econômico algum ao contraventor. Cachoeira, Demóstenes, Dadá, Jairo Martins e a construtora Delta, que compõem aquilo que se definir com precisão como “crime organizado”, jamais tentaram instrumentalizar a maior revista semanal do Brasil. Veja, portanto, nunca esteve a serviço do crime – sempre, a serviço do Brasil. Além disso, Dadá e Jairo, com seus grampos ilegais, nunca representaram qualquer ameaça à democracia. Eram apenas cinegrafistas amadores, em busca do bem comum.
Dito isso, o jornalismo não pode servir ao crime organizado e àqueles que querem desmoralizar a democracia. É a tese de Reinaldo Azevedo, exposta em um novo artigo, publicado neste sábado. Leia mais uma versão de O Grito:
SIM, O JORNALISMO PRECISA TOMAR CUIDADO PARA NÃO SERVIR AO CRIME ORGANIZADO E ÀQUELES QUE QUEREM DESMORALIZAR A DEMOCRACIA
Uma coisa vocês não podem negar a este escriba, não é? Desde o primeiro dia, apontei a ação dos petistas — encabeçados por Lula, José Dirceu e Rui Falcão — para usar as tramoias de Carlinhos Cachoeira e seu grupo para tentar melar o processo do mensalão e para intimidar a imprensa. A coisa agora é escancarada! Ontem, Rui Falcão (ver posts abaixo) perdeu qualquer restinho de pudor e declarou que a “mídia” será o próximo alvo do governo. Tudo indica que falou apenas em nome da banda heavy metal do PT, não do Planalto. Trato do assunto em outro post. Muito bem. “Melar” o mensalão compreende, entre outras coisas, um esforço para desmoralizar ministros do Supremo Tribunal Federal e o procurador-geral da República, Roberto Gurgel. A imprensa independente — aquela que não é financiada com dinheiro público nem é subordinada a uma rede criminosa montada na Internet (isso ainda vai dar o que falar, anotem aí) — tem de tomar cuidado para não fazer, involuntariamente, o serviço da bandidagem. Infelizmente, aqui e ali, isso está acontecendo. Dado o pano de fundo, exporei aqui um caso emblemático. Antes de fazê-lo, no entanto, é preciso proceder a uma digressão para esclarecer algumas coisas.
Começa a digressão
Já escrevi aqui — e Eurípedes Alcântara, diretor de Redação da VEJA, divulgou uma Carta de Princípios a respeito da ética no jornalismo — que a qualidade moral da fonte não faz a qualidade da informação. Uma pessoa decente e muito bem-intencionada pode induzir um repórter ao erro. Um bandido pode dar uma informação relevante. O importante é o jornalista saber para quem está trabalhando. Não tenho receio nenhum de debater abertamente o que alguns vagabundos andam dizendo sobre VEJA. O inquérito que veio a público demonstra que o profissional da revista trabalhava a serviço da verdade e do interesse público. Quanto mais isso fica evidente, mais a corja radicaliza na retórica. A reportagem recebeu informações de Cachoeira? Também dele, a exemplo de uma penca de jornalistas. Ou algum repórter investigativo de Brasília se oregulha se só falar com beartos e beatas??? Matérias foram feitas só com informações do dito-cujo? Isso é uma piada, uma fantasia! Tanto as reportagens de VEJA eram fundamentadas, com dados inquestionáveis, que muitas delas estão, sim, na raiz da demissão de ministros e servidores. Mas atenção! Quem demite é a presidente Dilma Rousseff. VEJA não tem esse poder. Se a primeira mandatária tomou tal decisão, encontrou certamente razões muito fortes para tanto. Não deve ter sido só para não deixar chateada a equipe da revista, certo?
Jornalista não tem de fazer um tribunal de moral e cívica antes de falar com a fonte. Tem é de ter a certeza de que não trabalha para ela, mas para o interesse público. E tem de apurar muito bem os fatos, reitero, para não servir a bandidos, como fizeram, querendo ou não, os que sustentavam a veracidade do Dossiê Cayman. Naquele caso, sim, em vez de apuração, decidiu-se dar crédito à conversa de vigaristas. Tentaram, por exemplo, fazer de Luiz Antonio Pagot uma pobre vítima do inexistente complô VEJA-Cachoeira. Gravações que vieram a público, conforme demonstrei aqui, mostram o ex-chefão do Dnit se entendendo com a turma de Cachoeira. Vale dizer: aquela acusação era só uma vingança dos ressentidos com VEJA. Ressentidos por quê? Alguns porque perderam a boquinha. Outros porque não se conformam com o fato de o Brasil ser uma democracia — não é mesmo, Rui Falcão?
Vale dizer: o que dizem Cachoeira e seus rapazes — ou os seres mais impolutos — não pode ir parar nos sites, revistas e jornais sem que se verifique a veracidade das acusações. Ou se corre o risco de, sob o pretexto de combater a bandidagem, agredir instâncias do estado de direito. Como quer José Dirceu. Como quer Lula, Como quer Rui Falcão. Fim da digressão.
Agora o caso
Ontem, o Estadão Online publicou um texto de Ricardo Brito, da Agência Estado, cujo título era: “Grupo de Cachoeira tentou interferir em habeas corpus”. O busílis era o seguinte: o prefeito de Piraquê (TO), Olavo Júlio Macedo, estava preso, e a turma o queria solto. Gleyb e Eney, dois homens do esquema do contraventor, conversam a respeito do caso e dizem que será julgado o habeas corpus. Muito bem. Transcrevo em vermelho um parágrafo da reportagem. Leiam com atenção. Volto em seguida:
Às 15h30 daquele dia, Gleyb disse, em telefonema a um interlocutor não identificado pela PF, que estava no Senado para se encontrar com Demóstenes Torres (sem partido-GO), suspeito de envolvimento com Cachoeira. Às 16h44, o integrante do grupo de Cachoeira afirmou, em nova ligação, que iria passar em um ministério e no Supremo.
Um minuto depois, Gleyb pergunta, numa ligação para Eney, se há “mais alguma coisa” para conversar. O advogado responde que é preciso manter contato no Supremo, visando liberar o prefeito cujo habeas corpus estava com Gilmar Mendes.
Voltei
O que o trecho sugere? O óbvio! Que Demóstenes e o tal Geyb foram falar com Gilmar Mendes em favor do prefeito. Isso se deu no dia 9 de junho do ano passado. O senador ainda era uma referência de severidade e correção até para seus adversários. Ouvido, o ministro diz que ninguém foi procurá-lo. MAS ATENÇÃO! SE ALGUÉM O PROCUROU OU NÃO, ISSO É IRRELEVANTE. O RELEVANTE VEM AGORA!!!
GILMAR MENDES NEGOU DUAS VEZES A CONCESSÃO DE HABEAS CORPUS AO TAL PREFEITO! No dia 29 de junho e no dia 5 de dezembro de 2011. Muito bem! Agora faço a pergunta essencial para que avaliemos os riscos que estamos correndo com certo tipo de apuração e reportagens que andam na praça — mesmo na imprensa que tem compromisso com a seriedade. Lá vai:
E SE GILMAR MENDES TIVESSE RECONHECIDO MOTIVOS TÉCNICOS, JURÍDICOS, PARA CONCEDER O HABEAS CORPUS?
Agora o ministro estaria lascado, e aquela fala serviria como evidência de que ele estaria trabalhando para o grupo de Carlinhos Cachoeira. Por sorte, ele entendeu duas vezes que o pedido de habeas corpus era descabido.
Entenderam?
Vocês entenderam a natureza da questão? Uma coisa é o que a gangue diz entre si, suas bravatas, suas demonstrações de influência. Outra, distinta, são os fatos. O repórter afirma: “Esta é a segunda vez que pessoas ligadas a Cachoeira aparecem em grampos telefônicos comentando casos que estão nas mãos Mendes.” Incrível! Mesmo com a evidência de que a decisão do ministro não atendeu às expectativas da turma, mantém-se a sombra da suspeita. Na primeira vez, num caso envolvendo uma estatal de Goiás, Demóstenes faz referência a um procedimento regular de Mendes, que não teve mérito ainda decidido. Revela apenas a sua expectativa. Mesmo assim, o senador apresenta a coisa como decorrência de sua influência.
Ora, ministros do Supremo, agora, não são mais livres para decidir segundo a lei. Habeas corpus? O jeito vai ser dizer sempre “não”! Vai que surja uma conversa de alguém: “Ah, já falei com o ministro X, está tudo certo!” Cada membro do Supremo teria de ter o seu próprio sistema “Guardião” e grampear o país inteiro. Só assim teriam a certeza de que sua decisão estaria a salvo de ilações.
O mal que Demóstenes fez
Um episódio como esse dá conta do mal que Demóstenes fez à política — muito maior do que ele imagina, acho. Ele era um medalhão do Senado. Um senador manter conversar com ministros do Supremo, do STJ, ministros de estado, autoridades etc. é parte do jogo. Quem lhe recusaria, em princípio, uma audiência? Que diabos, no entanto, ele dizia a seus interlocutores sobre esses encontros? Num outro pleito seu, já nem me lembro sobre qual assunto, não diz ele que mantinha boa conversa com a ministra do Meio Ambiente? Não se relacionou, também, com autoridades dos ministérios da Educação e da Saúde?
Este caso em que o nome de Mendes é citado deveria servir de alerta para os jornalistas que lidam com o material que foi vazado sobre o inquérito — a propósito: suponho que os vazadores sejam as carmelitas descalças, né? O ministro poderia ter concedido o habeas corpus de boníssima-fé. E estaria agora encalacrado.
Não estão por aí os criminosos da Internet a sustentar que as fitas que traziam imagens do “governo paralelo” de Dirceu — fitas do circuito interno do hotel, reitere-se — foram passadas à VEJA por Cachoeira em troca de uma reportagem favorável a bingos eletrônicos? Cadê a reportagem? Se alguém a encontrar, nunca mais escrevo uma linha!
É bom botar essa bola no chão. Jornalistas decentes só querem a verdade. E têm de ter claro que há vigaristas querendo apenas as instituições — para destruí-las.