Por Chico Sant'Anna
A obra “50 años del golpe en Argentina, testimonios” reúne
os depoimentos de 24 cidadãos e cidadãs que enfrentaram a dor, mas mantiveram
acessa a resistência contra o arbítrio. Ela acaba de ser lançada em Buenos
Aires e é avaliada como uma forma de enfrentamento do negacionismo, explica a
jornalista Lídia Fagale, uma das responsáveis pelo projeto e autora de um dos
depoimentos.
“São relatos de vida,
fundamentais para manter ativa a memória face às tentativas de negar as
atrocidades do golpe de estado de 24 de março de 1976” - complementa. Nessa
data, há 50 anos, as forças armadas argentinas depuseram o governo
constitucional de Isabel Perón e instituíram no comando da nação uma Junta
Militar, composta por Jorge Rafael Videla (Exército), Emilio Massera (Marinha)
e Orlando Agosti (Aeronáutica). Tinha início alé um dos período dos mais
obscuros da história do país vizinho.
Os movimentos sociais localizaram 814 centros clandestinos
de detenção, tortura extermínio daqueles
e daquelas contrárias ao regime militar. Entre os desaparecidos estavam
centenas de mulheres grávidas, mantidas em centros clandestinos de detenção.
Muitas deram à luz em cativeiro e seus bebês foram retirados e entregues
ilegalmente a outras famílias, configurando uma política sistemática de
apropriação de crianças levada adiante pelo regime.
Organizada por Manuel Martínez e editada pela editora Manuel
Capitán Cianuro, a obra, que traz testemunhos inéditos sobre a ditadura
cívico-militar argentina, foi lançada em um local que não poderia ser mais
iconográfico: a sede da Asociación Madres de Plaza de Mayo. Movimento de mães e
avós que tentam localizar até hoje filhos e netos sequestrados ainda crianças
ou mesmo bebês pela ditadura.

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