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domingo, 12 de janeiro de 2014

Brasil: Internet supera o rádio e se torna segunda maior fonte de informação

Publicado originalmente no Paraiba.com

A Internet já passou o rádio e se consolidou como o segundo meio mais consultado pelos brasileiros atrás de informação - perdendo apenas para a TV aberta. Esta é a conclusão da "Pesquisa Brasileira de Mídia 2013", um amplo trabalho do Ibope Inteligência contratado pela secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) para balizar sua estratégia de comunicação.
Houve entrevistas nos 27 estados nacionais, com um total de 18.312 entrevistados em 848 municípios, com uma margem de erro de um ponto. A ponderação dos entrevistados foi por sexo, grupos de idade, instrução e atividade.
Cada entrevistado poderia indicar até três meios de comunicação preferidos. em uma lista que incluía TV aberta, Internet, rádio, jornal impresso, revista impressa.
A primeira questão foi sobre o meio de comunicação mais usado. Pela ordem de preferência as respostas foram:
1. TV aberta, com 78% de primeira opção, 13% de segunda e 2% de terceira.
2. Internet, com 12% de primeira opção, 17% de segunda e 9% de terceira.
3. Rádio, com 8% de primeira opção, 32% de segunda e 6% de terceira.
4. Jornal impresso, com 1% de primeira opção, 5% de segunda e 7% de terceira.
5. Revista impressa, com 1% de segunda opção e 2% de terceira opção.

A segunda questão foi sobre o meio de comunicação mais usado para se informar sobre o Brasil. A única mudança relevante é no item rádio, onde 6% dos ouvidos apresentam como primeira opção de informação e 22% como segunda. A diferença de 32% para 22% como segunda opção provavelmentte se deve aos que usam o rádio como entretenimento apenas.
No caso das revistas, o percentual dos que a usam para se informar cai para zero porcento como primeira e segunda opção; e para 1% como terceira opção.
Faixas etárias
Por faixa etária, os dados surpreendem. Na faixa de 16 a 25 anos, depois da TV aberta, há um franco predomínio da internet. 25% das pessoas consultadas a consideram como primeira opção de uso, contra 4% do rádio e zero porcento de jornais impressos e revistas.
Até a faixa de 55 anos, a Internet supera o rádio e até a faixa dos 65 anos supera os jornais impressos. É superada levemente pelos jornais impressos na faixa de mais de 65 anos - mas apenas 2% dos leitores dessa idade privilegiam os jornais.
Embora preponderante em todas as faixas de idade, é significativo o fato de que enquanto 85% do público com mais de 65 anos trata a televisão como primeira opção, para a faixa dos 16 aos 25 anos esse percentual cai para 70%.
Renda
No recorte por renda, a Internet cresce expressivamente nas faixas de maior renda. Para a faixa até um salário mínimo, a primeira opção é a TV aberta, com 83%; a segunda é o rádio, com 10%; a terceira, a internet, com 5%; jornais e revistas impressos tem menos de 1%. Quando se salta para o outro extremo, de renda superior a 5 SM, a TV cai para 65%, a internet sobe para 25%, o rádio cai para 6%, jornais impressos para 3% e revista impressa continua abaixo de 1%.
Na frequência de uso, a internet também supera o rádio. 65% dos que preferem a TV assistem todos os dias da semana, contra  19% do rádio, 25% da Internet, 5% dos que lêem jornal e 1% dos que lêem revista. Na média de uso por dia, a Internet é campeão. A Internet é usada 3:48 horas por dia no final de semana, 3:44 horas durante a semana, contra 3:27 da TV no final de semana e 3:25 durante a semana.

Vagas para jornalista e para estagiário de Comunicação, em Brasília

Uma entidade sindical patronal, cujo nome não foi revelado, está selecionando jornalista profissional para preencher a vaga de "Jornalista II - Mídias Digitais".
De acordo com anúncio publicado no Correio Braziliense, de 12/1, o candidato deverá ser graduado em Jornalismo e possui pós graduação em mídias digitais é um diferencial positivo.
É necessário possuir experiência em jornalismo digital, montagem de página na internet, conhecimentos de arquitetura da informação e gerenciamento de conteúdos.
O salário não foi informado, mas o empregador oferece como benefícios:

  • Plano Odontológico
  • Plano de Assistência Médica
  • Plano de Previdência Privada
  • Ticket Alimentação ou Refeição
  • Auxílio creche Seguro de vida

Os interessados devem cadastrar o CV, até 31/01, na o página www.vagas.com.br/v873093, a qual também dispõe de mais informações sobre a vaga;

Estágio

No campo da Comunicação Social, duas vagas de estágio estão sendo ofertadas pelos classificados do Correio Braziliense, por uma "empresa de grande porte". Uma vaga é na área de Jornalismo, o estudante deverá estar cursando o quarto semestre do curso. O trabalho é de clipping do noticiário e pesquisa na internet e pode ser realizado pela manhã ou à tarde.
Os interessados deverão enviar CV, até 17/01, para anunciorh1@gmail.com com o titulo Estagiário.

A outra vaga é para estudante de publicidade ou marketing. O estudante deverá estar cursando do terceiro semestre pra frete e a função é de apoio à assessoria de imprensa da empresa e só pode ser desempenhada à tarde. Os interessados deverão enviar CV, até 17/01, para anunciorh1@gmail.com com o titulo Estágio de Marketing.


sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Le Canard Enchaîné: nascido para incomodar

Por Matías M. Molina | Para o Valor, de São Paulo


"Le Canard Enchaîné" é um curioso anacronismo. É um semanário satírico, quase centenário, publicado em Paris, que circula às quartas-feiras. É irreverente, impertinente e atrevido. A tradução literal de seu nome é "O Pato Acorrentado". Mas sugere algo mais. Desde o século XVII, um "canard" era na França uma publicação irregular, com notícias sensacionalistas ou de credibilidade duvidosa e também a própria notícia falsa.

"Le Canard Enchaîné" é um observador independente na imprensa francesa. Trata com humor o que outros jornais levam a sério. Recorre ao sarcasmo, à paródia. Seu mote é "A liberdade de imprensa se perde quando não se usa", e o "Canard" nunca deixou de usá-la. É rara a edição em que não denuncia um escândalo ou alfineta um político importante. Segundo a revista alemã "Der Spiegel", é a única publicação que os políticos franceses temem realmente. Anatole France disse que era o único jornal sério de sua época e o único que lia.

Tem apenas oito páginas de tamanho grande. É impresso em duas cores, preto e vermelho, em papel jornal. A apresentação gráfica é antiquada. É ilustrado com desenhos, mais comunicativos, opinativos e corrosivos que as fotografias - que não publica. Algumas seções atravessaram as décadas praticamente intactas. "La mare aux canards" (A lagoa dos patos), a mais antiga, criada em 1916, publica frases e fatos que seus autores prefiririam esquecer.

A redação do "Canard" é pequena, de 16 pessoas. Mais da metade não usa computador ou máquina de escrever. Prepara seus textos com caneta-tinteiro.
Num mundo crescentemente digital, o jornal pouco se interessa pela internet, embora tenha feito algumas concessões. No ano passado, abriu um site para ocupar o endereço que, alegou, escroques tentaram surrupiar. Mas não expõe seu conteúdo, apenas o fac-simile das primeiras páginas dos últimos números. "Nosso trabalho é informar e distrair nossos leitores com papel jornal e tinta. É um belo trabalho, suficiente para manter nossa equipe ocupada."

Como declarou o então redator-chefe ao "The New York Times": "Se colocássemos nossas matérias na internet, quem iria comprar o jornal na quarta-feira? Acreditamos no papel impresso". Além disso, o meio não é apropriado: "iPads são excelentes para 'zapear' pelo conteúdo, não para ler". Com o mesmo objetivo de evitar que a identidade do jornal fosse usurpada, abriu uma conta no Twitter, na qual divulga alguns temas da edição da semana. Quem quer ler, paga €1,20 na banca.

O "Canard" nunca publicou um único anúncio. Afirma que seus jornalistas não precisam ficar preocupados com que alguém possa cancelar uma programação de publicidade. Não tem mecenas ou grupos econômicos que lhe deem apoio. A única receita operacional da empresa, a SA Les Éditions Maréchal, é obtida com a venda do jornal a cada semana e do trimestral "Les Dossiers du Canard Enchaîné". Fica longe dos bancos e se recusa a fazer dívidas. Não aceita sócios externos. As ações estão nas mãos dos empregados, que não podem vendê-las e, quando deixam a empresa, têm que devolvê-las, para evitar que caiam em mãos desconhecidas.

Quem achar que o "Canard" enfrenta crises econômicas periódicas e mal consegue subsistir, que vive ameaçando fechar e que tem uma redação de jornalistas abnegados que aceitam salários miseráveis, não podia estar mais enganado. O "Canard" é rico e sua redação é, provavelmente, a mais bem remunerada da imprensa francesa.

Apesar de suas idiossincrasias e de seu anacronismo - ou, talvez, por causa deles -, poucas publicações na França e no mundo conseguem alcançar sua rentabilidade. A empresa tem receita anual superior a €30 milhões e lucro líquido que oscila entre €4 e 5 milhões. Seu último prejuízo foi registrado em 1982, quando demorou em reajustar o preço. Os lucros não são distribuídos, mas incorporados às reservas, que chegam a uns €115 milhões. O dinheiro está prudentemente investido. A empresa possui dois imóveis em duas das áreas mais valorizadas de Paris e o resto está aplicado em títulos de renda fixa.

Essa rentabilidade é fácil de explicar: custos baixos e circulação elevada. Redação muito pequena, papel e impressão baratos, gastos com marketing praticamente zero. Nos últimos anos, as vendas oscilaram entre 400 mil e 500 mil exemplares. As revistas semanais "Le Nouvel Observateur" e "L'Express" vendem pouco mais de 500 mil e "Le Point", 425 mil, com estruturas e custos muito superiores.
O que leva todas as semanas centenas de milhares de franceses às bancas atrás do "Canard" é a irreverência bem-humorada, as charges e caricaturas maliciosas, as informações sobre o lado obscuro do mundo da política e das finanças. O jornal descobriu que nada fere mais a arrogância dos poderosos do que o riso ante suas vaidades expostas. O humor lhe permite publicar coisas que, ditas de outra maneira, poderiam ser muito duras.

Usa uma linguagem direta e de fácil entendimento pelo francês médio. Tem valores em comum com seus leitores e uma espécie de cumplicidade com eles, o que os faz sentirem-se membros de um clube especial.
O "Canard" zela por sua independência. Seus jornalistas não podem investir na bolsa, escrever para outras publicações ou aceitar comendas oficiais. E têm que pagar a entrada do cinema ou do teatro para criticar um filme ou uma peça.

Na pequena redação, mais de metade dos 16 jornalistas não usa computador ou máquina de escrever, e prepara seus textos com caneta-tinteiro.
Desde a fundação, o jornal é conhecido, segundo seu historiador, Laurent Martin, pelo não-conformismo, republicanismo, pacifismo, anticlericalismo, antimilitarismo e por resquícios ainda presentes de um suave anarquismo. Tudo isso, permeado por ceticismo. É intransigentemente republicano.
Durante um tempo, namorou com o comunismo, sem aderir a ele. Esteve sempre colocado à esquerda, o que não impediu que a esquerda se tornasse um de seus alvos e que desconfiasse dele. Já foi chamado um "objeto político mal identificado".
Nos anos 1950, um escritor de extrema-direita disse do "Canard": "É o mais sério dos semanários de esquerda (...), de bem longe, é o que exerce a influência mais duradoura sobre a política deste país, faz e desfaz reputações".

Críticos mais ativistas, que veem na imprensa não apenas um meio de informação, mas também de ação, acham que o jornal nada propõe para mudar concretamente as coisas, que a lucidez do "Canard" não leva a nada e que seus apelos à liberdade, à verdade e ao saber não conduzem à responsabilidade ou ao engajamento. Afirmam que, no fundo, sua crítica é estéril. Também foi acusado de sentir nostalgia de um passado que nunca existiu e de ser um jornal excessivamente "franco-francês", preocupado quase exclusivamente com os assuntos do país.

É hoje o principal praticante do "jornalismo investigativo" na França. Não quer saber a quem uma informação vai beneficiar, mas se é verdadeira, se pode ser comprovada e se é importante políticamente. Mas não publica tudo que sabe. Não divulga informações sobre terrorismo ou espionagem. Em questões políticas, tudo é impresso, salvo a vida pessoal dos políticos. Notícias sobre quem dorme com quem animam as reuniões da redação, mas não são publicadas.

Os principais informantes estão dentro do próprio governo: nos ministérios - não raro, os próprios ministros -, nas várias agências, nos serviços secretos, nas forças armadas e até no Elysée. Como diz Laurent Martin, a relativa marginalidade do jornal e sua independência institucional lhe permitem acolher informações sensíveis que outros meios de comunicação não podem ou não querem divulgar.
O "Canard" não permite que um advogado leia os textos antes da publicação para evitar processos por injúria ou difamação. Parte do princípio de que um advogado é prudente por natureza, enquanto o jornalista precisa testar os limites. O "Canard" costuma ser processado mas raramente perdeu um processo nos últimos anos.
A lista dos políticos abatidos em pleno voo é longa. Nos últimos anos, caíram vários ministros e secretários de Estado. Um caso notório é o da ministra das Relações Exteriores, Michèle Alliot-Marie, durante a Presidência de Nicolas Sarkozy. Ela e a família passaram as férias na Tunísia voando no jato de um empresário a quem ofereceu apoio.

O "Canard" desvendou dezenas de casos que abalaram governos e empresas. Descobriu que o primeiro-ministro Jacques Chaban-Delmas não pagara imposto durante quatro anos por causa de várias isenções legais. Um diretor da Peugeot se recusava a aumentar os salários dos empregados em 1,5% quando o jornal divulgou que ele reajustara seus próprios vencimentos em 49,6%. Processou o jornal e perdeu.
Há também o caso dos diamantes que o imperador da República Centro-Africana, Jean-Bedel Bokassa, deu de presente ao então ministro da Fazenda, Valéry Giscard d'Estaing, mas divulgado quando era presidente da República. Mais recentemente, o grupo Bouyges, um dos maiores da França, abriu um processo por difamação e pediu uma indenização de €9 milhões depois que o "Canard" informou sobre um inquérito na Justiça envolvendo o grupo em corrupção e tráfico de influência. Perdeu, e teve que indenizar o jornal.
O governo chegou a cair no ridículo quando tentou espionar o "Canard". Agentes dos serviços de segurança, fazendo-se passar por encanadores, foram surpreendidos colocando microfones ocultos na redação. O jornal publicou o nome de vários arapongas e deu ao incidente o nome de Watergaffe. Posteriormente, afirmou que Sarkozy, que tem verdadeira obsessão com a imprensa, mandou os serviços secretos espionarem alguns jornalistas.
É difícil encontrar um político importante na história recente da França que não tenha sido objeto de seu humor ferino e em quem o "Canard" não tenha pregado um apelido demolidor.
Quando ocupava a Presidência, François Mitterrand era "Tonton" ou "Dieu" (Deus). Sarkozy virou "Sarkoléon" (mistura de Sarkozy com Napoleão), "Sarko", "le petit Nicolas", em homenagem a sua baixa estatura, ou "notre super président". Jacques Chirac era "Jacques Chirioutte", "Chichi", "Jacuou le Rockant". Antes de ser presidente, François Hollande era "Monsieur Royal", em homenagem a sua ex-companheira, Marie Ségoléne Royal; eleito, Hollande virou "Pèpère" (da sigla PR, presidente da República), e sua atual companheira, Valérie Trierweiler, "Mèmère". Marion Le Pen, a líder da extrema direita, é "Marionnette".

Charles De Gaulle era "Mongénéral", tudo junto, o que levou seus auxiliares a separarem cuidadosamente as duas palavras, quando se dirigiam a ele, para evitar que fossem identificados como leitores do "Canard". Era também "Le Roi" (O Rei), comparado a Luís XIV, e lhe foi dedicada uma seção extremamente popular, "La Cour" (A Corte), com seus nobres e barões. De Gaulle se referiu ao "Canard" como "este maldito pássaro". Com seu sucessor, Georges Pompidou, a seção mudou para "La Régence" (A Regência).

O "Canard" publicou os diários fictícios de pessoas próximas ao poder. Entre eles, "Le journal de Cécilia S.", numa referência à primeira mulher de Sarkozy, sucedido por "Le journal de Carla B.", com reflexões e observações ingênuas e bem-humoradas, atribuídas a Carla Bruni, atual mulher de Sarkozy. Foi substituída pelo falso diário "Si je mens, de Valérie T." numa evidente referência a Valérie Trierweiler, a atual companheira de Hollande, mas durou pouco tempo.

Le "Canard Enchaîné" foi fundado em setembro de 1915, durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), por Maurice Maréchal, jornalista que escrevia para a imprensa de esquerda. Seu objetivo era informar, divertir e denunciar. Era herdeiro dos "canards" publicados na França durante vários séculos. Queria destoar e caçoar do conformismo e da complacência do jornais com a censura e aliviar as penas de um país em guerra. O nome foi escolhido depois que o jornal do futuro primeiro-ministro Georges Clemenceau, "L'Homme Libre", mudou seu nome para "L'Homme Enchaîné", em protesto contra a censura.
Logo em seu primeiro número, o jornal deu o tom que o identificaria durante toda sua trajetória. Ante uma imprensa que publicava como verdadeiras notícias censuradas e pouco confiáveis, o "Canard" declarava a intenção de somente "inserir, depois de uma verificação minuciosa, notícias rigorosamente inexatas. Todos sabem que a imprensa francesa, sem exceção, desde o começo da guerra, só comunica notícias implacavelmente verdadeiras. Pois é! O público já tem bastantes! O público quer notícias falsas. E as terá. Para conseguir esse belo resultado, a direção de 'Le Canard Enchaîné' não recuará ante nenhum sacrifício".

Também desde o primeiro número, se recusou a inserir publicidade. Mas fez uma curiosa campanha de promoção: "Jovens mulheres que querem casar, só casem com um leitor do 'Le Canard Enchaîné!'"
AP / APPara o "Canard", Sarkozy (à esquerda) era Sarkoléon; Hollande, que já foi Monsieur Royal, hoje é "Pèpère" e sua mulher, Valérie Trierweiler (ao fundo, à esquerda, com Carla Bruni) é Mèmère
A censura foi implacável e várias edições circularam com espaços em branco. O que não impediu que o "Canard" denunciasse os que lucravam com a guerra e queriam prolongá-la. Eram os "mercantis": fabricantes de armas e munições, intermediários astutos, especuladores de toda ordem e os comerciantes arrogantes que passaram a formar uma classe de "novos ricos". Denunciava a má qualidade do pão, a falta de carvão. Em meio à escassez e ao sofrimento, a denúncia, a ironia e o sarcasmo atraíam leitores. Em 1918, imprimia 40 mil exemplares por semana. Com o fim da censura, mudou o nome para "Le Canard Dechaîné", (O Pato Desacorrentado) mas só durante oito meses.
A década de 1920 foi um período difícil. A maioria dos jornais surgidos durante a guerra desapareceu. O "Canard" teve que trocar algumas penas para sobreviver. Era anticonformista, se revestia de um certo moralismo e denunciava a corrupção sem perder o humor.
Denunciou os profissionais do patriotismo e guardava distância dos partidos e dos políticos, atacando-os indistintamente, mas defendeu os comunistas e a União Soviética. Deu um apoio inicial à Frente Popular de Léon Blum, mas logo se decepcionou.
Seu pacifismo e sua preocupação com os "mercadores da morte" o impediram de perceber a ascensão do nazismo. Um dos jornalistas viu em Hitler um antigo combatente e, portanto, um partidário da paz na Europa. Segundo o "Canard", quem alertava contra o nazismo queria levar a França à guerra. Apoiou a invasão da Tchecoslováquia e da Áustria pela Alemanha. Nesse período, a circulação cresceu. Em 1929, imprimia 85 mil cópias, 275 mil em 1936 e 200 mil em 1939, ano em que começou a Segunda Guerra Mundial.
Quando a França foi derrotada, em 1940, o "Canard" deixou de circular. Só voltou às bancas em 1944. Maurice Maréchal tinha morrido; sua viúva, Jeanne, tomou conta da empresa. Vários jornalistas que colaboraram durante a ocupação alemã foram excluídos. No início do pós-guerra, a tiragem disparou, chegando à media de 523 mil em 1946 e a 647 mil em junho desse ano, para cair precipitadamente até 103 mil em 1953.
A causa da queda foi a Guerra Fria. O apoio do "Canard" aos comunistas e à URSS alienou muitos leitores. Um novo redator-chefe, Ernest Raynaud (que assinava R. Tréno), esquerdista, mas não stalinista, mudou a orientação. Ficou menos preocupado com a política e mais com as mudanças na sociedade. Pela primeira vez, o "Canard" reconheceu os expurgos realizados na URSS. Vários comunistas saíram da redação e muitos deles deixaram de comprar o jornal.
Os leitores voltaram com a cobertura das guerras coloniais francesas na Indochina e na Argélia, às quais o "Canard" se opunha. Queriam informações que a maioria dos jornais não publicava e que o "Canard" passou a fornecer. Isso mudou as características do jornal. Até então, opinava com ironia sobre a vida pública, a partir de informações já conhecidas. Era um jornal de opinião, não de informação. Com as guerras coloniais, precisou procurar suas próprias notícias. Este foi o princípio das investigações do "Canard atual".
O "Canard" foi duro com os políticos da Quarta e da Quinta Repúblicas e agressivo contra De Gaulle, de quem temia a concentração do poder. Só admirou, e com reservas, Pierre Mendès-France. Atacou duramente Chirac e Giscard d'Estaing; seus leitores o puniram pela condescendência com o socialista Mitterrand nos primeiros tempos de seu governo. A circulação caiu ligeiramente no último ano: o apagado e circunspecto Hollande é um alvo menos óbvio para um jornal satírico do que o irrequieto Sarkozy.
E o "Canard" no futuro? Sua situação econômica continua mais do que confortável. Mas conseguirá adaptar-se?
Um depoimento de Régis Debray, que foi assessor na Presidência de Mitterrand, pode ser esclarecedor. Ele menciona em suas memórias "o medo da quarta-feira de manhã, dia da aparição de 'Le Canard Enchaîné', o jornal oficial da paróquia". E acrescenta que o "Canard" "mantém seus leitores plenamente informados de nossas canalhices, sem se deixar impressionar por nossos belos discursos (totalmente engessados em valores e ideias)".
As palavras de Régis Debray deixam claro que uma sociedade precisa de um jornal, em tinta e papel ou em versão digital, que, como o "Pato" atrevido, mantenha a canalha na linha. É mais importante do que nunca.

Matías M. Molina é autor do livro
 "Os Melhores Jornais do Mundo",
 em segunda edição.
Email: matias.molina@terra.com.br

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Morre em Uberaba, a jornalista Geralda Magela, assessora de imprensa do WWF

Na década de 90, conheci Geralda Magela por ocasião das eleições que me levaram à presidência do Sindicato dos Jornalistas do DF.
Geralda foi uma apoiadora desde a primeira hora e, após a eleição, veio ajudar a criar a Comissão dos Jornalistas de Assessoria de Imprensa do DF, bem como do lançamento do JJAI - Jornal dos Jornalistas de Assessoria de Imprensa e da realização em Brasília, em agosto de 1994, do  VIII Encontro Nacional dos Jornalistas de Assessoria de Imprensa - VIII Enjai.

Sempre enganjada nas questões sociais, Geralda, hoje, no WWF, deixa um vazio muito grande em todos nós.
No governo Cristovam Buaque, no Distrito Federal, convidei Geralda Magela a trabalhar comigo na Terracap. Em 1997, quando deixei a empresa para assumir a Comunicação Social da secretaria de Saúde, ela assumiu meu posto, sempre com o mesmo profissionalismo e competência.
Veja abaixo o informe sobre o falecimento da jornalista Geralda Magela, emitido pelo WWF.


O WWF-Brasil presta suas condolências à família, colegas e amigos da jornalista e profissional de comunicação Geralda Magela, que trabalhava conosco há mais de seis anos, no setor de comunicação. Gê, como era chamada por todos, faleceu de parada cardíaca na madrugada desta quinta-feira (9/1), aos 49 anos, em Uberaba (MG). Sua alegria e sorriso contagiante certamente ficarão na memória de todos os que tiveram a felicidade de conviver com ela.

Em honra a sua memória, queremos ressaltar a relevância de seu trabalho para a conservação do meio ambiente. Durante o trabalho no WWF, planejou e executou atividades no Programa Cerrado-Pantanal e teve papel fundamental para a disseminação de temas como a Pegada Ecológica, a Pecuária Orgânica Sustentável, o relatório global Planeta Vivo, e de campanhas como a Hora do Planeta, o Overshoot Day e oCity Challenge, colaborando intensamente com as equipes de conservação e comunicação do WWF no Brasil e globalmente.

Apaixonada pelo meio ambiente, a querida Gê sempre expressou seu amor à natureza e sua dedicação a uma causa. Antes de compor nossa equipe de funcionários, atuou como consultora do WWF-Brasil para a elaboração de cartilhas sobre Acordos de Pesca para as comunidades das regiões de várzea, em 2003, e para a elaboração do sumário executivo e do mapa “Visão de Biodiversidade da Ecorregiões Florestas do Alto Paraná”, em 2004.

Encantava-se com os bichos, águas e gentes do Pantanal e ampliou a sua dedicação a todos ‘domínios biogeográficos’, conceito com o qual gostava de ‘brincar’, lembrando que para o trabalho de conservação da natureza estava sempre à disposição, onde quer que fosse. Sempre comprometida, dedicada, impecável, justa, companheira e alegre. Essa é a Geralda que vamos levar em nossos corações, para sempre. Zelaremos incansavelmente para que o propósito de seu trabalho e dedicação seja continuado e sempre lembrado através da conservação ambiental no Brasil.

Carreira
Natural de Tiros (MG), Geralda Magela graduou-se em Comunicação Social, na habilitação Jornalismo, pela Universidade de Uberaba (Uniube), e se especializou em Estratégias de Comunicação, Mobilização e Marketing Social, pela Universidade de Brasília (UnB). 

Em mais de 20 anos de profissão, Geralda atuou nas mais diversas plataformas de comunicação, entre jornal impresso, televisão e rádio, assessoria de imprensa, eventos, entre outros. Em assessoria de comunicação, trabalhou em segmentos variados, como sindicatos, associações, cooperativas, projetos governamentais, organizações não governamentais e internacionais. Instituições que teve a oportunidade de desenvolver atividades de comunicação, incluindo a elaboração de planos estratégicos de comunicação, mobilização social e coordenação de campanhas institucionais.

Destaque para sua atuação como repórter e chefe de reportagem do programa de rádio Escola Brasil, da ONG Escola Brasil, entre os anos de 2000 e 2003, que lhe possibilitou ser finalista do Prêmio Ayrton Senna de Jornalismo, na categoria Destaque em Educação Mídia Eletrônica.

Atuou ainda como assessora de comunicação da Secretaria de Reordenamento Agrário do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), em que desenvolveu atividades de comunicação e mobilização voltadas aos agricultores familiares, assessorando o Programa Nacional de Crédito Fundiário e Combate à Pobreza Rural e o programa de bibliotecas rurais Arca das Letras.

O WWF-Brasil compartilha da dor da família e prestará uma última homenagem à tão inestimável colega, junto aos familiares em Uberaba.

Velório e enterro
Velório: a partir das 13h, de hoje, na Funerária Irmãos Pagliaro, em Uberaba/MG. Endereço - Av. Leopoldino de oliveira, 4.420 – Centro.

Enterro: amanhã (10/01), às 8h, no Cemitério Medalha Milagrosa, em Uberaba.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Como avaliar a audiência e o público do seu blog

Por James Breiner
As duas medições de tráfego mais importantes para empreendedores jornalísticos não são os visitantes únicos e page views. Esses números podem enganá-lo. Eles contam as pessoas que chegam ao seu site por acidente ou pesquisa, olham para uma página e saem.
Como disse Ken Doctor de forma tão eloquente:
"Visitantes únicos são uma ótima contagem burra. Como já observei, é como se no mundo da imprensa contássemos o assinante diário, que consome cinco horas por mês de uma publicação de notícias, da mesma forma que alguém que estando em um canto da cidade num dia de vento pega uma folha de papel do jornal voando quando levanta a mão para chamar um táxi."
Por outro lado, as duas medidas que devem realmente importar para você são:
  • Engajamento: quanto tempo o visitante fica no seu site por visita e quantas páginas ele vê.
  • Lealdade: quantas vezes ele retorna por dia, semana ou mês.
A maioria dos visitantes do seu site passa voando. Isso é verdade mesmo para os sites de notícias mais conhecidos. O Project for Excellence in Journalism do Pew Research Center estudou os 25 sites jornalísticos mais populares e descobriu que 77 por cento do seu tráfego veio de usuários que visitaram apenas uma ou duas vezes por mês. Apenas 7 por cento era dos chamados usuários avançados que visitam mais de 10 vezes por mês.
Os usuários com alto engajamento e alta fidelidade (usuários avançados) são importantes de identificar, porque são os mais propensos a pagar por serviços premium, comprar ingressos para seus eventos, apoiar seus anunciantes e recomendar você para outros. Estes são os seus clientes verdadeiros e não os visitantes passageiros.
Uma descoberta preocupante
Então, fiquei surpreso ao perceber recentemente que o Google Analytics conta menos o envolvimento do leitor por causa da maneira como calcula o bounce rate (ou taxa de rejeição)--mais especificamente, a duração de uma visita de retorno. (A rejeição é uma visita em que o visitante vê uma página e sai sem realizar nenhuma outra ação na página.)
Veja como funciona: Digamos que você tuita um link para seu site ou posta o link no Facebook. Alguém clica no link, chega ao seu site, olha para a página recomendada e não clica em nada ou realiza qualquer outra ação. Mesmo que leia a página inteira, o Google conta o tempo gasto como zero.
Você não acredita em mim? Então citarei o Google:
"Como as visitas de rejeição apenas consistem em uma interação, o Google Analytics não tem uma segunda interação para usar como o cálculo da duração ou tempo de visita na página. Estas visitas, e a olhada em uma página incluída na visita, são designadas como duração de visita e tempo na página de zero."
Uau. Eu posso ver agora por que tantas visitas aos meus blogs são medidas pelo Google Analytics como durando apenas 0 a 10 segundos no relatório do engajamento.
Considere o exemplo abaixo de um relatório do Google Analytics sobre o engajamento em um site cultural. Este site especializado em jornalismo de formato longo em que o visitante pode facilmente clicar em um longo artigo, lê-lo na íntegra e sair sem realizar qualquer outra ação. Essa visita seria contado como um bounce e a duração da visita seria medida como duração de 0 segundos.
image:
O gráfico acima mostra que 79% das visitas ao site são medidos como duração de 0 a 10 segundos. Quantos desses foram "visitas de rejeição" que duraram mais tempo? Nós não sabemos. Mas, certamente, alguns duraram. Assim, o verdadeiro nível de envolvimento do usuário deve ser maior do que o que é mostrado no relatório do Google Analytics.
Agora eu entendo porque, quando eu examino a fundo os detalhes de meus relatórios de tráfego para olhar as diferenças pequenas entre visitantes (digamos, os leitores de um artigo específico de um país em um determinado dia ), o tempo total gasto por quatro ou cinco visitantes pode ser igual a zero.
Ainda útil
O que isto significa para você é que o primeiro segmento sobre a duração das visitas no relatório do engajamento --visitas de 0 a 10 segundos-- não é muito útil para você. No entanto, os outros segmentos de duração do relatório ainda são úteis. Eles fornecem uma ideia da porcentagem de usuários que estão gastando um tempo significativo por visita em seu conteúdo. Você pode acompanhar a mudança nos percentuais ao longo do tempo para ver se você está melhorando em prender a atenção dos usuários.
Como blogueiro, é um consolo saber que algumas dessas visitas na categoria de 0-10 segundos podem na verdade ter durado mais tempo. Quanto tempo mais? Eu não sei. Então, vou me concentrar em outros segmentos de duração desse relatório e trabalhar para aumentar o engajamento dos usuários nesses segmentos.
Se você quiser ir mais a fundo nesse tópico de como o Google Analytics calcula tempo, confira este blog de Justin Cutroni do Google.
Este artigo foi publicado originalmente no blog News Entrepreneurs.e traduzido para a IJNet com permissão.
James Breiner é consultor em jornalismo online e liderança. Foi co-diretor do Global Business Journalism Program na Universidade Tsinghua e bolsista do programa Knight International Journalism Fellow, tendo lançado e dirigido o Centro de Periodismo Digital na Universidade de Guadalajara. Visite seus sites News Entrepreneurs e Periodismo Emprendedor en Iberoamérica e siga-o no Twitter.
Imagem cortesia de dalechumbley no Flickr sob licença; segunda imagem de James Breiner

Regulamentação da mídia: Peru começa a debater a sua Lei de Meios

Por Santiago Gómez, da Agencia Paco Urondo
En un acto en el que inauguró obras públicas, el presidente peruano Ollanta Humala declaró que “no hay que tenerle miedo a este debate y menos al grupo empresarial que hace la concentración, es bueno que el tema y el debate de la libertad expresión, como los demócratas que somos, lo defendamos abiertamente”. Vale recordar que el grupo El Comercio, propietario del diario que lleva el mismo nombre, con capacidad de instalar la agenda mediática en el país, pasó a ser el principal accionista de la empresa mediática Epensa, con lo que ahora El Comercio quedó con una posición dominante en los medios audiovisuales de comunicación peruanos.
Las declaraciones de Humala se realizan en un contexto en el que el Ejecutivo está impulsando el debate por una ley de medios, pero sin presentar un proyecto propio, sino impulsando a la ciudadanía y la oposición a que lo realicen. Hasta el escritor conservador Mario Vargas Llosa apoya la necesidad de regulación a la concentración mediática. En unaentrevista publicada en la revista dominical del diario La República, uno de los principales diarios del país, el escritor declaró que “es sumamente peligrosa en cualquier sociedad que no haya una diversificación amplia de los medios que permita que se ventilen todas las ideas. Si se produce una concentración de medios como se está produciendo en el Perú y esos medios tienen además una línea política muy clara, entonces allí hay una amenaza potencial muy grande contra la democracia”.
Al ser consultado sobre las declaraciones de Vargas Llosa, el presidente peruano, en entrevista con el canal TV Perú, aseguró que "es una vergüenza que en el Perú estemos teniendo un grupo que sea prácticamente el dueño de los medios de comunicación. Es peligroso". El bloque parlamentario Acción Popular - Frente Amplio (AP-FA) anunció ayer, a través del legislador Manuel Dammert, que presentará un proyecto de ley de consenso para garantizar la pluralidad informativa y evitar la llamada concentración de medios.
En simultáneo, el legislador oficialista Santiago Gastañadui, salió públicamente a señalar que el oficialismo cumplirá con su palabra de no presentan ningún proyecto de ley al respecto, para evitar la fantasía de un interés en controlar los medios. "Todo depende de lo que se presente, nos parece bien el anuncio de que se recogerá el punto de vista de todos los sectores, especialmente los periodistas, pero a priori no podemos dar ningún apoyo, tendríamos ver primero lo que propone el proyecto", afirmó el legislador.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Opinião: Mídia tenta implodir reunião de presidentes progressistas em Cuba

Por Francisco Leite, no blog Café com Política


A mídia hegemônica, através de seus vários tentáculos no continente e no mundo, vem tentando implodir a reunião dos 32 chefes de Estado latino-americanos filiados à CELAC (Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribenhos), marcada para os dias 28 e 29 deste mês de janeiro, em Havana, conforme denunciou o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, para quem, “a manobra vai fracassar”. A CELAC, é uma entidade fundada pelo presidente Hugo Chávez, em 2010, na cidade de Playa Del Carmen, no México, com a colaboração decidida dos presidentes Dilma Rousseff e o ex Lula da Silva, Cristina Kirchner, Evo Morales, Rafael Correa, Sebastián Piñera, Daniel Ortega e do mexicano Felipe Calderón. Seu primeiro propósito: estabelecer uma agenda energética comum na região. A CELAC foi inicialmente presidida por Sebastião Piñera, do Chile, cargo que passou  recentemente ao cubano Raul Castro.
A cúpula da CELAC vai coincidir com a reinaugração, tendo como ponto alto a presença de todos os chefes de Estado, do Porto de Mariel, em Havana, totalmente reformulado com a ajuda financeira e tecnológica do Brasil, à frente a empresa Odebrecht. Pretendendo se transformar num dos maiores centros portuários do Caribe o Mariel transformou-se no novo cartão postal de visitas e símbolo da revitalização econômica que Cuba vem empreendendo nos últimos anos. Como a obra representa um marco do vigor da nova integração latino-americana, desencadeada por Chávez, Lula e Kirchner, no início do novo século, e por contrariar incrustados interesses de multinacionais  americanas e europeias, antes habituadas com a exclusividade dos contratos, passou sou a ser objeto de sórdida campanha dos meios de comunicação, principais porta-vozes dessas empresas. Outro encontro importante se dará, em seguida, no dia 31, em Caracas, quando os chefes de Estado do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai (que volta a reintegrar-se ao grupo depois de expulso por causa do golpe de estado de 2012), vão definir as novas bases de atuação do Mercosul, fundadas na irmandade e integração latino-americana. Na ocasião, o presidente Nicolás Maudro, passará a presidência temporária (de seis meses) da entidade para a presidenta da Argentina, Cristina Kirchner.

Na edição desta semana a revista brasileira Veja, esta mesma uma transnacional, com sólida participação em seu capital acionário de 30% do grupo multimídia Naspers, da África do sul, e não por acaso um dos esteios do antigo apartheid, desanca a ajuda brasileira a Cuba, afirmando: “O descalabro é obra de Lula. Foi no governo dele, em 2008, que o BNDES decidiu financiar 71% do orçamento da construção do porto. Para entendermos o senso de prioridade do governo do PT, o BNDES emprestou aos cubanos três vezes mais do que destinou às melhorias e ampliações do Porto de Suape desde sua inauguração, em 1983″. Fiel à postura segregacionista de sua matriz sulafricana Nasper, a Veja ainda condenou, desta vez em seu editorial, o governo brasileiro por perdoar dívidas dos países pobres da África: “No ano passado”, exemplifica a revista dirigida no Brasil pelo Grupo Victor Civita, Brasília perdoou a dívida de Congo-Brazzaville, Sudão e Guiné Equatorial… Por decisão de Dilma Rousseff, cada brasileiro teve de fazer uma doação compulsória de 9,50 reais”.
Denúncia de Maduro – Em pronunciamento no sábado, 04/01/14, o presidente Nicolás Maduro denunciou que “o império pretende intrigar os governos irmãos para desunir os países do continente antes da próxima cúpula da CELAC. Sabemos que há conspirações para criar problemas entre os nossos governos. O império norte-americano está se movendo na base de intrigas. Por isso, queremos denunciar: querem intrigar nossos governos, mas vão fracassar”. Na ocasião, Maduro confirmou a cúpula, antes marcada para 17 de janeiro, do Mercado Comum do Sul (Mercosul) para o dia 31 de janeiro, ao que se informou, a pedido da presidenta Cristina Kirchner, por questões de agenda. O presidente venezuelano disseque o Mercosul “buscará avançar na construção da nova agenda do desenvolvimento, união e prosperidade regional”.