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quinta-feira, 2 de agosto de 2012
sábado, 17 de março de 2012
Opinião: A importância da TV pública no Brasil
Por José Dirceu, publicado no Blog do Noblat
No debate sobre os destinos do setor de telecomunicações no país, do qual tenho participado ativamente, já abordei a importância de avançarmos na construção de um marco legal que regulamente as atividades de mídia e, na semana passada, ressaltei as resistências, pautadas em interesses monopolistas, às transformações no ramo de TV por assinatura em decorrência da Lei 12.485/2011.
Procuro manter a discussão acesa, a partir de algumas reflexões sobre o papel de uma TV pública no Brasil. E o ponto inicial é a constatação de um grave processo de abandono e de reorientação do modelo de funcionamento da principal TV pública do país: a Cultura. Esse debate bem que poderia se dar em torno da questão “a TV Cultura corre risco de desaparecer se o governo do PSDB em São Paulo seguir a atual política?”. Mas deixemos essa questão latente.
Possivelmente, o maior exemplo de rede pública de televisão seja a BBC britânica, referência para quem busca um caso bem-sucedido. Mas há bons exemplos também em outros países, com destaque para a Europa, onde as TVs públicas têm papel importante e são qualificadas. No Brasil, esse nunca foi um debate tratado com a relevância que tem, muito provavelmente porque o nascimento da televisão aqui se deu pela iniciativa privada, portanto, de caráter comercial. Além disso, a criação de TVs públicas ocorreu durante a Ditadura (1964-1985), associando uma iniciativa importante a um regime que impôs sofrimento à população.
Nesse sentido, é preciso desmistificar o que deve ser uma televisão pública, com frequência, confundida com uma TV estatal ou de defesa do governo. Na verdade, o que a diferencia é seu objetivo maior, o de atender ao interesse público. Em linhas gerais, uma rede particular se preocupa com os ganhos comerciais —portanto, pauta-se por interesses privados, pelo lucro—,enquanto a pública se volta aos interesses da sociedade.
Esses são os critérios cruciais na definição da programação. Por exemplo: um hipotético programa em horário nobre sempre será produzido e mantido no ar numa rede privada se trouxer retornos financeiros, mas numa rede pública o retorno pode ser preservar e resgatar nossa história.
Tal recorte fundamental traz consequências no restante da cadeia produtiva associada à atividade de comunicação televisiva. Professor de Jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), Laurindo Lalo Leal Filho destaca esse aspecto, ao apontar as diferenças no tipo de formação profissional decorrentes de um viés privado ou público.
“O profissional da emissora pública tem de estudar qual serviço deve ser prestado à sociedade, que tipo de aspiração, distinta do que é oferecida pela TV comercial. É uma lógica completamente diferente que gera, obviamente, um tipo distinto de programação e de profissional”, afirma.
Esse é o ponto nevrálgico da questão em torno da TV Cultura. A lógica política empregada pelo PSDB na condução da emissora está impregnada em demasia pela percepção privada em uma televisão que deve ser pública. Cada vez mais, a emissora se orienta pelo controle de custos, como se seu objetivo fosse dar lucro.
É claro que ninguém defende desperdício de verbas, mas o investimento que representa um programa educativo na formação das futuras gerações não pode ser desprezado nesses cálculos.
O problema, portanto, é que o modelo de TV pública foi contaminado pelo modelo privado. E isso precisa mudar. Porque a referência de qualidade dos programas da TV Cultura está se perdendo ao longo do tempo por conta dessa lógica de controle de recursos repassados à emissora.
Até há pouco tempo, programas infantis da TV Cultura figuravam como ameaças aos enlatados dos canais privados, mas perderam fontes de financiamento e saíram da grade. A sociedade saiu prejudicada com isso.
Paralelamente, cresce o espaço a atrações privadas na TV Cultura, substituindo programas de interesse público. Nessa questão, é importante ressaltar que os programas privados podem até ser qualificados, mas se pautam por outros interesses e colaboram para reduzir o espaço dos programas de interesse público.
O que precisamos é o inverso. Uma política de Estado nas comunicações que vise apoiar o processo educativo e a informação de qualidade exige que trabalhemos para fortalecer os espaços públicos na TV brasileira.
É preciso, portanto, aprofundar o processo de unificação das TVs públicas no país, inaugurado com a Lei 11 652/2008, que criou a Empresa Brasil de Comunicação e instituiu o Sistema Público de Comunicação.
As TVs públicas têm um importante papel na construção de valores democráticos, na qualificação educacional, na difusão de informações imparciais e na formação de profissionais que se guiem pelo interesse da sociedade. Não podemos perder isso de vista.
No debate sobre os destinos do setor de telecomunicações no país, do qual tenho participado ativamente, já abordei a importância de avançarmos na construção de um marco legal que regulamente as atividades de mídia e, na semana passada, ressaltei as resistências, pautadas em interesses monopolistas, às transformações no ramo de TV por assinatura em decorrência da Lei 12.485/2011.
Procuro manter a discussão acesa, a partir de algumas reflexões sobre o papel de uma TV pública no Brasil. E o ponto inicial é a constatação de um grave processo de abandono e de reorientação do modelo de funcionamento da principal TV pública do país: a Cultura. Esse debate bem que poderia se dar em torno da questão “a TV Cultura corre risco de desaparecer se o governo do PSDB em São Paulo seguir a atual política?”. Mas deixemos essa questão latente.
Possivelmente, o maior exemplo de rede pública de televisão seja a BBC britânica, referência para quem busca um caso bem-sucedido. Mas há bons exemplos também em outros países, com destaque para a Europa, onde as TVs públicas têm papel importante e são qualificadas. No Brasil, esse nunca foi um debate tratado com a relevância que tem, muito provavelmente porque o nascimento da televisão aqui se deu pela iniciativa privada, portanto, de caráter comercial. Além disso, a criação de TVs públicas ocorreu durante a Ditadura (1964-1985), associando uma iniciativa importante a um regime que impôs sofrimento à população.
Nesse sentido, é preciso desmistificar o que deve ser uma televisão pública, com frequência, confundida com uma TV estatal ou de defesa do governo. Na verdade, o que a diferencia é seu objetivo maior, o de atender ao interesse público. Em linhas gerais, uma rede particular se preocupa com os ganhos comerciais —portanto, pauta-se por interesses privados, pelo lucro—,enquanto a pública se volta aos interesses da sociedade.
Esses são os critérios cruciais na definição da programação. Por exemplo: um hipotético programa em horário nobre sempre será produzido e mantido no ar numa rede privada se trouxer retornos financeiros, mas numa rede pública o retorno pode ser preservar e resgatar nossa história.
Tal recorte fundamental traz consequências no restante da cadeia produtiva associada à atividade de comunicação televisiva. Professor de Jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), Laurindo Lalo Leal Filho destaca esse aspecto, ao apontar as diferenças no tipo de formação profissional decorrentes de um viés privado ou público.
“O profissional da emissora pública tem de estudar qual serviço deve ser prestado à sociedade, que tipo de aspiração, distinta do que é oferecida pela TV comercial. É uma lógica completamente diferente que gera, obviamente, um tipo distinto de programação e de profissional”, afirma.
Esse é o ponto nevrálgico da questão em torno da TV Cultura. A lógica política empregada pelo PSDB na condução da emissora está impregnada em demasia pela percepção privada em uma televisão que deve ser pública. Cada vez mais, a emissora se orienta pelo controle de custos, como se seu objetivo fosse dar lucro.
É claro que ninguém defende desperdício de verbas, mas o investimento que representa um programa educativo na formação das futuras gerações não pode ser desprezado nesses cálculos.
O problema, portanto, é que o modelo de TV pública foi contaminado pelo modelo privado. E isso precisa mudar. Porque a referência de qualidade dos programas da TV Cultura está se perdendo ao longo do tempo por conta dessa lógica de controle de recursos repassados à emissora.
Até há pouco tempo, programas infantis da TV Cultura figuravam como ameaças aos enlatados dos canais privados, mas perderam fontes de financiamento e saíram da grade. A sociedade saiu prejudicada com isso.
Paralelamente, cresce o espaço a atrações privadas na TV Cultura, substituindo programas de interesse público. Nessa questão, é importante ressaltar que os programas privados podem até ser qualificados, mas se pautam por outros interesses e colaboram para reduzir o espaço dos programas de interesse público.
O que precisamos é o inverso. Uma política de Estado nas comunicações que vise apoiar o processo educativo e a informação de qualidade exige que trabalhemos para fortalecer os espaços públicos na TV brasileira.
É preciso, portanto, aprofundar o processo de unificação das TVs públicas no país, inaugurado com a Lei 11 652/2008, que criou a Empresa Brasil de Comunicação e instituiu o Sistema Público de Comunicação.
As TVs públicas têm um importante papel na construção de valores democráticos, na qualificação educacional, na difusão de informações imparciais e na formação de profissionais que se guiem pelo interesse da sociedade. Não podemos perder isso de vista.
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sexta-feira, 24 de junho de 2011
IPS realiza em Montevidéu seminário sobre Comunicação, pluralismo e novas tecnologias
O seminário vai ser transmitido ao vivo via internet
La Presidenta de Telesur, el director del diario argentino Clarín, el director de comunicaciones de Google América Latina, las experiencias en comunicación de Brasil, Paraguay, Bolivia y El Salvador, la ley de medios argentina, se confrontarán en el seminario “Comunicación, pluralismo y papel de las nuevas tecnologías. El escenario latinoamericano: una mirada al futuro”, que se realizará en Montevideo el próximo viernes 24 de junio.
El seminario es organizado por IPS con el apoyo del Banco Mundial y la Presidencia de la República de Uruguay, y será inaugurado por el Presidente uruguayo José Mujica.
Siga la conferencia en vivo, a partir de las 9.00 am desde esta página,http://www.ipsnoticias.net/seminario/comunicacion-pluralismo-tecnologias.asp, desde la cual puede también participar por chat.
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sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Suplicy defende pluralismo na imprensa e pede ao 'Estadão' que reconsidere demissão de articulista
Da Agência Senado
Em nome do pluralismo na imprensa, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) fez um apelo nesta quinta-feira (7) ao diretor de Redação do jornal O Estado de S. Paulo, Rui Mesquita: pediu que aquele órgão de imprensa reverta a demissão da psicanalista Maria Rita Kehl do seu quadro de colaboradores. Ela foi dispensada depois da publicação, em 2 de outubro, do artigo intitulado "Dois pesos ...", no qual tece elogios aos avanços sociais propiciados pelo governo Lula.
A psicanalista alega ter sofrido censura, o que provocou um intenso debate na internet. Para Suplicy, que leu o artigo durante seu pronunciamento, o texto "ensejou a decisão do jornal", defensor assumido da candidatura de José Serra à Presidência da República.
Segundo Suplicy, após sua demissão Maria Rita Kehl fez questão de elogiar a postura do jornal, ao mostrar claramente sua preferência entre os candidatos, mas argumentou que isso não deveria impedir O Estado de S. Paulo de abrigar em suas páginas opinião divergente.
Ela também disse considerar contraditória a atitude da empresa, que destaca em sua primeira página a censura a que estaria submetida por não poder publicar matérias sobre investigação judicial a respeito da família Sarney. A vedação decorre de decisão da Justiça.
Leia mais - O que diz o dicionário sobre a palavra pluralismo
Em nome do pluralismo na imprensa, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) fez um apelo nesta quinta-feira (7) ao diretor de Redação do jornal O Estado de S. Paulo, Rui Mesquita: pediu que aquele órgão de imprensa reverta a demissão da psicanalista Maria Rita Kehl do seu quadro de colaboradores. Ela foi dispensada depois da publicação, em 2 de outubro, do artigo intitulado "Dois pesos ...", no qual tece elogios aos avanços sociais propiciados pelo governo Lula.
A psicanalista alega ter sofrido censura, o que provocou um intenso debate na internet. Para Suplicy, que leu o artigo durante seu pronunciamento, o texto "ensejou a decisão do jornal", defensor assumido da candidatura de José Serra à Presidência da República.
Segundo Suplicy, após sua demissão Maria Rita Kehl fez questão de elogiar a postura do jornal, ao mostrar claramente sua preferência entre os candidatos, mas argumentou que isso não deveria impedir O Estado de S. Paulo de abrigar em suas páginas opinião divergente.
Ela também disse considerar contraditória a atitude da empresa, que destaca em sua primeira página a censura a que estaria submetida por não poder publicar matérias sobre investigação judicial a respeito da família Sarney. A vedação decorre de decisão da Justiça.
Leia mais - O que diz o dicionário sobre a palavra pluralismo
sábado, 29 de agosto de 2009
Pluralidade informativa na TV
A partir de primeiro de setembro, o presidente da república terá direito a tempo na TV e no rádio igual ao líder da maioria e à oposição.
Não, não estamos falando de Cházes, na Venezuela, ou Correa, no Equador. A previsão legal de distribuição de tempo na mídia audiovisual existe a mais de 40 anos na França. E o Conselho Superior do Audiovisual resolveu alterar a legislação para prever um espaço para o presidente da república.
O tempo definido pelo CNA não se refere à convocação de cadeias de rádio e televisão, mas sim à exposição normal destas lideranças no noticiário e nos programas de info-entretenimento. Cabe a CNS mediar se as televisões estão respeitando a pluralidade prevista em lei.
Não, não estamos falando de Cházes, na Venezuela, ou Correa, no Equador. A previsão legal de distribuição de tempo na mídia audiovisual existe a mais de 40 anos na França. E o Conselho Superior do Audiovisual resolveu alterar a legislação para prever um espaço para o presidente da república.
O tempo definido pelo CNA não se refere à convocação de cadeias de rádio e televisão, mas sim à exposição normal destas lideranças no noticiário e nos programas de info-entretenimento. Cabe a CNS mediar se as televisões estão respeitando a pluralidade prevista em lei.
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