Caros leitores e leitoras.

terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Emprego: Vaga de redator em Brasília


O portal Poder360 e o Drive estão selecionando um jornalista para atuar como redator na cobertura de assuntos do poder e da política. A atuação profissional será em em Brasília.

O profissional deverá demonstrar conhecimento avançado de jornalismo de dados, excelente domínio da língua portuguesa; conhecimento avançado de inglês; habilidade para fazer fotos e vídeos com o celular; ser organizado(a) e responder a e-mails com presteza e estar de acordo com o Código de Conduta, Política de Compliance e com os Princípios Editoriais do Poder360.

Dentre os critérios de seleção está um forte domínio das ferramentas da informática, a saber: conhecimento de planilhas; de Photoshop (edição de imagens), de Adobe Premiere (edição de vídeos) e Audacity (edição de áudio) e habilidade para usar computadores Apple;

O selecionado será contratado com carteira assinadam com base nas regras da CLT, plano de saúde e dental. Os valores do salário e do, vale refeição não são informados, nem a jornada de trabalho, que pela lei deve ser de cinco horas diárias com a possibilidade de duas horas extras de prorrogação.

Em tempos de pandemia, o anuncia ambiente arejado e com distanciamento social na Redação. A empresa fornecerá equipamentos Apple para trabalhar (MacBook, iPhone e iPad). E assegura folga no dia do aniversário do candidato

Lançado há quatro anos, o Poder360 é um veículo jornalístico profissional com sede é em Brasília Tem acordo com o grupo Bandeirantes e seu inclui o jornal digital (de conteúdo aberto), uma newsletter (o Drive, apenas para assinantes pagos), a divisão de pesquisas de opinião (PoderData) e um segmento de eventos (o Poder360-ideias).

Os interessados devem enviar e-mail para vagas@poder360.com.br, com texto biográfico de três parágrafos (no máximo 900 caracteres + espaços), contando por que escolheu ser jornalista, quais são os seus planos profissionais e por que gostaria de trabalhar no Poder360. Junto com o texto, deve ser encaminhado um currículo (anexo em PDF) para. O currículo deve conter, no mínimo, as seguintes informações.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

Jornalista mobiliza sociedade em prol de fundo para amparar órfãos da Covid


 

Uma proposta inserida na página de ideias do Senado Federal propõe a criação de um fundo para amparar as crianças que ficaram ou ficarão órfãs até o final desta pandemia da Covid-19 pelo novo Coronavírus. Ela precia angariar 20 mil assinaturas até o próximo dia 18 de fevereiro.


A ideia foi postada e aprovada pelo comitê que avalia as ideias no dia 18 de novembro e tem até o próximo dia 18 de fevereiro como prazo para conseguir 20 mil assinaturas e ser lida pela Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal.

A ideia legislativa é de autoria do jornalista Walberto Maciel que pretende com a venda do um Ebook Órfãos da Covid-19, que ele escreveu quando o Brasil ainda estava atingindo o número de 100 mil mortes por Covid-19.

“Estava em casa e pensei em que situação ficariam meus filhos se eu e a Sara contraíssemos a doença e morrêssemos. No mesmo instante recebi aquela intuição que tinha que olhar para fora da minha janela, para fora da minha porta e ai veio a ideia de escrever o E-Book e em seguida quando tomei conhecimento da página de ideias legislativas do Senado, fiz a proposta”, destaca Walberto Maciel que é repórter político em Brasília.

O jornalista explica que o Ebook que escreveu já está registrado com o selo da Biblioteca Pública Nacional e no texto está declarado que 80% do valor arrecadado com a venda do E-book na internet será aplicado diretamente no fundo, se ele for aprovado. Caso não seja ele já está registrando uma ONG Organização Não Governamental com a qual pretende fazer uma pesquisa de campo para saber quem são e quantos são as crianças e jovens que perderam o pai, a mãe, os dois ou em caso de crianças criadas pelos avós, que perderam os avós ou quem era o mantenedor da família para direcionar recursos para estas crianças.

Mundo

O fundo, se for criado neste formato por uma iniciativa privada será inédito no mundo, tanto em situações pós guerra quanto no pós pandemia. “Fiz uma pesquisa rápida no Google e vi que para atender as crianças do mundo todo existem cinco entidades, uma delas é a Unicef, mas apenas uma atua diretamente com crianças pós tragédias, isso é muito pouco para o número de mortes provocadas pela Covid no mundo.

O link para leitura do E-book está aberto nas redes sociais e a compra é voluntária para ajudar na campanha de arrecadação para o Fundo e criação da ONG e pode ser feita pelo link do Pag Seguro:.https://pag.ae/7WBthpXzn

Contatos com Walberto Maciel:
Fone: (61) 984191427
@WalbertoMaciel

Orfaosdacovid19.com.br 

terça-feira, 8 de dezembro de 2020

Jornalistas do Correio Braziliense param por falta de salário



Segundo o sindicato da cateroria, a empresa deixou de pagar 60% do salário de novembro, estaria inadimplente referente à primeira parcela do 13º salário, que deveria ter sido paga até 30/11 e falta quitar uma parcela do Plano de Participação nos Resultados (PPR), relativo à Convenção Coletiva de Trabalho, cuja data base foi abril de 2019.

Por Chico Sant'Anna

O principal diário de Brasília, o Correio Braziliense, enfrenta dificuldades financeiras sérias, a ponto de não conseguir pagar integralmente os salários de seus jornalistas e demais profissionais. Nessa terça-feira, 7/13, constatando que só haviam recebido 40% dos salário de novembro, os profissionais da redação decidiram para em consonância com decisão tomada em assembleia, realizada na véspera. Os salários, segundo o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do DF (SJP-DF) venceram na sexta. 4/12. Segundo a entidade, esse é o terceiro mês consecutivo em que a empresa atrasa a quitação integral dos salários. Informa ainda que o depósito parcial (40% do total) foi efetivado apenas para parte dos trabalhadores) e a promessa de concluir o acerto até a próxima sexta-feira. 11/12.

Segundo informa o DJP-DF, os trabalhadores das áreas não jornalísticas da empresa receberam 50% do salário devido. O jornal também estaria inadimplente com os trabalhadores jornalistas referente à primeira parcela do 13º salário, que deveria ter sido paga até 30/11 e falta quitar uma parcela do Plano de Participação nos Resultados (PPR), relativo à Convenção Coletiva de Trabalho, cuja data base foi abril de 2019

Procurada por esse blog, até às 18h50, a direção de Jornalismo do CB não se posicionou.

Veja abaixo o informe do SJP-DF, publicado em seu portal

A redação do Correio enfrenta nos últimos anos uma prática recorrente do jornal de desonrar compromissos, tanto os de base legal e contratual como aqueles fechados com a comissão dos jornalistas em seguidas reuniões. No momento, além do salário de novembro, a empresa deve também a, além de acumular dois meses de atraso no pagamento parcelado - segundo acordo judicial firmado com o Sindicato - de férias e tickets devidos, em alguns casos, há mais de dois anos.

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do DF chama toda a categoria a apoiar o movimento dos colegas do Correio e conta com a solidariedade das demais categorias e sindicatos de trabalhadores do DF à justa paralisação dos jornalistas. 

sábado, 14 de novembro de 2020

TV Brasil: bajulação em transmissão de futebol rende investigação do MPF


A chamada "babação de ovo" pode sair caro para o locutor André Marques, ex-Rádio Tupi, que atuou na transmissão do jogo Brasil e Peru na TV Brasil, pelas eliminatórias da Copa do Mundo. Pode haver reflexos sobre a direção da empresa Brasileira de Comunicação - EBC, e se tiver exisitido um roteiro de narração pré-redigido, seu autor poderá também ficar em situação juridica delicada. Tudo porque ao longo da transmissão, o apresentador da emissora pública decidiu exaltar e mandar abraços ao presidente Jair Bolsonaro. No segundo tempo, o narrador voltou a fazer uma saudação oficial e ainda leu uma nota. "Em nome da Secretaria Especial de Comunicação Social da Empresa Brasil de Comunicação e do secretário Fábio Wajngarten, agradecemos à CBF, nas pessoas do presidente Rogerio Caboclo, do secretário-geral Walter Feldman e do diretor Eduardo Zerbini. E um abraço especial também ao presidente Jair Bolsonaro, que está assistindo ao jogo".

A bajulação, populamente conhecida por "puxação oficial de saco" é inconstitucional, e pode render dores de cabeça a seus responsáveis. Conforme relata o portal TelaNews o caso está sendo investigado pelo Ministério Público Federal. Confira abaixo a reportagem do portal.

Por TelaNews

Em uma análise da representação que solicita apuração da transmissão do jogo de futebol Brasil x Peru no dia 13 de outubro pela TV Brasil, o procurador federal dos Direitos do Cidadão, Carlos Alberto Vilhena, afirmou que atentar contra princípios administrativos pode ser tipificado, em tese, como ato de improbidade administrativa.

Segundo o Procurador, a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), responsável pela emissora, tem que guardar respeito aos princípios da impessoalidade e da moralidade. A representação apresentada para apuração do Ministério Público Federal (MPF) diz que, durante a transmissão do jogo, houve promoção pessoal de agentes públicos e finalidade por  desvirtuar o objetivo central de atuação da entidade, previsto na Lei 11.652/2008.

De acordo com a norma, a EBC é uma empresa pública federal que tem como finalidade a prestação de serviços de radiodifusão pública. Desse modo, deve se submeter aos princípios da administração pública.

O documento destaca ainda que a Constituição Federal prevê, no art. 37, §1º, que "atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverão ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, deles não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos".

Em virtude de a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC) não possuir legitimidade para atuar em juízo, Vilhena determinou o encaminhamento da representação à unidade do MPF que atua em primeira instância no Distrito Federal para apuração dos fatos. A sede da ECB é em Brasília.

Entenda o caso – Durante a transmissão da partida que fez parte de etapa eliminatória da Copa do Mundo, o locutor do jogo leu mensagem que fez referência a agentes públicos, bem como enviou saudação especial ao presidente da República, Jair Bolsonaro (Sem partido). Diversos políticos e entidades relacionadas à comunicação pública se manifestaram para repudiar a forma como foi feita a transmissão pela TV Brasil.

terça-feira, 27 de outubro de 2020

Livro: Serra Pelada em três tempos na objetiva de André Dusek

Em tempos em que a Amazônia está nas manchetes dos jornais e nas polêmicas diplomáticas internacionais, é sempre bom dar uma olhada no passado para se pensar o futuro. Falar que a Amazônia é uma imensidão virou lugar comum, mas sem deixar de perder a sua veracidade, mas um retrato da transformação ocorrida nos últimos 40 anos em um dos trechos da Região - talvez o mais famoso  - pode se concretizar a partir do OURO BRUTO Serra Pelada em três tempos. A obra tem como fio condutor o relato, por meio de imagem e texto, do repórter-fotográfico, André Dusek, que visitou, em três momentos, o maior garimpo a céu aberto do mundo durante os seus 40 anos de existência.

Os moradores de Brasília poderão desfrutar esse mergulho histórico visual a partir do dia 14. É quando acontece o lançamento na Banca da Conceição (Ceiça), na SQS 308.

As imagens

Foi o acaso que levou o novato fotógrafo do jornal Correio Braziliense, a passar dois dias dentro de Serra Pelada.  Para registrar o que nunca havia visto, o repórter contava com apenas 100 fotogramas, distribuídos em cinco filmes preto e branco. Ali estavam mais de 25 mil garimpeiros que, no início dos anos 80, vinham dos quatro cantos do país tentar a sorte de encontrar fortuna e fama em uma verdadeira corrida do ouro.


A repercussão das imagens publicadas pelo Correio Braziliense foi grande. Naquele momento, ainda em plena ditadura militar, o Brasil não conhecia Serra Pelada e menos ainda o que se passava naquele lugar. O material impactante foi replicado por veículos de imprensa nacional e internacional, como a revista francesa Photo Reporter.

Em 1996, desta vez pela revista Isto E, André voltou à Serra Pelada.  A ideia era cobrir o retorno frustrado (o garimpo havia sido fechado em 1992) de milhares de garimpeiros atraídos pelo boato da


descoberta de uma nova jazida de 150 toneladas de ouro. Na chegada, os garimpeiros viram que a historia era outra: o ouro descoberto pela empresa Vale do Rio Doce, que tinha o direito de lavra na região, estava a 430 metros de profundidade e o ouro seria extraído por maquinas, sem contar com a força de trabalho daqueles homens. Além da revolta, o que se viu foi um enorme lago onde nos anos 80 havia uma cratera de onde se penduravam centenas de escadas, que transportam milhares de homens, e que um dia foi uma montanha. Dessa vez o registro foi a miséria, a desesperança e a

revolta daquela gente.

Em 2019, Dusek retornou ao local levando debaixo do braço suas fotos de 1980. O repórter mostra como a vida no garimpo vai se reinventando a partir de historias fundadoras, materializadas que ele “devolve” aos sucessores dos personagens iniciais. Neste momento, os personagens fotografados na primeira incursão ao garimpo, tornam-se protagonistas e não apenas objetos das fotos.


Dados sobre o autor

André Dusek nasceu no Rio de Janeiro em 1956 e mudou-se para Brasília em 1975, onde fez sua vida profissional por mais de 40 anos. Formou-se em Jornalismo na Universidade de Brasília, UnB, em 1979 quando já fotografava para as revistas Manchete e Fatos&Fotos. Trabalhou no jornal Correio Braziliense, no começo dos anos 1980. Presidiu a União dos Fotógrafos de Brasília e tornou-se membro da agência AGIL Fotojornalismo, quando cobriu toda a Assembleia Nacional Constituinte de 1987/88. Entrou na década de 90 trabalhando no jornal O Estado de São Paulo e depois transferiu-se para a revista IstoÉ, onde foi repórter fotográfico até 2006. Neste ano voltou a integrar a equipe de fotógrafos do Estadão em Brasília, onde trabalhou até 2018.

Atualmente Dusek reside em Florianópolis-SC, onde se dedica a projetos pessoais.

Serviço:

Livro: OURO BRUTO Serra Pelada em três tempos - Fotos e textos André Dusek

Capa dura 21cm x 21cm, 136 páginas, composto de 81 fotografias (51 PB + 30 COR)

Texto bilíngue português/inglês - Produção independente

Lançamento em Brasília: Dia 14/11, às 16h. Banca da Conceição (Ceiça), na SQS 308.

sábado, 19 de setembro de 2020

TV Mulheres Jornalistas recebe o Jornalista Chico Sant'Anna no programa Debate Político

Tive a grata oportunidade de ser entrevistado por Melissa Rocha no programa Debate Político MJ, na TV Mulheres Jornalistas, O tema da conversa: Desafios do jornalismo no cenário atual. Conversamos sobre transparência no governo atual, liberdade de imprensa, o clima de desconfiança em relação à mídia, blogs e a ascensão de veículos independentes.

📢Você pode assistir ao programa no Portal Mulheres Jornalistas e no  Youtube. Ou, então, aqui mesmo nesse blog.  

Entrem lá e deem uma força pra essa mulherada que está renovando o jornalismo brasileiro.


sexta-feira, 4 de setembro de 2020

Demanda por conteúdos LGBTQIA+ impulsiona a diversidade nas obras audiovisuais

A multiartista Alice Marcone (à esquerda) na produção Born to Fashion


"Essa situação evidencia uma desigualdade do mercado da dramaturgia, do teatro e do audiovisual. Por mais que tenhamos cada vez mais artistas trans qualificados, ainda vemos as poucas oportunidades de trabalho que essas pessoas teriam repassadas às pessoas cis por conta do transfake" - explica a multiartista, consultora e roteirista Alice Marcone, que também é trans.


Por Mariana Toledo, do TelaViva news

Aos poucos, a diversidade vem se tornando mais presente nas produções audiovisuais. E trata-se de uma demanda do próprio público: uma recente pesquisa da Parrot Analytics, empresa global de análise de conteúdo, identificou a diversidade como um assunto cada vez mais em pauta – e mostrou especialmente que a forma como ela é representada nas produções audiovisuais faz diferença. Analisando programas de maior demanda com estreias em 2020 na América Latina, mais de dois terços têm representatividade na comunidade LGBTQIA+. Além disso, produções que trazem essa temática concentram três quartos da demanda, superando em 48% os programas sem essa representatividade. A autenticidade também é importante e geralmente é um reflexo de quem está por trás da tela: quando o diretor também faz parte da comunidade LGBTQIA+, por exemplo, a demanda cresce 14%.

Nesse sentido, uma das estreias recentes que se destacou não só por trazer a diversidade à tona, mas também explorar um tema inédito e contar com representantes LGBTQIA+ na frente e atrás das câmeras, foi "Born To Fashion", do E!Entertainment. A produção original do canal é o primeiro reality show do Brasil só com candidatas transgênero, que chega para transgredir a moda brasileira e revelar o novo rosto fashion do país. O programa foi ao ar pela primeira vez em 13 de agosto e obteve resultados relevantes: a exibição do episódio de número um registrou quase quatro vezes mais audiência do que a média do canal no horário nobre.

Um dos principais nomes por trás da produção é a multiartista, consultora e roteirista Alice Marcone, que também é trans. "As pessoas trans são excluídas dos espaços tradicionais de trabalho porque enfrentam dificuldades estruturais na sociedade desde muito cedo na vida – não é um problema só do audiovisual", diz Marcone em entrevista exclusiva para TELA VIVA. "Mas falando especificamente desse mercado, acredito que devemos pautar a discussão tão bem elaborada por Renata Carvalho e a organização Monarte em relação ao Transfake (o ato de um ator cis interpretar uma personagem trans). Essa situação evidencia uma desigualdade do mercado da dramaturgia, do teatro e do audiovisual. Por mais que tenhamos cada vez mais artistas trans qualificados, ainda vemos as poucas oportunidades de trabalho que essas pessoas teriam repassadas às pessoas cis por conta do transfake", explica. "Produções que abordam diretamente a temática trans – como 'Born to Fashion' – são bons exemplos de como uma produtora pode incluir profissionais transgênero em sua equipe e produzir um programa de qualidade para todos os públicos. Mas esse é só o primeiro passo", completa. Marcone ainda reforça como é essencial que a diversidade (de gênero, sexual, étnica e racial) seja uma exigência na produção de qualquer obra – e não só naquelas que pautam diretamente essas questões. "A presença de pessoas LGBTQIA+ precisa ser normalizada no mercado de trabalho, e não limitada em função da construção apenas das narrativas que lhes concernem", pontua.

Gustavo Baldoni, produtor executivo da Delicatessen Filmes, que assina a produção de "Born To Fashion", também conversou com TELA VIVA sobre o assunto. "Nós da Delicatessen Filmes acreditamos que produções como 'Born To Fashion' são mais do que importantes, são necessárias e fundamentais, especialmente num país como o Brasil, que ostenta o primeiro lugar no ranking mundial de assassinatos de pessoas trans; a expectativa de vida de uma pessoa trans no Brasil é de apenas 30 anos, enquanto a da população média gira em torno de 75 anos. Existe um abismo, que precisa que ser enfrentado com coragem e disposição para a mudança. É fundamental reconhecermos a importância da inclusão de todes para a promoção do desenvolvimento sustentável em todo o mundo. E o entretenimento pode e deve assumir a sua responsabilidade nesse jogo", declara. Baldoni ressalta que, apesar de ter um casting composto só por mulheres trans, o reality não fala exatamente sobre a questão transgênero, e sim sobre a busca pelo sucesso na carreira de modelo e pela conquista de seu espaço – o que, claro, está intrínseco a essas mulheres, que tanto precisam batalhar para isso – mas por isso o tema aparece organicamente na série. "Nós produzimos 'Born To Fashion' para gerar reconhecimento das histórias dessas personagens, seus sonhos, suas possibilidades e potências. Não tem pretensão educacional. Para isso, há muita informação de qualidade disponível pra quem ainda não entendeu a necessidade de interromper a invisibilidade trans na nossa sociedade", esclarece.

Para além de "Born To Fashion", o canal E! traz uma preocupação social em diversas de suas produções, inclusive em sua campanha institucional, "Vozes do E!". Para Marcello Coltro, sênior VP do canal, a questão social "representa o norte da proposta de nossa marca e plataforma". O executivo diz que trata-se de ter responsabilidade com a audiência, composta em sua maioria por mulheres que lutam pela igualdade e contra o preconceito e discriminação. "O E!, por meio de uma linguagem de entretenimento e formatos acessíveis, inclui mensagens positivas que objetivam provocar essa discussão de desigualdade social, questões de aceitação e mudança de percepção da sociedade em relação a estigmas de forma física, gênero e idade", define. Entre os nomes que representam a marca, estão Fluvia Lacerda, Mayara Russi, Nahuanne Drummond e Denise Gimenez, que representam o "direito de construir uma carreira no mundo da moda mostrando que a beleza e direito de sentir-se bem consigo mesma não têm medidas"; Penelopy Jean, Ikaro Kadoshi e Rita Von Hunty, pelo "direito de transformação e a magia de assumir a alma feminina apoiando a força interior e a aceitação da Diva' que existe em cada mulher"; e Lais Ribeiro, com o "direito de lutar pelo certo, de enfrentar e vencer barreiras raciais, abrindo caminhos para futuras modelos independente de raça ou identidade de gênero", entre outras.

Série "Todxs Nós", da HBO, criada e dirigida por Vera Egito 

Outra obra recente que se destacou pelo pioneirismo dentro dessa temática foi "Todxs Nós", que estreou em março na HBO. Criada por Vera Egito, Heitor Dhalia e Daniel Ribeiro, com direção geral de Vera Egito, a comédia dramática aborda temas ligados ao universo LGBTQIA+ como compreensão, inclusão, aceitação e uso da linguagem neutra. Na trama, a atriz Clara Gallo vive Rafa, jovem de 18 anos, pansexual e não-binárie que decide deixar a família no interior de São Paulo e mudar-se para a casa de seu primo, Vini (Kelner Macêdo), na capital. Vini, que já divide o espaço com Maia (Julianna Gerais), fica surpreso ao descobrir que Rafa se identifica com o pronome neutro e não com o gênero feminino ou masculino. Já na chegada, explica, por exemplo, que é prime – e não prima – de Vini.

Os roteiros da série contam com a colaboração de Thays Berbe e Alice Marcone – que também está na equipe de "Born to Fashion", do E!. Em entrevista para TELA VIVA, Vera Egito reconhece que o audiovisual ainda é pouco aberto à diversidade: "São pouquíssimos projetos de ficção nos streamings e nas TVs abertas com protagonismo LGBTQIA+. Há uma resistência histórica sobre essas existências na mídia e muita transfobia e muita homofobia na nossa sociedade. Mas sinto que estamos mudando. O fato de uma plataforma do tamanho e da importância da HBO produzir uma série como 'Todxs Nós' é prova disso". Egito destaca que a série traz o debate sobre o uso da linguagem inclusiva e que é urgente que comecemos a repensar nossos conceitos de masculino e feminino, uma vez que essa norma "nos aprisiona e gera violência e exclusão". Mas a produção é uma comédia dramática e, por isso, esse tema – e vários outros – estão na trama de maneira leve, irônica e divertida. "Acho essa uma característica essencial do projeto. A série dá visibilidade para muitas questões mas, antes de mais nada, apresenta personagens para que você se conecte, se entretenha, ame ou odeie. Há momentos de militância, momentos de deboche, momentos de emoção. E aí, envolvendo-se com essas histórias, muito do preconceito e da intolerância são vencidos. Porque a pessoa não-binária, a travesti e o gay deixam de ser 'o outro' para serem pessoas próximas, humanas. Pessoas com quem você se importa. E esse é o maior poder da dramaturgia na minha opinião: trazer mundos que parecem distantes para bem perto", declara. A diretora ainda adianta que já está com outras produções engatilhadas – seu próximo longa se passa em 1968 e tem inclusive, como protagonista, uma jovem lésbica.

Como vice-presidente corporativo de produções originais da HBO Latin America, Roberto Rios reitera a importância de canais de TV abrirem esses espaços: "A identidade de gênero e a sexualidade são elementos humanos universais muito importantes e que devem ser retratados de forma genuína nas mais diversas obras. Ao dar visibilidade a personagens da comunidade LGBTQIA+ em nossas produções, apresentamos essas questões para todo o público, inclusive para pessoas que não têm familiaridade com esse universo". Falando especificamente sobre "Todxs Nós", Rios diz que a série tem todos os atributos que marcam as produções da HBO: é autêntica, genuína e original. E tem a personagem Rafa, que é não-binárie: "Isso implicou uma série de novidades para nós, desde a maneira como trataríamos a questão do gênero não-binário até o uso da linguagem inclusiva. Além de Rafa, a série tem outros personagens bem estruturados que fazem parte da comunidade LGBTQIA+, o que nos deu a possibilidade de desenvolver bem, com uma sala de roteiro também diversa. Temos a consciência de que fizemos algo inovador e ficamos orgulhosos por isso mas, mais ainda, por poder dar voz a pessoas reais, que vivem neste mundo e não são sempre reconhecidas na produção audiovisual". O VP lembrou ainda que, com o apoio da consultoria especializada em diversidade Diversity Bbox, a HBO lançou o "Guia Todxs Nós de Linguagem Inclusiva", inspirado na linguagem da série. O objetivo do material é apresentar este assunto para mais pessoas e comunicadores em geral, além de promover uma reflexão sobre a comunicação como forma ativa de dar visibilidade a pessoas transgênero binárias ou não-binárias.

Cena de "Toda Forma de Amor", do Canal Brasil

O Canal Brasil, por sua vez, também se apresenta como uma marca constantemente preocupada em exibir produções diversas – o conteúdo LGBTQIA+ é uma abordagem frequente em sua programação. "Abrir espaço para essa temática, além de tantas outras, que por muito tempo praticamente não apareciam na TV brasileira, é um dos papéis fundamentais do Canal Brasil. Está em nosso DNA", garante André Saddy, diretor geral do canal. No último ano, por exemplo, a emissora exibiu a série "Toda Forma de Amor", com texto de Marcelo Pedreira e direção de Bruno Barreto, que conquistou bons resultados em termos de repercussão e audiência, com 38% acima da média do horário nobre do canal.

Em 2020, outras produções nesse sentido também ganharam espaço na grade: é o caso de "Favela Gay – Periferias LGBTQI+" e "Transgente", além do "Especial Orgulho LGBTQIA+", programação exibida em junho em comemoração ao Dia Internacional do Orgulho LGBTQI" (28 de junho) – neste ano, o Canal Brasil reforçou a importância do tema e trouxe filmes e séries sobre o assunto ao longo de todo o mês. A exibição principal dos filmes apresentou resultado 19% acima da média do canal no horário nobre e foi o segundo conteúdo com maior número de horas consumidas no Simulcast do Canal Brasil Play. Já o drama LGBT "Tatuagem", de Hilton Lacerda, é o filme mais visto no Canal Brasil Play. Outro conteúdo de sucesso ainda dentro da temática é "Transmissão", que estreou em 2019 e teve uma segunda temporada lançada em junho de 2020. Na atração, Linn da Quebrada e Jup do Bairro expõem suas rotinas e mostram como suas posturas nos palcos visam desconstruir estereótipos de gênero, raça e classe. O podcast do programa é o mais assistido do Canal Brasil. E para além da TV, o canal ainda assina diversas coproduções de filmes LGBTQIA+ que conquistaram diversos prêmios em festivais nacionais e internacionais, como "Bixa Travesty". "Para o Canal Brasil, produzir, incentivar, exibir e divulgar este conteúdo é uma questão urgente depois de tantos anos de exclusão e invisibilidade. Seguiremos apostando de forma exagerada neste caminho com a expectativa de cada vez mais ajudar a reequilibrar e incluir", afirma André Saddy.

Thereza (Mel Lisboa) na série "Coisa Mais Linda"

Além da TV fechada, produções LGBTQIA+ também conquistam seu espaço no streaming. Uma das mais bem-sucedidas produções originais nacionais da Netflix, "Coisa Mais Linda", da Prodigo Films, acerta ao trazer um casal lésbico para dentro de uma trama de época – infelizmente, ainda há quem acredite que a homossexualidade não existia no passado. Para Beto Gauss e Francesco Civita, sócios e produtores da série, é de extrema importância trazer essas questões e a realidade, independente da época: "Muitas vezes, é bom olhar para trás para compreender que as características e qualidades do ser humano atravessam o tempo. A sexualidade é pessoal e natural e não deveria ser julgada ou discriminada. Temos que lutar contra o preconceito de ontem e de hoje. É absolutamente normal para uma personagem como a Thereza ter uma relação com outra mulher. Ela é amada pela audiência por ser uma mulher livre, forte e amorosa. Thereza sente e vai; não interessa o julgamento dos demais. O importante pra ela é ser fiel a si mesma.".

Para a dupla, está cada vez mais comum tratar essa pluralidade com naturalidade, com canais de TV a cabo e plataformas de streaming dando mais liberdade no desenvolvimento dessas criações. "Os canais abertos também estão colocando em pauta essas questões – o que é vital, seja nas novelas e séries e até mesmo em programas de grade", observam os produtores. "Na Prodigo, celebramos a qualidade dos profissionais, independente de gênero e sexualidade. Mas é importante ficarmos atentos para inibirmos qualquer preconceito e criarmos as oportunidades, dentro e fora das produções, para que isso se torne cada vez mais equilibrado no nosso meio", concluem.

Recém-lançada no mercado, a plataforma de streaming 100% nacional InnSaei.TV anunciou há pouco tempo a série inédita "Três Quartos", do diretor Airo Munhoz. A mistura de sitcom e drama LGBT acompanha a história de três jovens que compartilham a vida e seus percalços e já está disponível gratuitamente na plataforma, que pode ser baixada na App Store ou Google Play para iOS e Android e acessada também em Smart TVs, tablets e computadores. A produção é da Substrato Filmes com distribuição da Lira Filmes e o elenco conta com Rodrigo Barros, João Mesquita e Caroline Varani. Para TELA VIVA, o diretor Airo Munhoz conta: "A série traz a diversidade sexual no cerne da questão, principalmente colocando um personagem tradicionalmente machista fazendo piadas e sendo confrontado dentro da própria casa. Isso é abordado de forma natural e leve, mas está presente em toda a obra. É necessário discutirmos a questão do machismo e da LGBTfobia, e fazemos isso trazendo personagens masculinos trabalhando conflitos, aprendendo a se relacionar, sair da zona de conforto. É necessário repensar a masculinidade e essa é a discussão dessa temporada". A ideia, segundo o ele, é vez ou outra trazer o assunto de fora quase didática, para pessoas que não têm contato com esse tipo de discussão – e normalmente buscam evitá-la – possam refletir.

Munhoz ainda aponta que a comunidade LGBT sempre esteve na TV, mas de forma caricata e problemática. "Com a democratização do debate trazido pela internet, as chamadas 'minorias' ganharam mais espaço e vêm conquistando aos poucos um lugar na grande mídia de forma realmente substancial, principalmente pensando no 'G' da sigla, ajudando a mostrar que somos seres humanos e temos, sim, problemas além da discussão de identidade ou orientação sexual. Estamos aos poucos saindo da lupa de análise laboratorial nas obras audiovisuais e andando nas ruas, sendo personagens complexas e com vários conflitos", observa.

Bia Ambrogi, sócia e fundadora da InnSaei.TV, afirma que a plataforma foi idealizada para ser um espaço de diversidade e representatividade. "A necessidade de ter uma janela de distribuição de qualidade de streaming vale para todo o mercado audiovisual brasileiro independente, porém, quando pensamos no conteúdo LGBT+ e cultura black, vemos que mais ainda precisam de telas que os representem", diz. Para ela, "Três Quartos" é uma série com formato leve e descontraído, com produção simples e despojada, que gera identificação do público jovem. "Queremos trazer mais obras como estas, conteúdos bem elaborados que dialoguem com o público atual e que estão aguardando uma janela que os receba e os valorize", adianta. A plataforma conta com lançamentos todas às quintas-feiras.

Apesar do número de produções audiovisuais com representatividade LGBTQIA+ em suas tramas, elencos e equipes estar crescendo, como ilustram os casos acima, ainda há um longo caminho a ser percorrido. Alice Marcone reflete: "A ausência histórica desse tipo de representatividade deixou um espaço aberto para novas narrativas e perspectivas. Acho muito importante pautar que essa demanda por novas representações e narrativas vem também como consequência desse movimento – ainda incipiente, mas real – de uma maior inserção das pessoas LGBTQIA+ no mercado. Quando essas pessoas trabalham, elas se transformam em público consumidor, com suas próprias exigências, e isso também gera mudanças nas demandas das produções audiovisuais. Por mais que tenhamos resistências, retrocessos e uma corrente reacionária bem forte no país, essa transformação nas demandas do consumidor é uma verdade cada vez mais geral do brasileiro. Essa mudança não só precisa acontecer, como está acontecendo e não será refreada".