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domingo, 6 de junho de 2010

REGISTRO PROFISSIONAL: Jornalistas do Brasil, uni-vos!!

Este artigo foi publicado originalmente no Observatório da Imprensa e para acessá-lo, clique aqui.


O Brasil tem aproximadamente umas cem mil pessoas portadoras de registro profissional de jornalista. Pelo menos, mais da metade deste contingente estudou quatro anos nas faculdades de Jornalismo para poder aceder a este direito.

Não é novidade para ninguém que o Supremo Tribunal Federal, confundindo direito de opinião com a capacidade de investigar, entrevistar, colher, editar e divulgar informações (ou seja, fazer Jornalismo) revogou a obrigação da formação acadêmica como requisito para o exercício profissional.

Como resposta a categoria conseguiu que duas PECs - Propostas de Emendas à Constituição fossem apresentadas. Uma no Senado Federal e outra na Câmara dos Deputados. A da Câmara está com a tramitação mais adiantada e a Comissão Especial que irá analisá-la já foi formada e já tem data para se reunir.

Do lado patronal e, em especial, daqueles que preferem uma categoria sem referenciais, principalmente o ético, a nova investida é contra a figura do Registro Profissional. Ele está sendo visto como um elemento que inibe a liberdade de expressão. Curiosamente, no berço da democracia republicana, a França, o registro profissional, lá chamado de Carte de Presse, existe normalmente, e sua concessão é atribuição de uma comissão formada por jornalista, representante das empresas e do Estado.

Embora no Senado Federal a PEC do Diploma esteja quase que hibernando, para espanto de muita gente, na última sexta-feira os principais jornais do País, dentre eles a Folha de São Paulo e o Jornal do Brasil, publicaram um artigo do presidente daquela Casa , José Sarney, condenando o requisito de formação acadêmica para a função jornalística.

O ex-presidente da República e atual presidente do Senado Federal é titular do registro profissional número 62, emitido pela DRT do Maranhão, em 19/01/1950. Embora a previsão da formação acadêmica já existisse, a exigência não era apliacada pelo Ministério do Trabalho. Bastava uma carta do empregador afirmando que contrataria fulano ou siclano para que este obtivesse seu registro.

Um estágio de doze meses também poderia ser a exigência básica para virar legalmente um profissional.
Segundo Sarney, a formação acadêmica afastou os escritores e literatos da imprensa, pois não tinham formação jornalística. Diz o senador: "os nossos intelectuais estão afastados da mídia impressa, e se recolhem em guetos que atuam para públicos específicos, o maior e melhor deles a universidade."
Perdoe-me o senador Sarney, mas os intelectuais não estão mais na imprensa pelo simples fato de os cadernos culturais e literários terem sido eliminados ou reduzidos por conta da ganância das empresas jornalísticas. O mesmo Jornal do Brasil onde foi publicado seu artigo não tem mais o Caderno B no formato que existia nas décadas passadas. Não existem nem mais as seções de Educação, cujo tema hoje se perde nas chamadas editorias de Nacional ou Geral.
Nossos intelectuais também não estão na mídia radiofônica e televisiva pelo fato do perfil comercial destas emissoras não permitir espaços para quem deseja falar de poesia, literatura, arte e cultura, salvo aquela dos best sellers e dos bill boards.
Neste processo todo de revisão de nossa profissão, sem o devido debate aberto com a sociedade, nossa função social de informar corretamente o cidadão já foi equiparada a função de mestre cuca - ou terá sido chefe de cozinha? Na Colômbia, onde há mais anos a suprema corte também revogou a regulamentação profissional após uma investida da Sociedade Interamericana de Prensa (os donos dos 700 jornais mais importantes das três Américas), jornalismo foi considerado não uma profissão, mas sim um ofício. Um ministro daquela corte, disse que equivaleria a de um pedreiro ou carpinteiro.
Em seu artigo, o ex-presidente recupera uma anedota onde até o carregador de penico da corte imperial em terras brasileiras era função regulamentada. Terá ele feito alguma ilação entre o servidor das atividades sanitárias reais e os jornalistas de hoje? Acredito que não, caso contrário os profissionais estariam soltando marimbondos de fogo.
E ai chegamos ao ponto onde eu queria chegar: a reação da categoria. Estes cem mil brasileiros, que pagaram quatro anos de faculdades - ou foram subvencionados durante quatro anos pelo Estado brasileiro para se capacitarem em bom profissionais do Jornalismo - parecem estar anestesiados. Não há marimbondos de fogo, nem mesmo um mosquitinho a zumbir nos ouvidos do poder.
A regulamentação profissional dos Jornalistas foi criada por Getúlio Vargas em 1938 - ou seja, há 72 anos. Foi ele quem garantiu a jornada de cinco horas diárias para a profissão, que não é respeitada pela maioria dos órgãos públicos e que certamente será o próximo alvo patronal - e em seguida o piso salarial e sabe se lá o que mais depois.

A nossa regulamentação é fruto de muita mobilização dos profissionais de então, todos sem diplomas é verdade, mas todos defensores do curso de Jornalismo - instituído também por Getúlio Vargas. Os anais da Associação Brasileira de Imprensa demonstram que em 1911, nossos bisavós da imprensa não só defendiam a criação do Registro Profissional, como também da criação do Curso de Jornalismo.
Na década de 60, com Jânio Quadros e João Goulart, novas iniciativas foram adotadas para garantir a formação acadêmica. Infelizmente, a queda prematura de ambos fez com que a legislação de então "não pegasse" e só depois em 1969 é que seria editado o decreto-lei 972-69 assegurando a atualização da regulamentação profissional e a exigência da formação acadêmica, que passou a valer mesmo dez anos depois, com o decreto 83.284/79.
Foram muitos anos de lutas, algumas bem duras, contra inimigos poderosos e os jornalistas se mobilizaram e agiram em corpo. Nesta época, muitos coleguinhas eram parlamentares. Pompeu de Souza e o saudoso Barbosa Lima Sobrinho são alguns exemplos. Da tribuna foram defensores de uma causa que só beneficiaria a sociedade. A formação acadêmica do jornalista é antes de tudo a melhoria qualitativa da informação levada aos leitores e espectadores.
Agora, quase não temos mais jornalistas parlamentares. Candidatura corporativa é algo que não cativa muito os coleguinhas. Médicos, advogados, engenheiros, metalúrgicos todos podem ter suas bancadas corporativas no parlamento federal e nos estaduais. Nós não. Não pega bem. Por isso quase não temos mais jornalistas parlamentares e quando os temos não são muito afeitos aos problemas da corporação.
Durante muito tempo pensei assim também. Para o parlamento já votei em médico, economista, engenheiro mecânico, servidor público federal. Para jornalista, confesso que só uma vez. Foi na Constituinte de 1986 e mesmo assim ele não foi eleito. Embora fosse à época presidente de um sindicato de jornalistas, meu candidato não contou com o voto fechado de sua base. Esta preferiu lideranças bancárias, vigilantes e jurídicas dentre outras.

Lembro-me que na Constituinte, praticamente, só tínhamos a deputada Cristina Tavares do PMDB de Pernambuco defendendo o capítulo da Comunicação, que acabou sendo totalmente mutilado e mais da metade do que se previa para ele não foi aprovado pelos constituintes.
Bem, uma nova eleição se avizinha. Assim como na Constituinte tentaram derrubar a formação acadêmica dos Jornalistas, novamente as forças já não mais ocultas avançam sobre a nossa profissão, sobre as nossas conquistas, sobre as garantias de uma informação mais abalizada para a sociedade. Há registros que após a decisão do STF, até analfabeto já recebeu registro profissional.
A pergunta que não quer calar é: os jornalistas vão ficar parados vendo a Caravana passar ou vão começar a pensar e a se organizar para em cada um dos estados da federação tentarem eleger um representante da categoria?
Quem vai fazer o embate dentro do Parlamento na hora da votação da PEC do Diploma? Quem vai pedir um aparte ao presidente do Senado Jose Sarney e expor um posicionamento contrário ao dele? Quem vai adotar um comportamento parlamentar que fira os interesses dos meios de comunicação, interessados em desorganizar esta categoria profissional e tornar a mão de obra ainda mais barata e mais precária profissionalmente?
As respostas a estas questões devem ser depositadas nas urnas, ou melhor, tecladas nas urnas eletrônicas de 3 de outubro de 2010. Do resultado que advir delas poderemos antecipar o futuro de nossa profissão.

Abaixo, a íntegra do artigo do presidente do Senado Federal, José Sarney, publicado dia 04/06/2010.




O orinó de dom Pedro - José Sarney

Há uma frenética corrida no país para regulamentar profissões. São dezenas de projetos que diariamente chegam às casas legislativas. Uns bons, outros nem tanto, mas os textos de todos excessivos na tentativa de dominar espaços exclusivos, que defendem território mais do que ursa no cio.

A primeira trombada que tiveram foi o Supremo Tribunal Federal concluir que a Constituição não permitia exclusividade ao diplomado em jornalismo para escrever em jornais. Se é livre a manifestação da opinião, a liberdade de pensar e escrever, como restringir publicá-las? No momento em que se torna exclusiva de um grupo profissional, excluímos aquilo que é a fonte maior do jornalismo, o escritor. E isto é tanto verdade que os intelectuais do país foram afastados em grande parte dos jornais, morreram os suplementos literários e há anos estamos mergulhados somente na matéria sensacionalista da mídia impressa.

A internet, de certo modo, e a decisão do Supremo estão abrindo espaços neste mar de obscurantismo que se tornou a literatura brasileira dos últimos anos, ou mesmo decênios. Os jornais têm culpa porque sempre foram eles os alavancadores das vocações que surgiam e depois cresciam e espalhavam talentos. Todos os grandes escritores do século 19 e do século 20 passaram pelos jornais e por eles foram lançados. Hoje, o espaço destinado aos escritores é estreitíssimo ou inexistente. Devemos repetir: os nossos intelectuais estão afastados da mídia impressa, e se recolhem em guetos que atuam para públicos específicos, o maior e melhor deles a universidade.

Agora mesmo está no Congresso um projeto de lei regulamentando a profissão de historiador. Assim, ninguém vai poder escrever sobre História se não estiver enquadrado dentro dessa profissão, incorrendo quem quiser fazer novela, romance, ensaio ou estudo histórico para publicação, em sanções por violação da lei ou submeter-se aos historiadores diplomados.

A fobia da regulamentação me faz lembrar uma anedota histórica que não sei exatamente onde li, mas aventuro-me a dizer que foi no Brasil anedótico, de Humberto de Campos o maior e mais lido em todos os tempos como mestre da crônica, idolatrado no Rio de Janeiro. Um nobre fora visitar Pedro II enfermo. Este, sentindo-se mal, pediu o orinó. O nobre gentilmente aventurou-se a buscar o vaso para o soberano urinar. Foi violentamente interrompido pelo camareiro-mor (os nomes esqueci) que disse enérgico: Quem tem a honra e a atribuição de levar o penico a Sua Majestade sou eu. Estava regulamentado nos costumes da Corte. Será que vamos retroceder a esse tempo?

JOSÉ SARNEY é ex-presidente da República.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Banda Larga: Telebrás prioriza Norte e Nordeste

Do Teletime news

O presidente da Telebrás, Rogério Santanna, disse nesta terça-feira, 25, que em 60 dias a estatal deverá voltar a operar. O primeiro passo para colocar o Plano Nacional de Banda Larga em marcha será a realização de edital para a compra de equipamentos para a contrução de anéis ópticos no nordeste e no sudeste. As regiões foram escolhidas pelos seguintes motivos: Nordeste é onde existe a maior carêcia de infraestrutura e no Sudeste é onde se encontram os principais data centers do governo, alvo prioritário da Telebrás. Santanna estima que até o final do ano esses equipamentos já estejam comprados.

O decreto do PNBL foi classificado como "amplo" ou "genérico" pelo seus críticos. Isso se deve à possibilidade de a Telebrás prestar o serviço ao cliente final, onde o serviço prestado pelas teles não for "adequado". Santanna esclarece que os critérios para classificar quando uma localidade não está sendo atendida de forma adequada serão definidos pelo grupo permanente de discussão, o Fórum Brasil Digital, que também foi criado pelo decreto. A prestação do serviço direto ao cliente final, entretanto, só vai acontecer "em uma situação extrema". "Só vamos entrar se não conseguirmos articular nenhuma parceria com o ente privado", afirma.

Atualmente a Telebrás esta tentanto reaver seus funcionários que hoje estão lotados na Anatel. Santanna brincou com a resistência da autarquia em devolver esses profissionais. "Isso significa que eles são bons. Se não eles (Anatel) diriam: 'leva esses e leva mais cinco'". A Telebrás tem 223 funcionários, dos quais 186 estão lotados na agência. "Telebrás vai ser uma empresa pequena, enxuta, de engenharia e marketing com papel de gestão de processo. Não será uma operadora", afirma ele.

Santanna mencionou ainda algumas ações, que estão presentes no plano, mas estão dentro do escopo da Anatel, como a licitação da faixa de 450 MHz e outras em blocos regionais, de modo que pequenos investidores possam participar. O executivo participou do 16º Congresso de Informática e Inovação na Gestão Pública (Conip), que se realiza em São Paulo.

EUA: Parlamentares querem regular a Internet na Lei das Comunicações

Do Pay-TV news

Dois parlamentares norte-americanos anunciaram na segunda-feira, 24, que vão propor a revisarão a Lei das Comunicações (Communications Act) nos Estados Unidos. Segundo o New York Times, o senador John Rockefeller IV, chefe do Comitê de Comércio, Ciência e Transporte do Senado, e o deputado Henry Waxman, chefe do Comitê de Energia e Comércio, querem incluir, de forma mais contundente, a Internet no texto da lei, para que as responsabilidades regulatórias, políticas e comerciais do governo e do setor privado sejam mais bem definidas no setor de telecomunicações.
De acordo com os parlamentares, o assunto veio à tona depois que a FCC, órgão regulador das telecomunicações nos Estados Unidos, anunciou um plano nacional de banda larga para expandir o acesso à Internet em alta velocidade no país. No entanto, a Justiça dos EUA determinou que a FCC não tem autoridade para regulamentar o tráfego de dados de internet, o que forçou a FCC a reclassificar o serviço de acesso à Internet em banda larga.
Caso o plano da FCC se concretize, a Internet passaria a ser considerada um serviço de telecomunicações, e não como serviço de comunicação, classe atual. Ou seja, ficará submetida às regras impostas pelo órgão regulador dos serviços de telefonia, o que desagrada bastante as empresas do setor, sobretudo operadoras de banda larga e TV a cabo.
Os esforços dos parlamentares, ao que tudo indica, foram bem recebidos nos EUA, tanto pelo setor privado quanto pelos consumidores. O presidente da operadora AT&T, James Cicconi, declarou ao NYT que "a autoridade da FCC deve ser regulamentada pelo Congresso, e não por uma série de regras criadas para controlar uma nova tecnologia".
A presidente do Public Knowledge, Gigi Sohn, grupo que representa os interesses da sociedade civil, declarou que o mundo e as comunicações mudaram muito depois que o Communications Act foi revisto pela primeira vez. Por isso, diz ela, "a atitude dos políticos é muito bem-vinda".
As reuniões devem começar em junho, mas os parlamentares não têm previsão de quando chegarão a uma resolução. A última revisão da Lei das Comunicações, de 1996, demorou mais de cinco anos para ser concluída.

Israel: sobe pra 60 total de jornalistas detidos

Pelo menos 60 jornalistas estão estão presos em Israel. A informação é da organbização Repórter sem Fronteiras.

Confira abaixo, em espanhol, o informe do RSF

Reporteros sin Fronteras reitera su llamamiento urgente a las autoridades israelíes para que pongan en libertad a los periodistas que acompañaban a la flotilla humanitaria con destino a Gaza. Según las últimas informaciones conseguidas por la organización, a bordo se encontraban al menos 60 periodistas.

‘’Recordamos que los periodistas estaban allí para llevar a cabo su trabajo de cobertura de los acontecimientos. En absoluto puede confundírseles con activistas. Ahora están a punto de expulsar a 300 pasajeros mientras que los periodistas siguen detenidos. Pedimos a las autoridades israelíes la puesta en libertad de todos los periodistas detenidos así como la restitución de su material que, de momento, tienen confiscado los militares’’, ha declarado la organización.

300 pasajeros de la flotilla, que actualmente se encuentran en el aeropuerto Ben Gurión de Tel Aviv, van a ser expulsados hoy mismo. Entre ellos hay varios periodistas.

Reporteros sin Fronteras ha sabido también que el corresponsal Abbas Nasser y el camarógrafo Issam Zaatar, del equipo de Al-Jazeera, fueron expulsados ayer de Israel.

Reporteros sin Fronteras tiene constancia de 16 periodistas internados en el centro de detención de Be’er Scheva : Svetoslav Ivanov, Valentin Vassilev, (canal de televisión búlgaro BTV), Muna Shester, (Kuwait News Agency), Talat Hussain, (Aaj TV), Paul McGeough, Kate Geraghty, (Sydney Morning Herald). Mario Damolin, (Frankfurter Allgemeine Zeitung), David Segarra, (teleSUR) Ayse Sarioglu (Taraf), Murat Palavar, Hakan Albayrak, (Yeni Safak), Sümeyye Ertekin, Ümit Sönmez, Ersin Esen (TVNET), Ashwad Ismail y Samsul Kamal Abdul Latip, (Astro Awani).
Reporteros sin Fronteras ha intentado varias veces ponerse en contacto con ellos, por el momento sin éxito.

Veja as exigências de alguns países para o exercício do Jornalismo

Por Rodrigo Bittar da Agência Câmara

Diversos países não cobram diploma de jornalista para o exercício da profissão. Entre eles estão Alemanha, Argentina, Austrália, Áustria, Bélgica, Chile, China, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Hungria, Irlanda, Itália, Japão, Luxemburgo, Peru, Polônia, Reino Unido, Suécia e Suíça.

Michel Mathien, professor de ciências da informação e da comunicação da Universidade de

Strasbourg III, na França, lista em seu livro “Les Journalistes”, de 1995, que em quase toda a Europa, apesar de não haver requisito de formação, existe regulamentação de acesso à profissão.

Nesses países prevalece a concepção de que a liberdade de expressão é incompatível com i

mpedimentos para que qualquer cidadão possa não só ingressar na profissão, mas até mesmo ter seu próprio veículo de comunicação.

O jornalista Mauricio Tuffani, editor do blog Laudas Críticas, defende que os cursos superiores de jornalismo do Brasil sejam o “que eles são na maior parte do mundo”: um diferencial, não uma obrigação, na formação de profissionais.

O diretor de negociação salarial da Federação Nacional de Jornalistas, José Carlos Torves, lembra que em alguns países, como nos Estados Unidos, há uma “contradição” nas exigências feitas: ao mesmo tempo em que não se cobra o diploma do profissional, ele só pode exercer a profissão de jornalista se for sindicalizado.

Na América Latina, acrescentou, a maioria não cobra “absolutamente nada, nenhum diploma”, mas é a região onde há mais violência contra jornalistas, incluindo assassinatos. “Pelo fato de não te

rem conhecimento da profissão, do código de ética, às vezes os jornalistas desses países avançam o sinal. Há uma relação muito forte entre falta de informação e violência”, disse Torves.


Entre os países que cobram o diploma, estão África do Sul, Arábia Saudita, Congo, Costa do Marfim, Croácia, Equador, Honduras, Indonésia, Síria, Tunísia, Turquia e Ucrânia.


Conheça as exigências feitas para o exercício do Jornalismo em alguns países:


Alemanha: não há obrigatoriedade de formação superior; a profissão é regulamenta

da por meio do reconhecimento conjunto, por parte das empresas jornalísticas e das organizações profissionais, de um período de aprendizado prático de 18 a 24 meses.


Bélgica: não há obrigatoriedade de formação superior; o acesso à profissão é

condicionado ao reconhecimento, por parte da organização profissional, de ausência de impedimentos; existem vantagens salariais para os diplomados.


Dinamarca: não há obrigatoriedade de formação superior; o acesso à profissão é condicionado à licença emitida pelo sindicato nacional dos jornalistas.


Espanha: não há obrigatoriedade de formação superior; o acesso à profissão é

condicionado a ter nacionalidade espanhola, inscrição no registro de jornalistas e à posse

de diploma em ciências da informação ou de experiência profissional de dois a cinco anos.


França: não há obrigatoriedade de formação superior, mas existe a figura do registro profissional. As escolas de Jornalismo são acreditadas por uma comissão tripartite formada por representantes das empresas, dos sindicatos de jornalistas e do Estado. Em 2010, somente oito faculdades tinham a chancela desta Comissão. Compete a esta mesma comissão emitir o registro profissional, denominado Carte de Presse. (adendo de minha autoria).


Grã-Bretanha: não há obrigatoriedade de formação superior; o acesso à profissão é condiciona do a um estágio em empresa jornalística ou, para os que não o conseguirem, a um curso preparatório do Conselho Nacional de Treinamento de

Jornalistas.


Grécia: não há obrigatoriedade de formação superior; o acesso à profissão é obtido por meio de diploma em jornalismo ou experiência de três anos na área.


Irlanda: não há obrigatoriedade de formação superior; não há nenhuma norma formal ou tradicional de acesso.


Itália: não há obrigatoriedade de formação superior; o acesso à profissão é condicionado ao registro na Ordem dos Jornalistas (órgão semelhante à OAB no Brasil e ao Conselho Federal de Jornalismo que chegou a ser proposto ao Congresso Nacional), que é concedido somente após um estágio de 18 meses e aprovação em um exame de proficiência.


Luxemburgo: não há obrigatoriedade de formação superior; o acesso à profissão é condicionado a licença do conselho de imprensa, que exige o compromisso com princípios deontológicos.


Países-Baixos: não há obrigatoriedade de formação superior; o acesso à profissão é condicionado a licença do conselho de imprensa.

Depois do diploma, patronato ataca agora o registro profissional

Do blog Jornalismo nas Américas

A instalação na Câmara dos Deputados, na semana passada, de uma comissão especial para analisar a proposta de emenda constitucional (PEC 386/09) que restabelece a exigência do diploma de jornalismo pode redirecionar o debate sobre o tema, afirma a Agência Câmara de Notícias, apontando que a maioria dos 18 deputados que compõem a comissão defende a retomada da obrigatoriedade da formação específica.

O Supremo Tribunal Federal derrubou a obrigatoriedade do título em junho do ano passado e, desde então, entidades como a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e os sindicatos vêm fazendo uma campanha pela volta da exigência. No Congresso Nacional, criou-se a Frente Parlamentar em Defesa da Exigência do Diploma em Comunicação Social/Jornalismo, com 199 deputados e 13 senadores.

Do lado oposto está a Associação Brasileira dos Jornalistas (ABJ), criada no ano passado por um grupo de jornalistas contrários à exigência do diploma. A associação defende que a PEC é inconstitucional e pediu uma audiência pública com a participação de juristas para debater a questão, informou o Comunique-se.

A ABJ também entrou com uma representação no Ministério Público Federal pedindo o fim da emissão de registro de jornalista no Ministério do Trabalho e Emprego. “Registrar os profissionais é da época da ditadura e age como forma de controle prévio sobre o trabalho jornalístico”, afirmou Antonio Vieira, presidente da ABJ, ao Portal Imprensa.

Poucos países do mundo exigem diploma de jornalismo, como mostra a Agência Câmara.

TV pública: Paraguai quer lançar seu canal em 2011

Do blog Jornalismo nas Américas

Em entrevista ao jornal argentino Página 12, o ministro de comunicações do Paraguai, Augusto dos Santos, disse que o governo pretende lançar a primeira TV pública do país em maio de 2011, com 17 retransmissoras.Segundo ele, o governo também está no processo de instalar dez rádios públicas e fortalecer a Rádio Nacional do Paraguai e a rádio de Pilar. Santos opinou que considera prematuro discutir neste momento a regulação dos meios de comunicação no país: seria “submeter a cidadania a um desgaste desnecessário no centro de um debate entre surdos.”

À frente de uma pasta que, no governo Fernando Lugo, ganhou o nome de Secretaria de Informação e Comunicação para o Desenvolvimento, o ministro contou que está trabalhando para criar disciplinas de comunicação para o desenvolvimento em sete universidades públicas do Paraguai.