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terça-feira, 31 de janeiro de 2023

Pesquisa aponta indução dos algoritmo do Instagram a transtornos alimentares em mulheres

Decréscimo da autoestima e insatisfação corporal surgem da pressão por padrões de beleza. Quanto maior o engajamento na rede social também maior é a influência negativa

Da Ascom do Uniceub

O Instagram é uma rede social que vai além da informação dinâmica. A vitrine social mostra pessoas, lugares e situações como sinônimo de pertencimento social, sucesso e felicidade plena. Por vezes, distorce a imagem da realidade e acaba frustrando homens e mulheres, sobretudo o público feminino. Com base nos efeitos psicológicos causados pela rede, a estudante de Psicologia do Centro Universitário de Brasília (CEUB), Stephanie Popoff, realizou uma pesquisa com 118 mulheres de 18 a 54 anos e usuárias assíduas do Instagram, para identificar a relação entre o uso da rede como comportamento de risco associado aos transtornos psicológicos e alimentares em jovens adultas.

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Os resultados são impactantes: das 118 mulheres entrevistadas, 83,9% relataram ter tido diagnóstico de transtornos psiquiátricos, sendo os transtornos de ansiedade os mais prevalentes na amostra 51,5%, seguidos por transtornos de humor 24,2%. Outras 14,1% participantes afirmaram ter diagnóstico de transtornos alimentares. “A utilização excessiva de alguns conteúdos recomendados pelo algoritmo do Instagram pode influenciar para o surgimento de transtornos alimentares, considerando que a insatisfação corporal é um fator de risco para a manifestação de transtornos alimentares”, explica Stephanie.

Orientador do projeto e professor de Psicologia do CEUB, Daniel Barbieri destaca que pelo fato da rede social estar integrada à vida das pessoas, provoca diferentes graus de engajamento, de modo que as pessoas consideram uma parte significativa da vida e se importam com as reações. “As pessoas que postam muitas informações são diretamente afetadas pelas reações estabelecidas – o que se relaciona à autoestima das mulheres com maior engajamento nas redes sociais”, considera. “Mulheres que são mais engajadas no Instagram podem passar o dia inteiro sofrendo publicações de outros engajamentos”, alerta Daniel.

A partir da interpretação dos dados, as informações pessoais - fotos, momentos históricos – são aquelas mais sujeitas a gerar os julgamentos estéticos e alimentares. “De fato, as redes sociais são interessantes em vários contextos, por possibilitar a comunicação entre as pessoas, mas tem uma faceta perigosa, que é potencialmente danosa à saúde mental”, considera Daniel. De forma complementar, a estudante de Psicologia do CEUB arremata: “O mais crítico é porque a rede opera como propagadora de determinados ideais de beleza que, muitas vezes, são insustentáveis ou até mesmo inexistentes”.

Maior engajamento e menor autoestima

A pesquisa da aluna do CEUB se propôs a investigar de que maneira o uso do Instagram está relacionado à autoestima e a satisfação corporal de mulheres adultas, tendo em vista que a plataforma utiliza estritamente a imagem corporal como ferramenta de interação entre os usuários. Também buscou correlacionar o uso exacerbado do Instagram como comportamento de risco associado aos transtornos alimentares em jovens adulta.

Para essa apuração, a pesquisadora entrevistou 118 mulheres adultas, de 18 a 54 anos e usuárias assíduas do Instagram por meio de três questionários distintos. Entre pontuações que significam “discordo totalmente e concordo totalmente” as mulheres responderam sobre os conteúdos preferidos e se sentem pressionadas por determinados tipos de padrão.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Documentário conta a história de personagens que mudaram a vida pela leitura

  • Uma moradora de rua que não sabe ler, mas que não arreda o pé da Biblioteca Parque Estadual do Rio de Janeiro. 
  • Um gari que se apaixonou pelos livros, virou escritor e hoje grava áudio livros para deficientes visuais. 
  • Uma menina pobre que se inspirou em um livro de literatura infantil para virar bailarina e hoje é professora de dança na comunidade carente onde cresceu.

O documentário Leitores sem Fim, produzido pela TV Câmara, com direção e roteiro do jornalista Beto Seabra, relata histórias de pessoas que tiveram a vida modificada pelo hábito da leitura. 
A partir da realidade de bibliotecas públicas localizadas em regiões de baixa renda no Rio de Janeiro, o documentário mostra o novo modelo que se pretende criar de espaços culturais, baseado na experiência exitosa das Bibliotecas Parque da Colômbia.
O documentário mostra também a situação da leitura no Brasil e o esforço de parlamentares para universalizar as bibliotecas escolares no país. Ao contar histórias de vida e o debate político sobre o tema da educação e da leitura, o vídeo aponta saídas para os problemas da violência urbana e da baixa escolaridade entre jovens.

Serviço:

Pré-estreia: 17 de fevereiro (quarta-feira) às 19h – no auditório da TV Câmara
Estreia: 19 de fevereiro (sexta-feira), às 21h30. Reprises: Sábado – 19 h e domingo – 19h
Ficha técnica:
Direção e Roteiro – Roberto Seabra
Duração: 37 minutos
Produção - João Gollo
Edição e Finalização – Guem Takenouchi
Direção de Fotografia - Kátia Coelho
Imagens – Flávio Estevam
Assistente de Câmera e Som Direto – Alessandro Palmier
Videografismo – Diego Cajueiro e Pedro Mafra
Pesquisa - João Gollo e Roberto Seabra
Trilha Sonora Original - Alberto Valério

sábado, 9 de janeiro de 2016

Por que jornalistas vestem roupas corporativas?

, publicado anteriormente no Luiz Nassif online
Foi-se o tempo em que víamos apresentadores de telejornais de paletó e gravata escondendo bermudas e chinelos por trás da bancada. Hoje devem caminhar pelo cenário apresentando infográficos em telões. Mas por que vemos jornalistas e repórteres em um figurino preferencialmente corporativo? Por que o traje mais informal assemelha-se ao de um funcionário de algum escritório saindo para um “happy hour” ou em algum “day off” concedido pela empresa? Linguagem cênica para um melhor rendimento televisual? Ou sintoma de outra coisa:  a inveja criada pela diferença de classe social entre jornalistas e seus entrevistados, o cimento psicológico do chamado “jornalismo corporativo” posto em prática pela grande mídia.
“Quem se interessou alguma vez pelos atuais problemas da semiologia, já não pode continuar a fazer o nó da gravata, todas as manhãs diante do espelho, sem ficar com a clara sensação de estar fazendo uma opção ideológica. Ou pelo menos de lançar uma mensagem ou um carta aberta a todos os transeuntes que cruzarem com ele no dia-a-dia”, afirmou certa vez o pesquisador italiano Umberto Eco.
Para Eco, o vestuário age como uma gramática com palavras e regras prontas para comunicar mensagens ou ideologias em certos contextos.
Partindo desse tese semiológica, como podemos interpretar a atual tendência do figurino de apresentadores e repórteres em telejornais? Eles, com paletós de boa confecção com atenção aos ombros e lapelas bem acabados; cores escuras entre marinho, preto e chumbo; ternos em estilo italiano, acinturado acompanhando a calça mais acertada. E repórteres na rua com blazers escuros e calças chino caquis ou calças de alfaiataria com camisas mais ajustadas ao corpo.

Elas, costumes femininos de alfaiataria buscando um silhueta única, sem cortes entre saia/calça e blusa. Como afirma o manual interno de figurino do Grupo RBS (Rede Brasil Sul, afiliada à TV Globo) “afirmam melhor a presença da jornalista”.
Também segundo o manual da RBS a modelagem do corpo da apresentadora através da indumentária é uma peça de afirmação – “é a melhor peça das executivas de várias áreas”, declara o manual.
O manual ainda ressalta a importância da roupa para o jornalista: “ambientes de cerimônias exigem que o profissional de televisão se mimetize para não tornar-se uma presença menor e inoportuna”.
Imagem de credibilidade?
Definitivamente ficaram para trás tempos onde apresentadores de telejornais escondiam suas bermudas por trás da bancada do cenário, apresentando apenas o paletó e gravata da cintura para cima. Hoje devem se levantar e caminhar pelo estúdio apresentando telões com infográficos. Mais do que nunca a roupa é imprescindível para “apresentar uma boa imagem e credibilidade à audiência”, como rezam os manuais internos dos telejornais.
Mas o que chama atenção na retórica desses manuais é o tipo de vestuário cujo resultado podemos assistir diariamente na TV: os jornalistas parecem trabalhar em um ambiente corporativo, reforçado pelas imagens da redação ao fundo dividida em baias onde cada redator está contido em uma célula. 
O ambiente asséptico com as apresentadoras em salto alto, esguias em seus vestidos retos enquanto os apresentadores com corte cuidadosamente curto desfilam com seus sapatos bicos finos e estreitos.
Estamos na estética do “jornalismo corporativo” – a expressão não se limita mais a forma padronizada e industrializada de produção de informações ou os interesses econômicos e políticos dos grandes grupos de comunicação que contaminam o enfoque da notícia. Mais do que isso, esse tipo de jornalismo em tudo tenta equiparar o ethos e estética dos jornalistas ao escritório de uma grande corporação.
Se no passado o típico trabalho de um jornalista era de campo (ir às ruas para apurar as informações) e como telespectadores percebíamos no rendimento televisual apresentadores mal ajambrados e nitidamente incomodados em trajar paletó e gravata (e que, por isso, dispensavam qualquer cuidado com o corte da moda), hoje vemos apresentadores e repórteres confortáveis em seus look corporativos. 
Parece que nasceram para aquilo. Mesmo fora dos estúdios e redações, quando convidados a dar uma palestra ou um workshop qualquer, apresentam-se tal como estivessem no estúdio ao vivo – paletó e gravata ou vestidos de forma “informal” como se dirigissem a algum “happy hour” fora do escritório ou estivesses em algum “day off” em plena sexta-feira.
Na TV reproduzem inclusive os melancólicos estereótipos da cultura de escritórios e ambientes de trabalho modorrentos – “Ufa! Até que enfim é sexta-feira”; ou “Coragem! Hoje é segunda-feira!”.
A saga dos cães perdidos
No passado o Jornalismo era muito mais do que uma opção profissional: era existencial. A certeza de que ao fazer a escolha estaria “condenado” a viver à margem ou nos interstícios da sociedade pela própria condição de investigar e reportar muitas vezes aquilo que pessoas e instituições não querem pensar de si mesmas.
É sintomático como na história do cinema o jornalista está associado à personagem noir do detetive particular: investigação, aventura, independência, mas também falta de escrúpulo e arrogância. De qualquer forma, o jornalista não estava integrado pacificamente à sociedade – era um espécime arredio, desconfiado e crítico.
Ciro Marcondes Filho em seu livro A Saga dos Cães Perdidos (a metáfora do jornalista como um cão que perdeu o faro e se perdeu) aponta para a origem psicológica de todos os lapsos éticos da profissão e a crise da antiga caracterização do jornalista: a inveja criada pela diferença de classe social e a dos seus entrevistados, o que leva a ambição desenfreada e a busca rápida de enriquecimento.
O rápida transformação tecnológica na comunicação dividiu o Jornalismo em dois tipos de profissionais: aqueles que trabalham sentados (a maioria que limita-se ao tratamento de notícias de agências, releases e pesquisa na web) e os que trabalham em pé – a minoria que vai à campo investigar.
Concentrados nos monitores das suas baias nas redações que se transformaram em ambientes assépticos, hierarquizados e padronizados (tal como nos escritórios corporativos), jornalistas começaram a se ver como profissionais altamente especializados e capacitados ambicionando ascender em uma carreira potencialmente análoga a de gerentes, diretores, executivos ou CEOs de empresas.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Comportamento: brasileiros falam menos ao celular e ampliam o uso de internet em 2015

Da Agência Brasil

A mudança de comportamento dos usuários de telefonia móvel fez com que, em 2015, o total de linhas de celulares caísse no país pela primeira vez.

Uma mudança de comportamento dos usuários de telefonia móvel fez com que, em 2015, o número de linhas de celulares caísse no país pela primeira vez. Serviços como o de TV por assinatura e telefonia fixa também tiveram sua primeira queda no número de usuários, motivada pela crise econômica. No entanto, os serviços de internet fixa e móvel, especialmente na tecnologia 4G, tiveram forte expansão no ano.
O setor de telefonia celular, que vinha crescendo a cada mês, apresentou uma queda de 2,8% no número de linhas ativas neste ano. Em janeiro, havia 281,7 milhões de linhas ativas no país e, em outubro (número mais recente da Anatel), o número havia caído para 273,8 milhões. A tendência de queda na telefonia celular era esperada só para daqui a dois ou três anos pelos agentes do setor, mas começou a ocorrer em junho deste ano.
Boa parte da queda é atribuída à diminuição do número de celulares com chips pré-pagos, segmento que teve redução de 4,5%. O percentual corresponde a uma queda de 10 milhões de chips. No mesmo período, os celulares pós-pagos apresentaram leve aumento, de 0,3%.
A queda no número de usuários de celular pode ser explicada por uma mudança de comportamento dos brasileiros. Em vez de ter dois ou três chips em cada aparelho para usar os serviços de voz, os clientes estão optando por trocar mensagens de texto e de voz por meio de aplicativos como o WhatsApp, que utilizam apenas dados de internet.
"O brasileiro tinha dois ou três chips para se comunicar com pessoas de várias operadoras. Na medida em que ele passa a se comunicar por meio de mensagens, ele não precisa mais disso, o que precisa é de um pacote de dados. Então, vemos o usuário descartando esse segundo ou terceiro chip, o que está levando a um encolhimento da base de pré-pagos", diz Eduardo Tude, presidente da consultoria Teleco. Segundo ele, essa tendência deve continuar porque o usuário está abandonando o serviço de voz e passando a gastar em dados.
Por causa desse comportamento, o acesso à internet móvel, que já tinha aumentado em mais de 50% no ano passado, cresceu 13,5% entre janeiro e outubro de 2015. O destaque foi para o crescimento dos acessos em 4G, que passaram de 7,8 milhões em janeiro para 20,4 milhões em outubro. A banda larga fixa teve um aumento de 5,4% no número de assinantes. Em janeiro eram 24,1 milhões de usuários, e em setembro cresceu para 25,4 milhões.
O setor de TV por assinatura foi outro que apresentou uma queda pela primeira vez este ano. Em janeiro, eram 19,65 milhões de assinantes, mas os números começaram a cair em maio. Os dados mais recentes divulgados pela Anatel são de outubro e mostram que o número de assinantes passou para 19,39 milhões, uma queda de 1,3%. No ano passado, o setor havia crescido 8,7%. Entre 2010 e 2014, o número de assinantes dobrou.
A crise econômica foi um dos principais motivos para a queda do número de assinantes. O especialista Eduardo Tude explica que a principal queda foi na tecnologia por satélite, que oferece planos mais baratos para atender famílias de renda mais baixa. "Esse pessoal acabou cortando a TV por assinatura e isso deu um impacto este ano. Acredito que, com a melhoria da situação econômica, o setor pode voltar a crescer".

Na telefonia fixa também houve queda no número de usuários. Em janeiro, havia 45 milhões de linhas ativas e, em outubro, foram registradas 44,04 milhões de linhas de telefonia fixa, uma queda de 2,2%. A crise econômica também pode ser apontada como a causa da redução do número de usuários. "Já havia uma migração dos usuários de concessionárias para as autorizadas, mas o número total se mantinha estável, com um pequeno crescimento, e este ano estamos vendo uma queda. Acredito também que seja devido à crise econômica", diz o especialista.