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domingo, 7 de setembro de 2014

Mídia: em 2009 os EUA planejaram ciberataques contra empresas da Rússia e da Índia

Da Voz da Rússia

Os serviços secretos dos EUA analisaram a possibilidade de realizar espionagem industrial para obtenção de vantagens competitivas no mercado mundial para companhias norte-americanas.
Isso é afirmado num documento secreto dos serviços de espionagem dos EUA entregue à mídia pelo antigo colaborador da CIA e da Agência de Segurança Nacional (NSA), Edward Snowden.
Datado de 2009, o documento de 32 páginas intitulado “Análise de quatro anos de estratégia da comunidade de inteligência” foi publicado pelo jornalista norte-americano Glenn Greenwald na publicação online The Intercept.
O documento descreve os passos que a comunidade de inteligência podia empreender, se em 2005 “os EUA começassem perdendo sua supremacia em tecnologia e inovação”. Assim, os serviços secretos norte-americanos poderiam se decidir pela “recolha sistemática de dados de fontes abertas, assim como pela obtenção de informação protegida através de introdução física e de realização de ciberataques”.
O documento analisa, nomeadamente, um cenário em que companhias da Índia e da Rússia desenvolvem em conjunto um hipotético produto de novas tecnologias e a inteligência dos EUA, como resposta, “realiza ciberataques contra os centros de investigação” desses países, acessa os projetos e estuda a possibilidade da sua utilização em benefício da economia norte-americana.

Para mais informações,clique aqui. 

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Opinião: Liberdade para Edward Snowden


Por Marcelo Zero

Snowden não é um desertor, um traidor e um criminoso, como afirma o governo norte-americano.
Snowden é um jovem que entrou na “guerra contra o terrorismo” por amor ao seu país e por idealismo, e dela saiu pelos mesmos motivos. Ele percebeu claramente a monstruosidade em que se transformou a NSA e os perigos que as agências de inteligência sem controle representam para a democracia. Qualquer democracia.
Quando Dilma tomou a corajosa iniciativa de protestar, na ONU, contra os omnipresentes mecanismos de espionagem dos EUA e dos Five Eyes, muitos aqui no Brasil a desdenharam. Tentaram naturalizar a espionagem.  Afirmaram que a espionagem existe desde que o mundo é mundo e que, se os EUA espionam mais, é porque possuem melhores meios para fazê-lo.
Ignoraram, ou fingiram ignorar, um dado crucial: a espionagem da NSA e de outras agências de inteligência dos EUA não tem mais nenhuma relação com a espionagem clássica. Trata-se de algo qualitativamente muito distinto. A espionagem clássica era aquele jogo em que os Estados tentavam descobrir os segredos de outros Estados. Um jogo que envolvia essencialmente espiões, contraespiões, agentes duplos e informações sigilosas que pertenciam a governos.
Mas o que a NSA faz hoje é completamente diferente. A NSA devassa sistematicamente, e em escala mundial, informações que pertencem aos cidadãos comuns. E não são somente “metadados”. São também os conteúdos. Este artigo, fosse apenas um singelo e-mail para um amigo, seria devassado pela NSA, já que tem referências ao Snowden e à agência.
Assim, a NSA implantou, com apenas algumas décadas de atraso, a distopia orwelliana prevista em “1984”. A diferença é que as “teletelas” imaginadas por George Orwell foram substituídas pelos computadores, os celulares, os tablets e todos esses dispositivos que inocentemente conectamos à rede mundial. O resto é praticamente igual.
Vivemos, portanto, num mundo sem privacidade. Porém, não é só a privacidade que é ameaçada. Na sua excelente entrevista dada à repórter Sônia Bridi, Snowden, um sujeito inteligente e articulado, comenta que esse mecanismo ubíquo e generalizado de espionagem ameaça nossas liberdades e nossos direitos. Claro. A vigilância omnipresente limita a livre e espontânea circulação de informações, o oxigênio das democracias. Sabendo-nos vigiados, vamos, aos poucos, evitando certos temas e podando palavras e termos em nossas comunicações. É como se vivêssemos num mundo no qual nossas cartas fossem sistematicamente abertas.  
Snowden, uma pessoa aparentemente discreta e tímida, teve a grande coragem pessoal de denunciar esse sério perigo à democracia. Merece, portanto, nossa gratidão e nosso respeito.
Respeito que alguns lhe negam quando tentam transformá-lo, como tudo no Brasil de hoje, em instrumento de luta política-eleitoral. Muitos dos que criticaram a presidenta por não ter ido à Washington, um gesto soberano inevitável naquelas circunstâncias, agora pressionam o governo brasileiro para dar asilo a Snowden. Mas, caso o asilo acontecesse, seriam os primeiros a vociferar contra a política externa “antiamericana” e “terceiro mundista” do governo. É o tal negócio: se ficar o bicho pega.....
Não obstante, defendo, como muitos, o asilo a Snowden. Reconheço, por outro lado, que tal concessão está longe de ser trivial.
Em primeiro lugar, Snowden teria de entrar em nossa embaixada ou em nosso território. Não existe o asilo ou refúgio à distância.
Em segundo, há questões de logísticas e de segurança complicadas. Por exemplo, como trazê-lo ao Brasil em segurança?  Os EUA já demonstraram do que são capazes, quando obrigaram países europeus a deter o avião presidencial boliviano por suspeitar que Snowden estava nele. Assim, para que Snowden chegasse ao Brasil são e salvo, o Brasil teria de contar com a assistência não apenas das autoridades russas, mas também de muitos países da Europa. Caso contrário, Snowden poderia transformar-se num novo Assange, que está há dois anos preso na embaixada do Equador em Londres.
Em terceiro, há algumas questões jurídicas a enfrentar. O Brasil tem, entre outros, um acordo de assistência judiciária em matéria penal com os EUA. Tal acordo, firmado em 1997, nos tempos de FHC, não prevê, como outros acordos da mesma natureza, que a cooperação possa ser negada, nos casos em que o Estado que recebe a solicitação suspeite de perseguição política contra os acusados.  Isso poderia ser um empecilho para a manutenção do asilo.
Em quarto, há o enigma do STF. Em 2009, o STF anulou a condição de refugiado de Cesare Battisti, autorizando a sua extradição solicitada pela Itália. Não fosse a decisão presidencial de negar a extradição, Battisti já estaria preso na Itália.
Em quinto, há a delicada questão política-diplomática. As relações bilaterais Brasil/EUA estão num nível baixo. Evidentemente, é do interesse de ambos os países que tais relações sejam normalizadas, com base no repeito mútuo.  O eventual asilo a Snowden poderia azedar de vez essa relação. Precisaríamos estar preparados para essa eventualidade.
Evidentemente, a verdadeira solução, uma solução definitiva, para o caso Snowden dificilmente virá por um caminho unilateral. É muito improvável que seja uma solução russa ou brasileira.
Uma solução multilateral ou plurilateral teria mais chance de ter êxito. Assim como a questão da liberdade na internet e nas telecomunicações está na ONU, o caso Snowden, que a provocou, também precisa ser debatido em nível multilateral e plurilateral. O ACNUR precisaria ser provocado para se posicionar sobre o assunto. Snowden, que se sacrificou pelas democracias, precisa do apoio de todas elas.
A solução ideal, no entanto, seria a solução norte-americana. Snowden deixou claro que quer voltar para casa. A sua liberdade está em seu país; não em seu exílio forçado. Creio que chegará o dia em que Snowden será reconhecido nos EUA pelo o que ele realmente é: um herói que fez jus às melhores tradições de integridade, accountability e transparência da democracia de seu país.
Contudo, até lá ele precisará de apoio. Seu tempo na Rússia está acabando e ele precisa de um porto seguro. Gostaria que esse porto fosse o Brasil. A sua recente entrevista humanizou-o. Ele deixou de ser Edward Snowden, um tema de geopolítica internacional, e passou a ser apenas o Edward, um cara legal a quem de bom grado convidaríamos para tomar um café e bater um papo.
Esse cara se arriscou muito defendendo liberdades. A minha, a sua, a de todo o mundo.
O mínimo que a gente pode fazer é tentar retribuir.
Edward, o cara, merece.





quarta-feira, 21 de abril de 2010

Argentina: Mães da Praça de Maio protestam contra jornalistas cúmplices da ditadura

Do blog Jornalismo nas Américas

As Mães da Praça de Maio, uma associação de mulheres que tiveram filhos desaparecidos durante a ditadura na Argentina (1976-1983), anunciaram uma manifestação para julgamento ético e político dos jornalistas cúmplices com o regime militar.
O encontro será no dia 29 de abril, às 17h, na Praça de Maio, em frente à Casa Rosada (sede do governo argentino), onde o grupo se reúne tradicionalmente todas as quintas-feiras para manter vivos na memória do país os crimes cometidos durante a ditadura.
“O silêncio cúmplice, a ocultação e a mentira possibilitaram que o terrorismo de Estado pudesse aniquilar milhares de pessoas”, diz a convocação do encontro. “Muitos jornalistas, que sabiam o que acontecia, foram participantes necessários desse genocídio”, continua a nota.

Outras notícias relacionadas:
» Jornalistas foram espiões do exército durante ditadura argentina

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Denúncia: Cia espiona e monitora redes sociais

A Central de Inteligência Americana - CIA estaria contratando empresas para monitorar redes sociais, blogs. A denúncia é do portal www.nuestraamerica.info, coordenado pelo jornalista Jorge Benedetti. Uma das empresas que estarian prestando serviço para a CIA seria a Visible Technologies, com capacidade de monitorar 500 mil sítios na Internet.

Confira abaixo, em espanhol, a reportagem de Eva Golinger distribuída pela Agencia Nacional de Comunicación da Argentina.

El mundo / espionaje
LA CIA COMPRA EMPRESA QUE MONITOREA BLOGS, TWITTER, YOUTUBE Y AMAZON

La comunidad de inteligencia no controla -aún- todo el contenido y flujo de información en el ámbito cibernético. Y las mismas herramientas que les sirven a ellos para minar data y obtener información sobre sus potenciales adversarios, pueden ser utilizadas por aquellos que luchan contra las intrusiones imperiales como armas para movilizar masas y diseminar verdades sobre sus agresiones.
En una noticia exclusiva publicada esta semana en la revista WIRED, fue revelada que In-Q-Tel, una empresa inversionista de la Agencia Central de Inteligencia de Estados Unidos (CIA), acaba de hacer grandes inversiones en un negocio dedicado a monitorear los medios y redes sociales.
Esta empresa, Visible Technologies, vigila cada día más de medio millón de sitios en Internet, revisando más de un millón de conversaciones, foros y posts en diferentes blogs, foros en línea, Flickr, YouTube, Twitter y Amazon. Los clientes de Visible Technologies reciben información en tiempo real sobre lo que se está diciendo y haciendo en el ciberespacio, basada en una serie de palabras claves.
Según la revista WIRED, esta nueva adquisición de la CIA forma parte de un movimiento mayor dentro de la comunidad de inteligencia para mejorar la capacidad de utilizar "fuentes abiertas de inteligencia" - información que está disponible en el ámbito público, pero muchas veces escondida en programas de televisión, artículos de prensa, blogs, videos en Internet y reportajes en miles de emisoras que se generan todos los días.
El vocero de Visible Technologies, Donald Tighe, reveló que la CIA les pidió monitorear a los medios sociales extranjeros e instalar un sistema de "detección temprana" para informar a la agencia de inteligencia sobre "cómo los asuntos de interés se están manifestando a nivel internacional". Pero también, se utiliza a nivel nacional, dentro de Estados Unidos, para monitorear a los bloggers y tweeters domésticos.
Visible también suministra un servicio similar a empresas de comunicación, como Dell, AT&T, Verizon y Microsoft, para informarles sobre lo que están diciendo en los foros de ciberespacio sobre sus productos.
A finales del año 2008, Visible comenzó una colaboración con la empresa consultora de Washington, Concepts & Strategies (Conceptos y Estrategias), que estaba dedicada a monitorear y traducir medios extranjeros para el Comando Estratégico del Pentágono y el Estado Mayor Conjunto, entre otras agencias estadounidenses. Concepts & Strategies está actualmente reclutando "especialistas en medios sociales" con experiencia en el Departamento de Defensa y fluidez en árabe, farsi, francés, urdu o ruso. La empresa también está buscando un "ingeniero de seguridad para sistemas informáticas" que ha sido ya otorgado acceso "Top Secret" por la Agencia de Seguridad Nacional (NSA) de Estados Unidos.
La comunidad de inteligencia ha tenido un gran interés durante muchos años en los medios sociales y las redes sociales en Internet. In-Q-Tel ha realizado grandes inversiones en Facebook y otras empresas que reúnen datos e información de millones de usuarios por todo el mundo. La Dirección Nacional de Inteligencia (DNI) de Estados Unidos mantiene el Centro de Fuentes Abiertas, que está dedicada a la búsqueda y el monitoreo de información públicamente disponible, pero no siempre encontrada con facilidad.
Hace una semana, el Departamento de Estado patrocinó un evento en la Ciudad de México llamado la Cumbre de la Alianza de Movimientos Juveniles, reuniendo jóvenes dirigentes políticos afines a los intereses de Washington con los fundadores y representantes de las nuevas tecnologías como Facebook, Twitter y YouTube.
La Alianza buscaba "mejorar la capacidad de los jóvenes políticos para utilizar las nuevas tecnologías para movilizar sus organizaciones y diseminar información a un público masivo." Participaron varios dirigentes opositores de Venezuela, como Yon Goicochea y Geraldine Álvarez, conocidos por sus vínculos a las agencias de Washington desde hace unos años. También asistieron, por invitación del Departamento de Estado, los promotores de la marcha "No Más Chávez" que fue convocada en Facebook durante el mes de septiembre 2009.
La unión entre las agencias de Washington, las nuevas tecnologías y los jóvenes dirigentes políticos seleccionados por el Departamento de Estado, era una receta para una nueva estrategia de ''cambiar regímenes''. Además, ese evento reafirmó el apoyo político y financiero al movimiento estudiantil de la oposición en Venezuela por parte de Estados Unidos y colocó ante la opinión pública una evidencia irrefutable de la siniestra alianza entre Washington y las nuevas tecnologías.
Ahora, con la nueva evidencia sobre las últimas inversiones de la CIA que permiten el monitoreo y rastreo de información en Twitter, blogs, YouTube y otros foros en ciberespacio, no hay duda de que el campo de batalla ha sido ampliada.
Sin embargo, la comunidad de inteligencia no controla -aún- todo el contenido y flujo de información en el ámbito cibernético. Y las mismas herramientas que les sirven a ellos para minar data y obtener información sobre sus potenciales adversarios, pueden ser utilizadas por aquellos que luchan contra las intrusiones imperiales como armas para movilizar masas y diseminar verdades sobre sus agresiones
La CIA nos tiene en la mira, pero nosotros también la estamos vigilando (ANC-UTPBA).