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terça-feira, 23 de novembro de 2010

Sarkozy chama jornalistas de pedófilos e causa polêmica na França

Do Opera Mundi

Uma nova polêmica envolve o presidente da França, Nicolas Sarkozy. Após as greves contrárias à reforma da previdência, acusações de financiamento ilegal de campanha no caso Woerth-Bettencourt, contestações das políticas anti-migratórias e denúncias de espionagem de jornalistas, ele agora está sendo criticado por ter chamado um jornalista de pedófilo.

Quando foi questionado por um repórter sobre as acusações de envolvimento num escândalo de corrupção na venda de submarinos franceses para o Paquistão, em 1994, Sarkozy respondeu em tom de provocação: "Eu não tenho nada contra você, mas parece que você é pedófilo. Você poderia se justificar?", disse, buscando mostrar que está sendo acusado sem provas.

O episódio aconteceu em uma entrevista coletiva concedida na última sexta-feira (19/11) durante a Conferência da Otan em Lisboa, segundo a imprensa francesa.

No final do evento, o presidente fez uma saudação provocativa ao deixar a sala dos jornalistas na Conferência da Otan. "Amigos pedófilos, até amanhã", disse, segundo o site da RFI, rádio pública francesa.

A reação do presidente foi provocada pelas perguntas sobre o escândalo Karachi, que veio à tona com as suspeitas de que o governo francês pediu comissões ilícitas às forças armadas paquistanesas, em 1994, para concluir a venda de três submarinos franceses. Na época, Sarkozy era ministro do Planejamento e seu nome é citado em documentos ligados às negociações. As Justiças do Paquistão e da França investigam o caso.

domingo, 5 de julho de 2009

Entrevista exclusiva de Sarkozy gera crise interna no Nouvel Observateur

Que jornal brasileiro não gostaria de trazer a público uma entrevista exclusiva com o presidente da República. Pois bem, na França, uma entrevista de Nicolas Sarkozy ao Nouvel Observateur é motivo de uma grave crise interna no veículo. Os jornalistas na redação questionam que a entrevista, publicada dia 2 de julho, tenha sido realizada pelo diretor do semanário, Denis Olivennes, acompanhado do chefe de redação, Michel Labro.
Para tentar equacionar a crise, o Conselho de Redação do Nouvel Observateur, formado por representantes dos jornalistas, convocou os dois chefes para dar explicações. Motivo da crise: nem a redação, nem a editoria de Política do semanário estava informada que a entrevista iria ocorrer. As reações "virulentas" chegaram mesmo à editoria de Cultura, uma vez que a entrevista com o presidente francês, que ocupou oito páginas, prejudicou a cobertura mais ampla da morte de Michael Jackson.
Para os integrantes da redação, a entrevista com Sarkozy cherou ao que no Brasil chamamos de "jabá" ou matéria recomendada. Pois o veículo se sujeitou a diversas exigências da comunicação social da palácio do Eliseu.

A matéria completa do Le Monde, em francês, está disponivel aqui.