Caros leitores e leitoras.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Eleições: Parlamentares da área de comunicação se reelegem; Lustosa fica fora

Por Samuel Possebon, do TelaViva news

Dos parlamentares mais atuantes no setor de comunicações na atual legislatura, quase todos conseguiram se reeleger. A exceção mais importante foi a do deputado Paulo Henrique Lustosa, do PMDB/CE, que ficará fora da Câmara a partir 2011, segundo a totalização do TSE. A deputada Solange Amaral (DEM/RJ) também não se reelegeu. Ainda faltava o término da totalização dos votos de São Paulo, mas provavelmente os deputados Julio Semeghini e Paulo Teixeira seriam reeleitos, faltando apenas a totalização de 0,01% dos votos na madrugada desta segunda, 4.

Ao final das apurações, nomes importantes como Jorge Bittar (PT/RJ), Luiza Erundina (PSB/SP), Miro Teixeira (PDT/RJ), Bilac Pinto (PR/MG) e Paulo Bornhausen (DEM/SC) foram confirmados para a próxima legislatura. O senador Flexa Ribeiro (PSDB/PA) também se reelegeu, onde atuará ao lado dos recém-eleitos senadores Walter Pinheiro (PT/BA) e Eunício Oliveira (PMDB/CE). O senador Hélio Costa e o deputado Celso Russomano perderam suas disputas para, respectivamente, governador por Minas Gerais e senador por São Paulo. O senador Antônio Carlos Júnior (DEM/BA) não se candidatou à reeleição. Todos deixarão o Congresso em 2011.

O deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB/RN), importante membro da bancada da radiodifusão, se reelegeu, assim como o senador Marcelo Crivella (PR/RJ). A deputada Jandira Feghali (PC do B/RJ) volta ao Congresso em 2011.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Debate sobre liberdade de imprensa e regulação da mídia avança no mundo

Por Natalia Viana, da Opera Mundi, em 29 de setembro de 2010

Manipulação mediáticaNo domingo passado, três dos principais veículos impressos do país voltaram a destacar suas opiniões sobre o que consideram restrições à liberdade de imprensa, depois de críticas feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva à cobertura eleitoral. Para o presidente, a imprensa estaria se comportando "como um partido" de oposição.

Em um gesto pouco comum no Brasil, o jornal O Estado de São Paulo assumiu seu apoio ao candidato da oposição, acusando o governo de "perder a compostura" com as críticas. O editorial da Folha de S.Paulo, publicado na capa, afirma: "Fiquem advertidos de que tentativas de controle das imprensa serão repudiadas - e qualquer governo terá de violar cláusulas pétreas da Constituição na aventura temerária de implantá-lo".

A revista Veja trouxe na capa texto sobre o artigo V da Constituição, que garante o direito à livre expressão, sob a manchete "liberdade sob ataque". A matéria acusa o presidente de censurar a imprensa. "Nos países democráticos, a liberdade de imprensa não é assunto discutível, mas um dado da realidade", diz o texto.

Veja como são as leis que regulamentam a imprensa em outros países:

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O debate acalorado pode fazer parecer que a regulação da mídia é uma criação da agenda eleitoral do país, resultado de um embate entre governistas e opositores. Mas ela está longe de ser uma questão apenas brasileira. No mundo todo, tem avançado a discussão sobre como regular o setor e como equilibrar isso com a garantia da liberdade de expressão.

Para o pesquisador em políticas de comunicação Gustavo Gindre, ligado ao Instituto de Estudos e Projetos em Comunicação e Cultura (Indecs), é natural que isso aconteça. "O cenário da comunicação está mudando muito velozmente. A lei dos EUA já está antiga, e só tem 14 anos. Mesmo assim, ela sofre revisões periódicas. É quase uma obrigação dos países mudar as leis que não acompanham essas mudanças".

Debates sobre a regulação de mídia têm avançado em especial na América Latina, e não apenas nos países governados por partidos à esquerda. Nos últimos anos, México, Argentina, Equador e Venezuela propuseram novas leis.

No Brasil, o debate sobre a regulação do setor de comunicação tem esquentado desde 2009, quando foi realizada a Conferência Nacional de Comunicação. Tudo indica que a discussão deve pegar fogo depois das eleições. Está previsto para novembro um evento nacional para delinear um novo marco regulatório para o setor.

A "regra" é ter regra

O papel das leis de imprensa e das leis de mídia é regular as atividades dos meios de comunicação e balancear os limites entre o direito à livre expressão e à informação e os interesses individuais e coletivos de pessoas, empresas e grupos sociais.

Segundo o pesquisador Murilo César Oliveira Ramos, professor da Universidade de Brasília e conselheiro da EBC (Empresa Brasil de Comunicação), a maior parte dos países tem regras para estabelecer o que pode e o que não pode no setor audiovisual, o que não significa prejuízo da liberdade de expressão.

"Tem várias maneiras de decidir o que deve ir ao ar ou não. Quando os EUA e o Canadá dizem que não pode ter propaganda comercial no meio de programas infantis, é um limite. Quando a legislação francesa estabelece que tem que ter programas feitos na França, é um tipo de regulação de conteúdo. No Brasil temos limites para propaganda de cigarro, por exemplo", diz ele. "Mas se você falar em imprensa a situação é diferente. Como os jornais e revistas não dependem de frequências públicas, têm uma ação regulamentar muito mais frouxa, com mecanismos mais próximos da auto-regulação no mundo todo, com raras exceções".

França

A Lei de Imprensa mais antiga em vigor é a da França, de 29 de julho de 1881, que influenciou países como Itália, Espanha e Portugal.

Ela garante a liberdade de expressão, com a livre circulação de jornais sem regulação governamental. O mesmo vale para a internet. Mas a mesma lei coloca limites como a possibilidade de ações judiciais em casos de infâmia ou difamação (ou seja, a publicação de informações prejudiciais à reputação de alguém sem base em fatos reais).

Também é proibido o incitamento a cometer crimes, discriminação, ódio ou violência. Em casos de discriminação, a multa pode chegar até a 45 mil euros ou detenção. E pela lei nenhum grupo de mídia pode controlar mais de 30% da mídia impressa diária.

A rédea na França é ainda mais curta no caso dos meios audiovisuais. O país tem uma agência reguladora independente, o Conselho Superior do Audiovisual, que aponta diretores para os canais públicos e outorga licenças para o setor privado (de 5 anos para rádio e 10 para canais de tevê). Também monitora o cumprimento de obrigações pela mídia como a função educativa e a proteção aos direitos autorais, podendo aplicar multa. Dos nove conselheiros, três são indicados pelo presidente, três pelo Senado e três pela Câmara dos Deputados.

O CSA tem a missão de garantir que a mídia audiovisual reflita a diversidade da cultura francesa. Ele garante, por exemplo, que as outorgas de TV e rádio sigam o pluralismo político - há rádios anarquistas, socialistas e até de extrema-direita - e que representem os grupos minoritários. Outra frente é a preservação da língua francesa. Há uma cota de músicas francesas que têm que ser transmitidas pelas rádios e, pela lei, 60% da programação de TV tem de ser europeia, sendo 40% de origem francesa.

Gustavo Gindre, que atualmente trabalha na Ancine (Agência Nacional de Cinema), acha a regra positiva. "Com a reserva de conteúdo os canais têm que se abastecer de produtores pequenos, médios e grandes. Isso estimula a produção independente, mas também incentiva a produção de grandes grupos de comunicação, como o Canal Plus, que produz conteúdo francês para vender no exterior, garantindo uma expressão da cultura francesa no cenário global".

Portugal

Há cinco anos Portugal instituiu sua própria agência reguladora, ainda mais poderosa que a francesa, a Entidade Reguladora para a Comunicação Social. Além de ajudar da elaboração de políticas públicas para o setor, ela concede e fiscaliza concessões de rádio e tevê, telefonia e telecomunicações em geral, mas também regula jornais impressos, blogs e sites independentes.

Ao mesmo tempo, atende e dá encaminhamento a queixas vindas da população. Seus conselheiros são indicados pelos congressistas e aprovados pelo presidente da República. Em particular a entidade cuida de assegurar rigor, isenção e transparência no conteúdo, o pluralismo cultural e a diversidade de expressão, além de proteger o público mais jovem e minorias contra conteúdos considerados ofensivos.

Reino Unido

O pesquisador Murilo Ramos explica que esse modelo, de órgãos de regulação fortes, é uma característica dos países europeus. Ao mesmo tempo, prevalece um modelo de exploração público estatal, cujos conteúdo é pensado em termos estratégicos para o país. "O grande exemplo é a BBC inglesa", diz.

A BBC é uma empresa pública independente financiada por uma licença de TV que cada domicílio tem de pagar. A BBC controla a maioria da audiência do país com 14 canais de TV, cinco rádios nacionais, dezenas de rádios locais e serviços internacionais em 32 línguas - esses, essenciais para a influência britânica no cenário mundial.

Mas, apesar do domínio da BBC, o Reino Unido também incentiva o pluralismo. Em 2005, para fomentar as rádios comunitárias, o governo britânico começou a oferecer licenças de cinco anos para as rádios não legalizadas, além de uma verba inicial para que elas se legalizassem, com grande adesão.

Quanto à imprensa, o país não tem uma lei específica. A liberdade de expressão é protegida pela Lei de Direitos Humanos, de 1998, que também introduziu a privacidade como um direito essencial. A liberdade tem de ser compensada também com a proteção da reputação de pessoas contra difamação. Mas o principal limite, de acordo com a cultura jurídica britânica, é a necessidade de preservar a inviolabilidade de julgamentos. Assim, a principal preocupação é evitar qualquer interferência externa nos processos judiciais - por exemplo, os jornalistas não podem publicar detalhes sobre um criminoso ou sobre provas de um crime.

Em 2003, criou-se uma agência reguladora para o setor de mídia, o Ofcom (Office of Communications; em inglês, Departamento de Comunicações). Outro órgão importante é a PCC (Press Complaints Comission), uma comissão independente que recebe reclamações sobre a imprensa e negocia retratações fora do âmbito judicial. Os jornais, voluntariamente, aderem ao código de procedimentos da PCC, que foi aprovado pelo Parlamento.

Itália

Na Itália, a legislação tem cada vez mais influência do governo, ou melhor, do primeiro-ministro.

Em junho, protestos se seguiram à aprovação da "lei da mordaça" proposta por Silvio Berlusconi, que limita o uso e difusão das escutas telefônicas em investigações oficiais, prevendo pena de até 30 dias de prisão e multa de até 10 mil euros. Os principais canais comerciais e agências de notícia pararam sua programação em protesto.

Dos 8 canais nacionais abertos, três são estatais e três controlados pelo grupo Mediaset, de Berlusconi. Juntos, os grupos RAI, estatal, e Mediaset controlam 85% da audiência e 90% dos anúncios. Como Berlusconi pode orientar a linha de ambos os grupos, ele controla a mídia.

De acordo com uma lei de 1997, a Itália tem um um órgão colegiado para supervisionar o setor de telecomunicações, a mídia eletrônica e a imprensa - a Autoridade pela Garantia na Comunicação. O presidente do órgão é escolhido pelo governo e o conselho de oito membros, eleito pelo parlamento. Mas seu papel é enfraquecido num cenário de forte concentração. Do mesmo modo, a Ordem dos Jornalistas reivindica o papel de monitor ético dos seus membros, mas não tem muito poder.

Estados Unidos

Nos EUA, não há uma lei de imprensa e, sim, uma série de regras contidas em diferentes legislações. Mas, segundo a tradição norte-americana, a liberdade de imprensa é garantida pela famosa primeira emenda da constituição, que garante a liberdade de expressão como um dos direitos mais fundamentais da sociedade. Todas as outras regulações da imprensa são elaboradas a partir dessa premissa.

Assim, os jornais funcionam sem qualquer regulação governamental. O mesmo se aplica à internet. Já os canais de TV e rádio são supervisionados pela FCC (em inglês, Comissão Federal de Comunicações), formada pela Lei de Comunicação de 1934 (são seis membros escolhidos pelo presidente e aprovados pelo Senado) e também por comissões no Senado e na Câmara, além de decisões da corte suprema. A legislação garante o direito de processo caso alguém se sinta vítima de difamação por parte da mídia.

O professor Murilo Ramos explica que, nos EUA, os canais públicos acabam sendo marginais em relação às grandes empresas comerciais. Mas é um erro afirmar que não há regulação.

"Há uma regulação forte e um órgão regulador ativo para o setor audiovisual. A FCC tem conflitos o tempo todo com os radiodifusores. E tem ações fortes. Alguns anos atrás, por exemplo, aplicou uma multa pesadíssima contra a CBS porque a cantora Janet Jackson mostrou um seio na final do campeonato de futebol americano", explica.

Mesmo assim, a regulação midiática segue uma visão liberalizante: acredita-se que o mercado e a opinião pública devem ser os principais reguladores do conteúdo, com o mínimo de interferência do governo possível. Somente quando há uma percepção generalizada de abuso o FCC estuda novas legislações ou a aplicação da legislação com mais rigidez. Foi o caso do seio de Jackson. As regras vetam, por exemplo, a exibição de cenas consideradas indecentes e obrigam todos os canais a transmitir pelo menos três horas por semana de programação educativa para crianças.

"A verdade é que os limites de propriedade, que ainda são mais fortes nos EUA do que aqui no Brasil, têm sido abrandados nos últimos anos. Nos anos 1960 havia uma obrigação de ter produções independentes na TV, e isso vem sendo abrandado pelo FCC em prol dos grandes grupos de comunicação", diz Gustavo Gindre.

Dois novos artigos de minha autoria estão disponíveis na Internet

Caros Colegas.

Nos últimos 90 dias estive fora por conta da minha candidatura ao Senado Federal.

Aproveito para informar que obtive pouco mais de 16 mil votos, como candidato ao Senado pelo Psol do DF.

Neste meio tempo, dois artigos acadêmicos de minha autoria foram disponibilizados na Internet.

Um diz respeito a imprensa e integração regional:

Le Monde não tem espaço para o Mercosul ,disponível em: http://www.bocc.uff.br/pag/bocc-santana-lemonde.pdf

O outro é sobre o papel dos canais legislativos na transparência dos feitos parlamentares.

Visibilidade e espetacularização nos canais parlamentares.Um olhar sobre as transmissões de CPIs no Brasil e na França ,disponível em http://revistas.unibh.br/ecom/viewarticle.php?id=101

Um terceiro artigo já mais antigo, mas agora em espanhol, “Quién hace la noticia en el Parlamento brasileño” - Análisis comparativo de las rutinas de los newsmakers del Senado federal também está disponível pelo enlace http://www.bocc.uff.br/pag/bocc-santana-quien.pdf

Estes e outros artigos de minha autoria também podem ser acessados via este blog, no canto inferior direito.

Casa das Musas edita três obras sobre Comunicação Pública

A Editora Casa das Musas tem os seguintes livros publicados direta e indiretamente relacionados ao tema COMUNICAÇÃO PÚBLICA:

DUARTE, Jorge (Org.). Glossário de Comunicação Pública. Brasília, DF, Casa das Musas, 2010 (reimpressão).

DUARTE, Jorge (Org.). Glossário de Relações Públicas. Brasília, DF, Casa das Musas, 2010 (reimpressão).

SILVA, Luiz Martins da (Org.): Comunicação Pública: algumas abordagens. Brasília, DF, Casa das Musas, 2010 (textos do próprio, de Jorge Duarte, Elisabeth Brandão, Heloiza Matos e Pierre Zémor.

Essas edições custam 15 reais mais despesas de correio.
Caso haja interesse: escrever mensagem para l.martinssilva@uol.com.br

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Folha procura redator para editoria Mundo

O jornal Folha de São Paulo procura redator colaborador interessado em trabalhar no caderno Mundo por dois meses

Candidatos devem ter:

boa cultura geral
bom acompanhamento do noticiário internacional
experiência em fechamento em jornal diário ou revista informativa
inglês fluente
conhecimentos de espanhol
domínio da língua portuguesa
Conhecimentos de outros idiomas e do Manual de Redação da Folha são habilitações desejáveis.

O processo de seleção inclui testes de conhecimentos gerais, conhecimentos específicos, português e regras de padronização estabelecidas pelo manual, além de entrevista.

Envie um currículo sucinto (com formação escolar, domínio de idiomas, cursos de especialização e experiência profissional) e dois exemplos de seu trabalho até 10/9, para treina@uol.com.br. Escreva no campo "Assunto" a sigla C-1.125

ATENÇÃO: mande currículo e texto no corpo da mensagem; links e arquivos anexados não serão considerados

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

TRT suspende sindicalização e carteiras de jornalista obtidas através de mandado de segurança

Do SJP-RS

Em fevereiro último, o juiz Rafael da Silva Marques, da 29ª Vara do Trabalho de Porto Alegre, concedera liminar em Mandado de Segurança obrigando o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul a filiar duas pessoas não formadas em Jornalismo, o bacharel em Direito Edwin Rudyard Wolff Dick e a médica Elisete Pereira de Souza. Nesta quarta-feira, 8 de setembro, a 2ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região, por unanimidade de votos, publicou acórdão tornando sem efeito a decisão anterior.

"É uma vitória para a categoria, e fortalece as PEC pró-jornalistas para chegarem ao plenário do Congresso Nacional", comemora o presidente do Sindicato, José Maria Rodrigues Nunes. "Segundo o Supremo Tribunal Federal, todos podem exercer a profissão de jornalista, mas no nosso entender nem todos são jornalistas - somente os diplomados. E a sindicalização e a carteira de jornalista jamais foram requisitos para exercer a profissão", explica.

O presidente da entidade viu o mandado de segurança como uma interferência jurídica dentro do associativismo, inadmissível em um país onde todos têm direitos sociais. "Conceder carteira a quem não é jornalista profissional banalizaria um documento civil com validade nacional, permitindo seu uso impróprio", aponta.

Para o advogado do Sindicato, Antonio Carlos Porto Junior, é a primeira decisão importante do TRT sobre um tema polêmico e problemático, que ajuda a desfazer a má interpretação entre trabalhar no Jornalismo e ser jornalista. "Foi decidido pelo STF que o Jornalismo pode ser exercido por quem não é bacharel, sendo possível trabalhar no Jornalismo sem ser jornalista, mas isso nao faz a pessoa jornalista. Ao mesmo tempo, não pode haver sindicalização compulsória, e vale para ambos os lados. O Sindicato é de bacharéis em Jornalismo, e não pode ser obrigado a aceitar quem não é bacharel", explica Porto.

Agora, as carteiras expedidas para Dick e Elisete deverão ser recolhidas. "Ao conferir carteira de jornalista a quem não seja bacharel, está se cometendo uma ilegalidade brutal", declara o advogado.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Carta aberta de Chico Sant’Anna aos jornalistas e profissionais de comunicação do DF


Caros amigos comunicadores de Brasília

É chegada a hora da renovação do parlamento brasileiro. Tomo a liberdade de apresentar-me a você, colega.

Sou Chico Sant’Anna, jornalista, documentarista e pesquisador acadêmico com mestrado na área de Imprensa e Integração Latino-americana pela UnB e com doutorado em Ciências da Informação e Comunicação pela Universidade de Rennes -1, França, com pesquisa na área de Comunicação Pública, em especial a Legislativa.

Trabalhei em importantes veículos do país: TV Globo, SBT, Folha de São Paulo. Na Comunicação Institucional, chefiei as CCS do Ministério da Saúde, das secretarias de Trabalho e da Saúde do GDF e da UnB, onde também lecionei jornalismo corporativo. Fui ainda professor de telejornalismo no IESB e no Ceub.

Presidi o Sindicato dos Jornalistas do DF entre 1992 e 1995. Nesta época o piso salarial acordado com as empresas de comunicação chegou ao equivalente de 6 salários mínimos. Hoje é pouco superior a 3 salário.

Fui também vice-presidente em três federações da categoria de jornalistas: a Nacional (Fenaj), a Latino-americana (Felap) e a internacional (FIJ).

Defendi não apenas as questões específicas da classe, como também pontos importantes destacados em nossa Constituição:





  • a democratização dos meios de comunicação,


  • o sistema público de radiodifusão,


  • a liberdade de expressão,


  • a garantia do capital nacional nos meios de comunicação,


  • a jornada de 5 horas para jornalistas e de 6 horas para radialistas no serviço público,


  • a exigência do diploma de nível superior para o exercício do Jornalismo

Lamentavelmente, o empenho e dedicação a essas pautas, por parte de nossa categoria, não foram suficientes para dar um ponto final a estes debates que se arrastam há décadas. Assim, tstes são assuntos que continuam figurando em nossa pauta de discussão e que estão na pauta do Congresso Nacional.

Tradicionais meios, como o JB e a Gazeta, estão desaparecendo. O desemprego campea na categoria. Temos rádios e TVs sem jornalistas. Nos obrigam a jornadas extenuantes de até 14 horas por dia. Sem hora-extra, sem descanso semanal e à mercê do mau humor das chefias.

No campo das comunicações também não houve avanços. O Conselho Nacional de Comunicação não funciona. O do Distrito Federal nunca foi regulamentado. Participei pessoalmente da elaboração do texto que o regulamentaria, mas nossos distritais parecem mais preocupados com temas mais rentáveis.

A legislação que assegura a democratização dos meios garantindo, a regionalização da produção jornalística e cultural – colocando fim ao monopólio midiático -, não sai do lugar. E as decisões da Conferência Nacional de Comunicações foram empurradas para o crivo do próximo governo e dos futuros parlamentares.

Todo este quadro e as derrotas sofridas nos últimos anos nos levam a concluir que é chegada a hora de termos, no Congresso, um representante da categoria que de fato tenha compromisso e interesse por causas tão importantes, não apenas para nossa profissão, mas também, e, principalmente, para a sociedade e o processo democrático do país.

Além disso, urge colocarmos em nossa pauta a revitalização da rádio Cultura-DF. Lutaremos pela realização de concurso público para jornalistas e radilistas. Defendemos também a imedita implantação do canal cultural a que o GDF tem direito, por lei, na TV a cabo. Brasília precisa da sua TV Educativa.

Como jornalistas e comunicadores, temos que nos preocupar com as reformas que estão acontecendo e as que estão por vir. O Congresso Nacional está repleto de donos de complexos midiáticos, com interesses que não são os nossos. Eles não têm interesse em ver a Comunicação e o Jornalismo a serviço da sociedade e das transformações sociais.

Precisamos de senadores comprometidos com os trabalhadores, com os jornalistas, radialistas e demais profissionais de comunicação com a democratização dos meios de comunicação, com a defesa da cultura nacional.

Por este motivo, me apresento como candidato a senador por Brasília, pelo Psol.



Sou o único jornalista e comunicador candidato ao Senado Federal.



Não pretendo ser apenas um parlamentar com interesses corporativos, mas asseguro o meu compromisso com esta temática.

Meus vínculos com o DF datam de 1958, quando aqui cheguei, ainda bebê, com meus pais. Orgulho-me em ser um brasiliense por opção e coração. Desejo servir Brasília combatendo a corrupção, o desmando e com cuidado especial aos trabalhadores, além da luta pela preservação da qualidade de vida da nossa cidade.

O detalhamento de minhas idéias você pode consultar no portal: http://www.senadorchicosantanna501.com.br/page9.php

Quero pedir não apenas um voto, mas também, e, principalmente, seu apoio. Abrace essa candidatura e traga mais simpatizantes para que juntos possamos construir uma Brasília melhor, um Legislativo mais altivo e, sem dúvida, um Brasil melhor.



SOU CHICO SANT’ANNA, Nº 501, CANDIDATO AO SENADO PELO PSOL.



No Senado Federal, Chico Sant’Anna vai defender:





  • Defesa do Diploma, da regulamentação profissional


  • Defesa da jornada de 5 horas (inclusive no serviço público);


  • Propor, via lei, Piso Salarial dos Jornalistas em 6 salários mínimos;


  • Defender a ampliação das rádios e TVs comunitárias;


  • Defender a regionalização da produção jornalística, cultural e artística no rádio e na TV;


  • Estabelecer um mínimo de programação jornalística nos meios de comunicação;


  • Instituir direito autoral obrigatório para a produção jornalística;


  • Estabelecer, via lei, a cláusula de consciência para o exercício do Jornalismo;


  • Defender a existência de um serviço público de rádio e TV;


  • Revitalizar o Conselho Nacional de Comunicação;


  • Defender a preservação da diversidade cultural brasileira nos conteúdos midiáticos;


  • Fixar cotas mínimas de conteúdos nacionais no cinema, rádio e televisão;


  • Defender a criação da carreira de Comunicador Social no serviço público federal e a realização de concursos públicos;


  • Fixar, via lei, critérios transparentes de distribuição de verbas publicitárias oficiais;


  • Defender a existência de Conselhos Editoriais e Artísticos como gestores dos canais legislativos.

    Conto com você!